O aumento no custo dos ar-condicionados, registrado em 4,22% no levantamento mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem sido acompanhado pelas lojas de Belém. A elevação nos preços é justificada pelas altas temperaturas, que aumentam a demanda em busca do produto, e pelas dificuldades de transportes devido à seca na Amazônia.
O número apresentado pelo IBGE marca a maior alta para os custos dos ar-condicionados em novembro desde a implantação do plano Real, em 1994. Quanto à inflação de 2023, o preço está três vezes acima, com um acúmulo de 13,97%, enquanto o índice geral variou 4,04% no mesmo período. Os dados históricos do IBGE revelam que, de 2020 a 2022, os valores dos aparelhos geralmente desaceleravam na transição de outubro para novembro.
Os impactos da situação no faturamento das empresas é grande. Fábio Moreno, coordenador comercial de uma varejista multinacional especializada em ar-condicionados com firma em Belém, observa que tem notado diferença de 15% a 20% nos preços dos produtos, o que afasta os clientes. “A gente vem passando por uma crise muito grande na indústria, começando pelos produtos importados”, aponta.
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“Em um dia, o preço das Splits [tipo de ar-condicionado] aumentou duas vezes. O cliente vinha pesquisar de manhã e estava com um preço. Ele vinha comprar de tarde, estava com outro, já não era mais o mesmo. A partir desse ano, com a seca dos rios, impactou diretamente a gente. Os produtos chegavam em Manaus e não eram evacuados. Foi elevando o preço, queimando estoque e sem previsão para reposição”, comenta Fábio.
Em datas promissoras, como a Black Friday, as lojas sentiram o efeito contrário do que esperavam. Fábio considera que a edição da superpromoção desse ano foi um fracasso. “Essa mudança de preço comprometeu diretamente o nosso Black Friday. Sempre é um momento que a gente se prepara. Temos, baseado nos últimos anos, sempre quedas [de preço] significativas, com reduções de 25%. Era um faturamento astrônomico”.
“Esse ano, foi um fracasso. As máquinas sofreram reajustes e prevemos até estarmos sem estoque. Mesmo com o preço elevado, nós vendemos, mas a Black Friday teve um efeito contrário em 2023. Muitos produtos ficaram em alguns portos que não tinham navios e isso foi afetando diretamente o nosso mercado, elevando os preços dos produtos”, conclui o coordenador comercial.
Itens de manutenção de ar-condicionado também tiveram aumento
As altas temperaturas não influenciaram apenas no aumento de preços apenas do ar-condicionado. Os produtos usados para manutenção desses aparelhos, como o gás, também tiveram reajustes sentidos por lojistas. Para Renata Assis, dona de uma empresa especializada em serviço de reparo das máquinas refrigeradoras, a diferença sentida foi de 30% a 35% nos itens, o que impacta diretamente no custo final para os clientes.
“No começo do ano as coisas já começaram a ter uma variação de preço muito grande. O valor está acima para todas as marcas de ar-condicionados, e não só para o produto final, mas para os componentes de manutenção também. Devido ao calor, muitas pessoas precisaram fazer a limpeza e trocar o gás. O valor cresceu”.
