Fragrancias árabes conquistam fãs da perfumaria com essências únicas e custo benefício, em Belém
O Brasil já concentra 40% da audiência digital global sobre o tema, segundo pesquisa
Os perfumes árabes têm ganhado cada vez mais espaço no mercado brasileiro de fragrâncias, impulsionados por tendências globais e pelo alcance das redes sociais. Em Belém, o crescimento desse segmento já é percebido no varejo e entre novos empreendedores, refletindo mudanças no comportamento do consumidor e ampliando a concorrência no setor.
Conhecidos por fragrâncias intensas, maior fixação e identidade olfativa marcante, esses produtos vêm conquistando um público em busca de inovação e diferenciação. Dados do Google Trends e de estudos da DSM-Firmenich apontam que as buscas por perfumes árabes cresceram 24 vezes em apenas dois anos. O Brasil já concentra 40% da audiência digital global sobre o tema.
O avanço também aparece nos números de mercado. Segundo a Circana, empresa global de data tech para análise do comportamento de consumo, o segmento movimentou mais de R$ 20 milhões em 2024, um crescimento de 380% em relação ao ano anterior. No primeiro semestre de 2025, as vendas avançaram 340%, enquanto o mercado geral de fragrâncias cresceu apenas 10%. Apesar da alta acelerada, os perfumes árabes ainda representam cerca de 2% das vendas totais da categoria no país.
Perfumes árabes conquistam consumidores em Belém
Na capital paraense, o movimento já impacta diretamente o varejo. Gerente de uma rede de perfumaria importada, Marta Gomez afirma que os perfumes árabes deixaram de ser uma novidade para se tornarem uma alternativa relevante no setor.
“A perfumaria árabe se tornou um concorrente porque está conquistando um mercado inovador, com fragrâncias mais marcantes, um luxo diferente e novas composições”, afirma.
Segundo ela, embora a perfumaria francesa ainda lidere o setor, a presença árabe cresce de forma consistente. “A perfumaria francesa continua muito forte, com séculos de tradição, mas a árabe está ganhando espaço e conquistando um público que busca inovação”, explica.
Custo-benefício e luxo diferenciado impulsionam crescimento
Um dos principais fatores que explicam a expansão do segmento é o custo-benefício. “São fragrâncias com maior projeção e fixação, com preços mais acessíveis em muitos casos, além de embalagens luxuosas que chamam atenção”, destaca Marta.
Esse conjunto de características tem ampliado o acesso ao produto. “Estamos democratizando o consumo. Hoje é possível encontrar perfumes árabes em diferentes faixas de preço”, completa.
A percepção é confirmada por consumidores. A profissional de marketing Ana Vitória Xavier, que é entusiasta de perfumaria, destaca o diferencial financeiro aliado à qualidade.
“Gosto de perfumes mais sérios e sensuais, e na perfumaria tradicional geralmente são muito caros. Entre as opções árabes, o preço é muito mais acessível. A gente consegue comprar perfumes com muita fixação, muita personalidade, por um preço mais abaixo”, afirma.
Ela também chama atenção para a disponibilidade local. “É possível encontrar à pronta entrega aqui em Belém perfumes de 100 ml, no vidro grande, de R$ 200 a R$ 300. Fora que as embalagens são lindas e as fragrâncias são diferentes, difícil não chamar a atenção com eles”, completa.
Empreendedores apostam no crescimento do segmento
O avanço dos perfumes árabes também tem impulsionado novos negócios. A empresária Priscille Pacheco começou a vender os produtos após conhecê-los como consumidora.
“Comprei para uso pessoal e comecei a falar sobre o que eu usava. Depois, algumas situações me levaram a testar as vendas”, conta.
Com o tempo, ela se especializou no segmento. “Fui conhecendo mais sobre a cultura, o design e as notas das fragrâncias. Hoje tenho mais estrutura e confiança para trabalhar com isso”, afirma.
Para ela, o apelo vai além do aroma. “O que atrai é a qualidade, o design e o custo-benefício. Muitos trazem inspiração em fragrâncias importadas, o que também chama atenção”, explica.
Concorrência com perfumes tradicionais ainda está em construção
Apesar do crescimento acelerado, a concorrência direta com a perfumaria tradicional ainda não está consolidada, segundo os entrevistados.
“Eles já conquistaram espaço, principalmente pelo custo-benefício, mas ainda não é uma concorrência totalmente consolidada, porque muita gente ainda não conhece esse universo”, avalia Priscille.
A tendência, no entanto, é de fortalecimento do segmento. “Existem perfumes com preços próximos aos nacionais e outros que chegam perto dos importados, mas com qualidade muito boa. Acredito que, com o tempo, eles podem se tornar concorrentes diretos dos franceses”, projeta.
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