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TAXA DE CÂMBIO

Dólar abaixo de R$ 5 cria oportunidades, mas ainda não é indicado comprar moeda americana

Economista diz que pode ser um bom momento para planejar viagens internacionais ou comprar produtos importados, por exemplo

Elisa Vaz

21 de junho de 2023 às 07:15

( Foto: Freepik/ @jcomp )

A sequência de queda na taxa de câmbio - o preço do dólar em relação ao real - desencadeia uma série de oportunidades. A moeda americana acumula retração de mais de 5% em junho, considerando o resultado desta segunda-feira (19), menor patamar em um ano e abaixo dos R$ 4,80. Na terça-feira (20), a moeda fechou em estabilidade a R$ 4,79. O economista paraense Sérgio Melo diz, no entanto, que este ainda não é um bom momento para comprar dólar, no caso de quem quer investir nessa moeda.

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“Investir em dólar neste momento é, principalmente, acreditar que a moeda voltará a se valorizar. O momento indica estabilidade ou diminuição da cotação da moeda. É prudente aguardar um pouco para se posicionar em uma compra de dólar em uma eventual diminuição. Para investidores mais arrojados, a compra no momento pode fazer sentido. Porém, é sempre importante ter em mente que, para realizar esse tipo de investimento, é essencial estar munido de informações ou assessoria profissional”, destaca.

Por outro lado, ainda para os consumidores que buscam uma entrada no mercado, o especialista diz que o dólar mais baixo pode trazer diversas oportunidades. Pode ser um bom momento para planejar viagens internacionais ou comprar produtos importados, por exemplo. Para as empresas, pode ser a chance de importar máquinas e equipamentos a um custo mais baixo, o que pode ajudar na expansão dos negócios.

Impacto

“As importadoras por conta da diminuição do custo dos insumos importados, e as exportadoras por causa da diminuição da receita obtida com as exportações. A velocidade com que isso ocorre depende da forma como estão organizados os contratos das empresas importadoras e exportadoras, mas à medida que o câmbio passa a ficar em um patamar mais baixo ao longo dos meses, os efeitos passam a ser percebidos com mais intensidade”, avalia. As empresas que exportam, portanto, podem se preparar para um ambiente de câmbio menos favorável.

Influências

Vários fatores influenciam a cotação do dólar, explica Sérgio, e, a depender da conjuntura, resultam em um ciclo de alta ou de baixa da moeda americana. “Nas últimas semanas, percebe-se um arrefecimento do ciclo de alta da taxa de juros norte-americana e a manutenção, mesmo que com expectativas de baixa, da taxa de juros brasileira”, comenta.

O diferencial alto entre a taxa de juros dos EUA e do Brasil, segundo o economista, é um fator de atratividade dos investimentos financeiros estrangeiros para o território brasileiro. Isso, somado a ações do governo que visam a promover a retomada econômica brasileira, como a discussão do novo marco fiscal e da reforma tributária, faz com que o volume de dólares no Brasil aumente, e com isso a cotação do dólar caia, diz ele.

“O novo governo tem estimulado discussões que buscam garantir a estabilidade da confiança e da expectativa do mercado e se empenhado para promover ações de recuperação do emprego e da atividade econômica nacional, além daquelas ligadas à temática fiscal. Esses elementos criam um ambiente de maior segurança para os investimentos produtivos internacionais e isso faz com que o fluxo de dólares oriundo de empresas estrangeiras aumente, contribuindo para a diminuição da cotação do dólar”.

Expectativa

A Selic, taxa básica de juros do Brasil, como Melo citou, é um indicador que impacta o preço do dólar. Nesta quarta-feira (21), deve ser concluída mais uma reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), momento em que o grupo decide pela manutenção, queda ou elevação dos juros básicos do país.

A expectativa do mercado financeiro é de uma redução gradual da Selic nos próximos meses, adianta Sérgio, o que, segundo ele, deve manter no médio prazo a taxa de juros brasileira ainda em um patamar vantajoso para os investimentos financeiros internacionais.

Na última sexta (16), o banco Goldman Sachs reduziu suas projeções para a moeda americana em 2023, considerando que deve fechar o ano a R$ 4,40. O economista diz que o cenário projetado é uma possibilidade, mas isso não significa que irá necessariamente ocorrer.

“Ainda que o cenário econômico atual reflita algum tipo de estabilidade nas expectativas, é difícil ainda imaginar que um país emergente como o Brasil não possa sofrer o impacto de turbulências que possam acontecer no mercado internacional ou como efeito de algum evento climático, por exemplo. Portanto, o câmbio um pouco abaixo dos R$ 5 é uma previsão razoável no momento. A continuidade das ações que visam à estabilidade econômica é essencial para aumentar a blindagem do país a choques externos”, finaliza.

Veja as cotações do dólar em junho

  • 01/06: R$ 5,0344
  • 02/06: R$ 4,9552
  • 05/06: R$ 4,9230
  • 06/06: R$ 4,9286
  • 07/06: R$ 4,9113
  • 09/06: R$ 4,8916
  • 12/06: R$ 4,8826
  • 13/06: R$ 4,8527
  • 14/06: R$ 4,8456
  • 15/06: R$ 4,8216
  • 16/06: R$ 4,8280
  • 19/06: R$ 4,7797