Mestres abridores de letras promovem oficinas de escrita gratuita neste domingo (2), em Belém
Além dessas experiências, os participantes também poderão adquirir placas pintadas à mão, livros e camisetas produzidas pelos mestres
Com cores vibrantes, linguagem gráfica e estilos desenvolvidos por artistas independentes, as letras presentes em embarcações da Região Amazônica costumam chamar a atenção de diversos amadores da cultura nortista. Para ensinar essas técnicas e possibilitar que o público tenha um contato mais próximo com a arte ribeirinha, os mestres abridores de letras realizarão oficinas de abertura de letras e visitas ao acervo do espaço, neste domingo (2), no Canto do Letras, em Belém.
Além da experiência gratuita de aprendizado, promovida pelo Instituto Letras que Flutuam, as pessoas também poderão conhecer e adquirir placas pintadas à mão, letras em miriti, livros, camisetas, ecobags e outros produtos desenvolvidos em parceria com os mestres. Desse modo, a iniciativa tem como propósito criar um espaço de transmissão desses saberes e aproximar novos olhares de uma arte amazônica que une memória, identidade e modos de vida ribeirinhos.
Para a pesquisadora e diretora do instituto, Fernanda Martins, as letras ribeirinhas ajudam a contar a história da Região Amazônica, por meio de seus traços, cores e formas únicas. "A letra ribeirinha é tão estruturante para a Amazônia quanto a música, a dança ou a comida. Ela expressa território, memória e identidade. Quando os estudantes aprendem esse alfabeto, eles aprendem também a olhar para a Amazônia a partir de seus próprios códigos visuais", explica Martins.
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As letras ribeirinhas são reconhecidas como Patrimônio Cultural Imaterial do Pará
O Governo do Estado reconheceu oficialmente as letras pintadas em embarcações e o ofício dos abridores e abridoras de letras, no dia 2 de julho de 2026, como Patrimônio Cultural Imaterial do Pará. Essa medida recente simboliza a valorização de mais de 130 abridores de letras que já foram identificados em diferentes municípios paraenses, por meio de um processo de pesquisa, documentação e preservação da cultura gráfica ribeirinha, realizado pelo Instituto Letras que Flutuam.
"O reconhecimento como patrimônio cultural imaterial é um marco importante, mas esse saber centenário só continua vivo quando é transmitido. As oficinas criam essa oportunidade de encontro entre os mestres abridores de letras e o público, aproximando as pessoas de uma tradição que expressa memória, identidade e a cultura dos rios da Amazônia. Ao mesmo tempo, a comercialização das peças fortalece o trabalho dos artistas e ajuda a garantir que esse patrimônio continue vivo também como fonte de renda para quem o preserva", finalizou Fernanda Martins.
Confira a programação do evento:
- 9h: Abertura do espaço, visita ao acervo e venda de produtos do Instituto Letras que Flutuam e de peças produzidas pelos Abridores de Letras;
- 10h: Primeira oficina de abertura de letras (50 minutos);
- 11h30: Segunda oficina de abertura de letras (50 minutos);
- 13h: Encerramento.
Serviço
Programação do Instituto Letras que Flutuam
Data: 2 de agosto (sábado)
Horário: das 9h às 13h
Local: Canto do Letras (Travessa Rui Barbosa, 257, Sala 3, Reduto, Belém)
(Victoria Rodrigues, estagiária de Jornalismo, sob supervisão de Abílio Dantas, coordenador do núcleo de Cultura de Oliberal.com)
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