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CLUBE DE LEITURA

‘Leia Mulheres’: clube de Belém completa 8 anos com mediação na Ilha do Combu; saiba como participar

O encontro ocorrerá neste sábado, 25 de maio, em um restaurante da ilha. Às 9h, os interessados devem se encontrar na Praça Princesa Isabel

Amanda Martins

24 de maio de 2024 às 08:33

( Foto: Ivan Duarte / O Liberal )

O movimento internacional Leia Mulheres se espalhou por mais de 100 cidades brasileiras, contando com mais de 400 mediadoras espelhadas pelo país. No Pará, o projeto está presente em Belém, Capanema, Bragança, Salinópolis e Ananindeua. Este mês, o clube da capital paraense celebra seu oitavo aniversário, dando continuidade em uma trajetória de encontros que começaram em maio de 2016, com a leitura de “Poética” de Ana Cristina César. 

Atualmente mediado por Juliana Sepêda, Erika de Aquino e Alynne Rodrigues, o Leia Mulheres Belém continua a ser um espaço de acolhimento e diálogo sobre a representatividade feminina na literatura, e, a transformação de leituras em experiências coletivas.  

Erika, que se juntou ao clube em 2021 como leitora, compartilhou a importância do projeto em sua vida. Ela passou a frequentá-lo para se sentir estimulada a ler durante a pandemia. “Os encontros retornaram de maneira on-line e pude voltar a me encontrar com as palavras, ouvir a percepção dos outros, formular as minhas. Encontro em encontro fui criando comprometimento de estar junto, de ler os livros”, afirmou a professora de literatura e língua portuguesa.

Ter se tornado mediadora para Erika foi uma verdadeira virada de chave. Uma das primeiras mudanças que ela, Larissa Rosendo -mediadora na época - e Alynne realizaram foi em relação à curadoria das leituras, garantindo uma variedade de estilos, temas e lugares. “Ser mediadora é exercer muito a escuta e isso é um desafio social: acolher o que a outra pessoa diz”, complementou Aquino.

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A professora afirmou que completar oito anos de existência e permanência no clube de leitura é demostrar que, além de ter dado certo, ele é muito necessário para a sociedade. “Eu me orgulho de fazer parte de um grupo que se acolhe até nas discordâncias e que se importa com o que o outro tem a dizer, pois nos esforçamos para que todos sintam que o nosso clube é um espaço seguro de trocas”, declarou Erika.

Para a arte educadora e professora de literatura, Juliana Sepêda, que iniciou esse ano como mediadora, entrar no clube serviu como uma válvula de escapa física e mental, e a “resgatou de si mesma”. 

Ela destacou que a representatividade é fundamentalmente para o projeto: “A importância de ler mulheres é encontrar narrativas que dialoguem com o nosso dia-a-dia. Histórias narradas pela perspectiva da mulher, diferente do que encontramos no cenário história da literatura”. 

Já Erika relembra que muitas escritoras tiveram que sacrificar seus próprios nomes, substituindo-os por um nome masculinos, outras perderam seus trabalhos para outros homens ou não conseguiram publicar em sua época. Então, para ela, ler mulheres é um ato político. 

“Ler mulheres, há nessa composição um verbo no imperativo, leia, que me faz pensar nesse ato. Não podemos em nossa época não ter esse olhar ampliado para a diversidade autorias”, afirmou a professora. 

LEITURAS QUE MARCAM

Muitas foram as leituras que marcaram a vida literária de Erika e Juliana ao longo de quase uma década de mediação no clube. Aquino destacou “Tudo sobre amor”, de bell hooks; “Eu, Tituba, bruxa negra de Salém” de Maryse Condé e “Flor de Gume” de Monique Malcher,  como obras que a encontraram na hora certa. 

Juliana mencionou ter se sentindo tocada por discussões sobre livros com temática de maternidade, especialmente “A filha primitiva” de Vanessa Passos. “Foi algo difícil de ler e que acessou uma discussão profunda tanto em mim quanto nas pessoas que participaram desse encontro”, acrescentou a arte educadora. 

CURADORIA 

As mediadoras explicaram, que esse ano, a curadoria dos livros que serão lidos ao longo do ano pelo clube Leia Mulheres Belém, foram pensados no critério da diversidade e em assuntos que estão em evidência no momento. Já a ordem das leituras, foram intercaladas entre complexas e tema mais leves. 

Ao longo de 2024, passaram pelo clube os livros "Sacrifícios Humanos", de Maria Fernanda Ampuera; "Originárias: uma antologia feminina de leitura indígena", de Trudruá Dorrico e Maurício Negro; "Tornar-se Palestina", de Lina Meruane.

Como participar do clube Leia Mulheres Belém este mês?

Para este mês de meio, é a vez de “Os sete maridos de Evelyn Hugo”, de Taylor Jenkins Reid. “É uma leitura mais leve para comemorar o aniversário do Leia Mulheres. Pensamos, então, em colocar um best seller que prende o/a leitor (a) a querer saber, afinal, o que Evelyn Hugo tem a revelar?”, disse Juliana. 

De forma excepcional, o encontro comemorativo aos 8 anos do clube de leitura, será realizado na Ilha do Combu com a roda de leitura e depois almoço, no próximo sábado (25/5). Os interessados em participar, devem se dirigir a Praça Princesa Isabel, às 9h, onde os leitores partirão para o encontro literário. 

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SAIBA COMO PARTICIPAR DO CLUBE 

O clube tem o objetivo de ser uma roda de conversa em que as mediadoras deixam todos à vontade para compartilhar suas impressões sobre a leitura. Os encontros são gratuitos e, este ano, estão divididos entre o Centro Cultural Sesc Ver-o-Peso, no bairro da Campina, e a Casa da Linguagem, no bairro de Nazaré, todo último sábado de todo mês, às 10h. 

“Então, para frequentar, basta ter lido o livro do mês, mas tudo se não tiver lido também, desde que não se importo com spoiler, e, aparecer na data marcada que divulgamos todos os meses no Instagram @belem.leiamulheres”, informou Erika. 

Os encontros ocorreram como uma partilha de leitura e vivência de cada pessoa. “Todas as pessoas são bem-vindas. O clube é para ler mulheres, mas a discussão é aberta a todas, todos e todes que se sentiram motivados a participar”, acrescentou a mediadora. 

Os próximos livros que serão lidos pelo clube são, respectivamente, nos meses:

  • Junho - "Na Casa dos Sonhos", de Carmem Maria Machado;
  • Agosto - "Um Defeito de Cor", de Ana Maria Gonçalves;
  • Setembro - "Abraço sua Crina", de Antônia Nayane;
  • Outubro - "O Desejos dos Outros", de Hanna Limulja;
  • Novembro - "Continuo preta: A vida de Sueli Carneiro", de Bianca Santana;
  • Dezembro - "Quase tudo são flotes", de Karipola.