Grupo Cuíra celebra 45 anos de resistência no teatro com exposição na Cidade Velha
Com acervo histórico de figurinos e cartazes, mostra abre no dia 18 e reúne memórias do primeiro coletivo de teatro independente do Pará, além de depoimentos das produtoras
O Grupo Cuíra celebra 45 anos em 2026 com uma trajetória teatral e um projeto que inclui oficinas, exposição e a retomada da iniciativa Pauta Mínima. As atividades comemorativas foram iniciadas em abril e agora ganham uma exposição. O objetivo do calendário é ampliar o acesso de outros coletivos e iniciativas artísticas a um local estruturado para ensaios e apresentações.
“O nosso critério de peças para a exposição partiu do próprio acervo em si. Por exemplo, nós abrimos todas as caixas e sacos, e, diante do que fomos encontrando de cada espetáculo e projeto, foi feito um levantamento. Então, em alguns espetáculos, nós não temos figurino, nós só temos um cartaz, papel e documento. Em outros, temos só um casaco, aí já é um acervo de figurino. Em alguns, a gente tem completo, tipo ‘Toda Minha Vida por Ti’, a gente tem um acervo sensacional, ‘Hamlet’ também, temos figurinos e objetos. Então, o critério inicial realmente da curadoria foi abrir todo o acervo e caixas que o Cuíra mantém e, diante desse material, fazer essa curadoria pela Karine, com a sensibilidade de uma mulher de teatro, de uma pessoa que acompanha, fez e é Cuíra”, explicou a produtora Zê Charone.
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Ela explica que essa curadoria foi feita a partir da memória de pessoas que viveram o teatro no grupo: “A Karine contou com a minha assessoria porque sou produtora do Cuíra há muitos anos e tenho uma memória, guardo o material e administro a nossa casa. A gente fez um trabalho junto, porque eu ia lembrando de algumas coisas que não estavam guardadas aqui. Contamos também com a colaboração do Jef Cecim, que é um homem de teatro também e acompanha a gente.”
Ao longo de mais de quatro décadas, o grupo consolidou uma atuação marcada pela resistência no cenário das artes cênicas no Pará. Reunindo em seus espetáculos atores experientes, novos talentos e artistas que retornaram aos palcos, o Cuíra acumulou prêmios em festivais pelo país, com colaborações de diretores reconhecidos nacionalmente.
Vale lembrar que, há dez anos, o Grupo Cuíra está sediado em uma casa no bairro da Cidade Velha, onde mantém uma programação contínua que inclui espetáculos, exposições, oficinas e a cessão de espaço para coletivos locais, contribuindo para suprir a carência de palcos na cidade.
“O maior desafio encontrado nesses 45 anos de resistência ininterrupta, com o grupo de teatro aqui em Belém, é a falta de apoio de todos, das pessoas que participam do grupo, dos grupos que vêm engrossar aqui o nosso fazer. É um coletivo atuando que a gente não deixa que acabe, que morra. A gente faz com o nosso suor, com o nosso esforço, com o nosso próprio dinheiro, às vezes, tirado do nosso bolso, para fazer as coisas. Porque a política cultural aqui no Estado é quase inexistente. Quando vem o edital, é muito pouco para milhões de grupos que a cidade agora comporta. É um sacrifício, é uma resistência muito grande, é só com muito amor mesmo que a gente consegue fazer um grupo resistir por 45 anos”, conta Olinda Charone.
A exposição abre no dia 18 e segue até 26 de setembro; ela revisita os 45 anos do grupo por meio de cartazes, figurinos, adereços, textos e fotografias. Com curadoria de Karine Jansen, assistência de curadoria e montagem de Jef Cecim, assistência de montagem de Bonelly Pignatario e produção de Zê Charone, o projeto é patrocinado pela Fundação Nacional de Artes (Funarte) — Ações Continuadas 2025/Teatro.
A mostra destaca nomes importantes que passaram pelo Cuíra, reunindo depoimentos que ajudam a reconstruir sua trajetória.
Agende-se
Data: até 26 de setembro
Local: das 14h30 às 18h30
Casa Teatro Cuíra – R. Dr. Malcher, 287 - Cidade Velha, Belém
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