SEX · 02 OUT 2026Assine

arte

Fotógrafa paraense Patrícia Brasil vence a primeira edição do Prêmio Badauê

Sob o conceito de "Gingado Brasileiro", premiação destaca trabalho focado nas formas de convivência e habitação em territórios tradicionais

O Liberal

29 de junho de 2026 às 09:00

E hora de remar no tempohora de remar no tempo, da paraense Patricia Brasil, conquista primeiro lugar no Prêmio Badauê

E hora de remar no tempohora de remar no tempo, da paraense Patricia Brasil, conquista primeiro lugar no Prêmio Badauê ( Foto: Patricia Brasil )

A fotógrafa paraense Patrícia Brasil conquistou o primeiro lugar na edição de estreia do Prêmio Badauê – Gingado Brasileiro, promovido pela Badauê, Plataforma de Inovação Cultural. A premiação foi concedida à obra intitulada "A margem que rema no tempo". O trabalho fotográfico registra corpos em movimento durante uma corrida em direção ao rio, retratando a interação entre as pessoas, a água e a paisagem local.

Segundo a vencedora do prêmio, a participação permitiu consolidar uma linha de trabalho voltada ao registro das formas de habitação e convivência em diferentes territórios, com foco na relação com os elementos naturais. “O gingado está no corpo e na forma como ele se expressa em ritmos. Na imagem premiada, A margem que rema no tempo, o gingado está muito presente no movimento dos corpos, na corrida, na espontaneidade e na força desse gesto coletivo em direção à água”, afirma Patrícia Brasil.

VEJA MAIS

Curadora Rosely Nakagawa ministra palestra gratuita sobre fotografia em Belém Evento discute as transformações tecnológicas e a popularização da imagem digital; as vagas para a programação gratuita são limitadas

Com olhar afetivo de artistas paraenses, exposição em Salvador une sagrado, corpo e memória Arthur Seabra e Bené Fonteles integram exposição premiada pela Funarte que encerra turnê nacional no Pelourinho com 100 imagens decoloniais

Fotografia feita no rio Arauaia leva Barcarena a concurso internacional Imagem registrada pelo fotógrafo Helder Lana retrata a infância ribeirinha amazônica e emociona público ao mostrar crianças brincando sob a chuva às margens do rio Arauaia, em Barcarena.

A fotógrafa destacou a importância da criação de premiações direcionadas à produção cultural nacional, com ênfase no mercado artístico da região amazônica e na descentralização das produções locais. “Valorizar a cultura brasileira é reconhecer que existem muitos Brasis e que nossa maior riqueza está nessa diversidade, nessa mistura e na capacidade que temos de transformar a vida em linguagem, beleza e criação”, afirmou Patrícia Brasil.

A diretora de Criação da Badauê, Natália Lucas, apontou que a obra registra a coexistência entre o ambiente natural e a rotina local, retratando dinâmicas comunitárias como mergulhos, travessias e atividades recreativas. Para a gestora, a imagem documenta aspectos da identidade regional associados à coletividade. “É um registro sensível de uma identidade construída pelo movimento, pela coletividade e pela conexão com suas origens, onde o gingado não é apenas visto, mas vivido”, avaliou Natália.

Na primeira edição, o Prêmio Badauê selecionou dez finalistas, que apresentaram produções em diferentes suportes e técnicas visuais. As obras passam a integrar o Banco Badauê, acervo digital que documenta manifestações regionais por meio da linguagem fotográfica.

Patrícia Brasil conquista primeiro lugar no Prêmio Badauê
Patrícia Brasil conquista primeiro lugar no Prêmio Badauê (Divulgação)

De acordo com a diretora de Criação, Natália Lucas, o corpo de jurados do concurso foi composto por profissionais de diferentes especialidades, critério adotado para avaliar o alinhamento das imagens com a temática do edital. Com a conclusão da chamada pública, o projeto consolida um acervo focado na preservação e na difusão do trabalho de fotógrafos de diversas regiões do país.

“Acreditamos que reconhecer artistas é reconhecer quem ajuda a construir a identidade cultural do Brasil. Cada obra amplia nosso repertório, preserva memórias e revela perspectivas que enriquecem a forma como enxergamos o país. Ao valorizar a produção criativa brasileira, fortalecemos não apenas trajetórias individuais, mas também a riqueza cultural do Brasil, sua diversidade e sua capacidade de imaginar novos futuros”, conclui a gestora.

Assuntos relacionados