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Foto-livro 'Dona Ana' conta a história da paraense que volta a Viseu para rever a família após 40 anos

A publicação está sendo lançada hoje, quarta-feira, 6, em Porto Alegre.

Enize Vidigal

O foto-livro “Dona Ana” conta a história real da paraense Ana Sousa Werner, que, aos 23 anos de idade, deixou o município de Viseu, limite com o Maranhão, para fixar residência no Rio Grande do Sul e, após 40 anos sem contato com a família, voltou à terra natal para reencontrá-la. A narrativa polifônica traz a documentação do fotógrafo Tiago Coelho e o relato autobiográfico manuscrito de Ana Souza Werner, que assinam juntos a autoria. A obra foi contemplada pelo Prêmio Rumos Itaú Cultural e publicada pela Austral Edições. O lançamento presencial acontece nesta quarta-feira, 6, em Porto Alegre.

“Dona Ana” é uma edição revista e ampliada do zine homônimo publicado por Tiago Coelho em 2013. Mas, desde 2010, quando houve o reencontro da autora com cinco irmãos na Vila Japiim, em Viseu, o projeto fotográfico foi apresentado em vários locais, como Biennale Photoquai- Musée Du Quai Branly (França), MUFF- Festival internacional de Fotografía de Montevideo (Uruguai), XIX Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia (Belém), Museo de Bellas Artes de Tandil (Argentina) e Ningbo International Photography Week (China).

Tiago, que é professor de fotografia na Unisinos, conhece Dona Ana desde que estava com seis anos de idade. Ela prestava serviços domésticos para a família dele. Ele cresceu ouvindo dela a narração de histórias sobre o interior paraense, lendas amazônicas e também sobre a história de vida dela, que deixou a família de agricultores após uma discussão com o pai e, como era analfabeta, perdeu o contato com os parentes. Inicialmente, ela veio para Belém, depois a São Paulo, onde conheceu e casou com Julio Werne. O casal se mudou para Santo Antônio da Patrulha, terra natal de Julio, distante uma hora de Porto Alegre, onde constituiu família.

Com o passar do tempo, Dona Ana aprendeu a escrever e, após 40 anos de ausência, decidiu voltar à Vila Japiim para reencontrar a família, em 2010. Os pais já haviam falecido, mas sete dos 10 irmãos que possuía ainda moravam no lugar. Tiago acompanhou o casal Ana e Julio nessa viagem. Hoje, aos 76 anos, mãe de quatro filhos, avó e bisavó, Dona Ana, que partiu de casa sem saber ler, assina o próprio livro.

“A gente tem uma relação de longa data, eu já a conhecia intimamente. A partir do momento que a gente começou o processo fotográfico a nossa relação ficou mais intensa. Eu pedi permissão pra ela para acompanhar (a viagem). É uma história que, de certa forma faz parte da minha vida, mas faz parte da vida de vários brasileiros que migram”, conta Tiago Coelho.

“Eu sentia mais saudade da minha terra era da minha mãe. Eu só disse pra ela que eu ia embora”, recorda. A família achava que ela havia morrido, pois alguns irmãos já haviam partido. O irmão, Albino, era o único que acreditava que ela ainda estivesse viva. “Ele fez uma promessa com Deus, orou um ano pedindo para que e aparecesse ou desse alguma notícia. Não teve resposta. Aí ele passou a orar e a jejuar todo domingo durante seis meses. Nesses seis meses, Deus transformou o meu coração porque eu não tinha vontade de ir mais lá. Pra mim a família (pais e irmãos) tinha se acabado ali”, recorda Ana. “(No reencontro) Nós choramos só faltamos desmaiar e até a ‘máquina trancou’ (fotográfica)”, conta Ana. “A energia foi forte”, acrescenta Tiago.

Palavras-chave

Cultura
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