Exposição leva Bois de Máscaras de São Caetano de Odivelas às cinco regiões do Brasil
A itinerância começa por São Paulo nesta terça-feira, 15, às 14h, no Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso (CCJ).
A exposição fotográfica “Bois e Máscaras de Odivelas”, com curadoria do cineasta e fotógrafo paraense Alexandre Baena, inicia sua turnê nacional neste dia 15, às 14h. A primeira parada será em São Paulo, no Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso (CCJ), apresentando a beleza, a tradição e a história do Boi de Máscaras de São Caetano de Odivelas, manifestação cultural do nordeste do Pará. A mostra percorrerá as cinco regiões brasileiras.
O Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso (CCJ), equipamento da Secretaria Municipal de Cultura, integra a programação de comemorações pelos seus 20 anos, a serem celebrados em 2026.
A essência do Boi de Máscaras
A mostra propõe uma imersão no universo dos Bois de Máscaras, uma das manifestações culturais mais características do Pará. Os cortejos são marcados pela presença dos Pierrôs, cobertos dos pés à cabeça com roupas de cetim coloridas e máscaras de narizes pontudos; dos Cabeçudos, com grandes cabeças confeccionadas em papel machê; além de Buchudos e Mutucas, personagens que complementam a brincadeira com roupas estufadas e movimentos coreografados.
Ritmo e tradição: as particularidades de Odivelas
No centro da festa está o Boi, com sua carcaça ricamente decorada e quatro pernas, que evolui em meio ao público ao som de uma potente orquestra de sopros e percussão. Diferentemente do bumba-meu-boi tradicional nordestino, a manifestação odivelense é embalada por marchinhas e ritmos acelerados, transformando as ruas em grandes arrastões que remetem ao Carnaval.
Origem e a arte das máscaras
A tradição surgiu a partir da vivência dos pescadores locais, na década de 1930. Ao retornarem de viagens à Ilha do Marajó, eles adaptaram festas que conheceram na região à realidade de São Caetano de Odivelas. O Boi Tinga, um dos mais antigos, teria sido confeccionado inicialmente com materiais improvisados retirados da natureza e do cotidiano da pesca.
Na exposição, personagens como o Boi Tinga, a Vaca Velha, o Touro Bandido e o Bicho Feio ajudam a contar essa história. Atualmente, mais de 30 bois participam das festividades do município. As máscaras dos Pierrôs e Cabeçudos são produzidas artesanalmente, utilizando técnicas tradicionais de papel machê moldado em argila. Bochechas expressivas, cores vibrantes e o característico nariz pontudo dos Pierrôs compõem a identidade visual da manifestação.
O olhar do fotógrafo
“A primeira vez que fotografei São Caetano de Odivelas tive a oportunidade de viver a festividade, acompanhar o cortejo e fazer isso, me apresentou uma quantidade gigantesca de detalhes visuais significativos de todo o enredo. Essa é uma imersão dando destaque ao orgulho da população de São Caetano de Odivelas por sua tradição incrível que mostra Bois, Pierrôs cobertos dos pés à cabeça com roupas de cetim coloridas e máscaras com narizes pontudos. Dançando de forma frenética e interagindo com o público, os Cabeçudos, Buchudos e Mutucas, as figuras que complementam o cortejo frenético e cheio de ritmos coreografados e no meio de todo esse Carnaval o grande destaque o Boi com suas quatro patas, que evolui no meio do povo ao som da orquestra de sopro e percussão”, narra o artista.
Agenda da turnê e impacto cultural
Após São Paulo, a exposição seguirá para Recife, Brasília, Minas Gerais e Santa Catarina, antes de chegar ao Pará, passando por Belém e, posteriormente, retornando a São Caetano de Odivelas. A etapa final será realizada no berço da manifestação, com foco na valorização da cultura local e no fortalecimento do turismo como instrumento de desenvolvimento social e econômico.
Experiência e reconhecimento
Com “Bois e Máscaras de Odivelas”, Alexandre Baena chega a 42 exposições em 2026. Seu trabalho de itinerância já apresentou registros de manifestações como a Marujada de Bragança, o Festribal de Juruti, o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, o Sairé de Santarém e os Jogos Indígenas do Xingu.
Apoio e realização
A exposição tem patrocínio do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult) e da Secretaria de Estado de Turismo (Setur), e apoio da Prefeitura Municipal de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa. A realização é da MAB Comunicação e do Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso (CCJ).
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