Espetáculo 'Hétero Sigilo' chega a Belém para duas apresentações no Margarida Schivasappa
Montagem de Bernardo Dugin e João Fonseca transforma episódio de homofobia em reflexão sobre estruturas sociais, afeto e liberdade ao debater masculinidade e pertencimento
Belém recebe o espetáculo ‘Hétero Sigilo’, obra escrita e protagonizada por Bernardo Dugin. Pela primeira vez na capital paraense, a montagem terá apenas duas apresentações, nos dias 19 e 20 de setembro, às 19h30, no Teatro Margarida Schivasappa, com produção local da Casa de Artes Tiago de Pinho.
Após passar por diferentes regiões do Brasil, ‘Hétero Sigilo’ chega ao Norte do país trazendo discussões sobre identidade, masculinidade, pertencimento, afeto e liberdade de existência. A combinação entre humor e emoção permite que a montagem alcance não apenas a comunidade LGBTQIAPN+, mas também um público amplo interessado em questões como aceitação e relações familiares.
Indicada ao Prêmio Shell de Teatro na categoria Melhor Cenário e após três temporadas com sessões esgotadas no Rio de Janeiro, a montagem iniciou em 2026 sua turnê nacional, percorrendo o país como uma das produções de destaque do teatro brasileiro recente.
Após passar por Rio de Janeiro, Nova Friburgo (RJ), Anápolis (GO), Goiânia (GO), Salvador (BA) e São Paulo (SP), a montagem dá continuidade a uma trajetória de sessões esgotadas, boa recepção da crítica e grande repercussão nas redes sociais. Para Bernardo Dugin, autor e protagonista da montagem, a apresentação na capital paraense é um dos momentos mais aguardados da turnê nacional.
“Estou muito empolgado para chegar a Belém com ‘Hétero Sigilo’. A peça vem vivendo uma trajetória muito bonita pelo Brasil, encontrando públicos diferentes em cada cidade e provocando uma troca muito forte depois das sessões. Agora, chegar ao Norte e encontrar o público de Belém pela primeira vez tem um significado muito especial para nós. Quero muito descobrir como essa história vai reverberar no público paraense. Tenho certeza de que serão duas noites muito intensas no Margarida Schivasappa”, afirma o ator.
O espetáculo conta com a direção de João Fonseca (conhecido por Minha Mãe é Uma Peça) e apresenta uma narrativa sobre os mecanismos sociais que levam indivíduos a esconderem sua essência para atender a expectativas externas. A encenação alterna momentos de humor e reflexão para propor um debate sobre aceitação e identidade. A montagem conta ainda com trilha sonora original e direção musical assinadas por Federico Puppi, indicado ao Grammy Latino, compondo a atmosfera sensorial da peça.
A montagem surgiu após um episódio de homofobia sofrido por Bernardo Dugin e seu companheiro durante uma celebração religiosa em Nova Friburgo (RJ), em 2023. O caso teve repercussão nacional e motivou o artista a transformar a experiência em um projeto cênico sobre medo, silêncio e pertencimento. A partir desse fato, o espetáculo expandiu o relato autobiográfico para questionar como o medo de rejeição interfere na construção da identidade individual.
Segundo o diretor João Fonseca, a proposta da montagem vai além de casos isolados: “O que me interessa em ‘Hétero Sigilo’ é que ele não aponta indivíduos, mas expõe uma estrutura. A peça fala do preço emocional que se paga para sobreviver dentro de uma norma”.
Agende-se
Datas: 19 e 20 de setembro
Hora: 19h30
Local: Teatro Margarida Schivasappa - Av. Gentil Bittencourt, 650 - Batista Campos
Informações: (91) 98228-5353
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