O artista plástico Romero Britto registrou na autobiografia A Arte da Felicidade o histórico de seu diagnóstico de câncer de próstata em 2020. O relato foi mantido sem divulgação nos seis anos de elaboração do livro.
A alteração nos exames de rotina foi identificada pelo médico Lucas Vidal. Após a realização de três testes subsequentes e de uma biópsia, a presença do tumor foi confirmada.
“Ainda me lembro da voz embargada do médico: ‘Romero, você tem câncer’. ‘Oh, my God!’, foi tudo o que consegui dizer”, escreve Romero Britto em A Arte da Felicidade, disponível em livrarias e plataformas virtuais.
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Diante do diagnóstico, o artista relata a opção por não emitir comunicados públicos durante o tratamento, mantendo suas atividades de criação artística.
“Decidi, então, não travar uma luta contra o câncer, e sim viver como se ele não existisse. Não me entenda mal, eu não ignorei o problema. Segui o tratamento, cumpri cada orientação médica, mas procurei manter a serenidade. Afinal, o destino estava nas mãos de Deus”, declara.
Após o tratamento, o artista passou por cirurgia para a remoção da próstata, com o quadro médico entrando em remissão.
“Acredito que a arte, a positividade e o otimismo me ajudaram a atravessar esse período. A ciência confirma que os pensamentos positivos, a criação, a gratidão e a beleza têm poder curativo. Cercar-se de pessoas boas… sorrir… fazer o bem… apreciar o belo… tudo isso, somado ao tratamento, foi o que me sustentou. E foi assim, cercado por tintas, pincéis e telas, que venci esse que foi um dos grandes desafios da minha vida”, escreve.
A publicação aborda a trajetória de 64 anos do pernambucano nascido em Recife, desde a infância até a produção de obras expostas em locais como o Museu do Louvre (França), o Museu Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro), o Museu Soumaya (México) e o Hyde Park (Reino Unido). O livro também registra a transição do artista do curso de Direito para a abertura de seu ateliê em Miami, além da abordagem dada por ele às críticas recebidas ao longo da carreira.
“A arte tem uma força cosmológica: ela é capaz de mudar os rumos do mundo. E, quando usada com intenção, pode curar, inspirar, salvar e reconstruir vidas. Ela nos leva a olhar o outro e perceber que a beleza está não só nas cores que escolhemos, mas também nas mãos que estendemos”, afirma.
