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Arraial do Pavulagem anuncia Arrastão do Círio 2026

Cortejo terá cerca de 25 mil participantes na véspera do Círio de Nazaré

Eduardo Rocha / Jéssica Nascimento
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No dia 10 de outubro, véspera do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, a cultura popular paraense sairá às ruas de Belém para saudar a Rainha da Amazônia. É o Arrastão do Círio, em sua 24ª edição, uma iniciativa do Instituto Arraial do Pavulagem que deverá reunir mais de 25 mil brincantes com indumentárias, músicas e ritmos amazônicos em cortejo pela área central da capital do Pará. Os dirigentes do Arraial do Pavulagem aproveitaram esta quinta-feira (3) para fazer o anúncio oficial do Arrastão do Círio. Uma novidade este ano será um momento multicultural que antecede a chegada da Imagem Peregrina de Nazaré à Escadinha do Cais do Porto.

Júnior Soares, cantor, compositor, músico e cofundador do Arraial do Pavulagem, anunciou essa novidade na programação este ano. "A gente vai ter um momento que antecede a chegada da santa. A gente já tá bolando uma apresentação que mistura dança com cena, com música ancestral, ou seja, misturando um pouquinho o samba de roda, o samba de cacete com o banguê, esse ritmo que vem aqui da região do Baixo Tocantins, e a gente traz neste momento para nós a nossa roda ancestral junto com o carimbó".

“Então, nessa hora que antecede a chegada da santa, a gente vai tá aqui preparando uma apresentação muito bacana para todo mundo. O sol vai tá brilhando, então, é se proteger mesmo do sol e vir para cá para curtir, para iniciar essa homenagem a Nossa Senhora de Nazaré, que vale a pena, com certeza”, pontuou Júnior.

A Reunida do Arrastão do Círio serve, então, para a recepção dos participantes do Batalhão da Estrela no cortejo de 10 de outubro, "que vai conduzir a nossa barca ( a Barca Encantada), o nosso brinquedo no nosso Arrastão do Círio". "É um momento de acolhimento da galera que tá vindo", destaca Júnior Soares. Ele ressalta o intercâmbio de produtores culturais reunidos no Instituto Arraial do Pavulagem com mestres de outros municípios paraenses para a valorização da cultura popular, como no material agendado para a Reunida do Arrastão do Círio.

Júnior Soares destaca que, na 24ª edição do Arrastão do Círio, o público pode contar com um "lugar acolhedor, um território onde as pessoas vêm para se envolver, para se solidarizar, se congratular, porque a cultura está permeando tudo isso". Ele pontua que este momento é o início de um processo de ensaios para a apresentação em outubro. "As pessoas sempre podem esperar isso da gente, esse lugar acolhedor, esse lugar onde você vai ser respeitado, esse lugar onde você tem boa cultura, boa música, onde a proposta das pessoas sempre vai ser de mostrar o que é nosso, valorizar a nossa cultura popular", reitera.

Essa programação começa nesta quinta-feira (3) e se estenderá até 7 de outubro, como repassa Júnior Soares. "Nós trabalhamos durante quase 30 dias, para poder ensaiar essas pessoas. Então, todos os dias à noite, durante a semana, de segunda a sexta, assim, à noite, vai estar a galera aqui ensaiando todo o tempo. Sábado à tarde e domingo de manhã". No dia 7 de outubro, ocorre o ensaio geral para o Arrastão do Círio, que ocorre logo após a Romaria Fluvial no sábado (10). "A gente fica aguardando a Santinha descer aqui na na Escadinha (Escadinha do Cais do Porto). Aí, faz uma homenagem, e, em seguida, a gente parte lá para a Praça Pedro II com o nosso cortejo, com a nossa galera", detalha Júnior Soares.

Arrastão

O anúncio oficial do cortejo ocorreu na “Reunida do Arrastão do Círio”, com direito a uma programação gratuita de música e audiovisual na sede do Instituto Arraial do Pavulagem, no Boulevard da Gastronomia. O cortejo do Arraial do Pavulagem apresenta-se como uma prática de valorização dos saberes ancestrais e referências tradicionais da cultura amazônica.
Como parte do lançamento do 24º Arrastão do Círio, foram expostas fotografias e vídeos de folguedos populares do projeto Rios do Mundo; ocorreu um mini-cortejo do Batalhão da Estrela; exibição de um minidocumentário e pocket show do Arraial do Pavulagem com artistas convidados. 

 O Arrastão do Círio contribui para reforçar a identidade amazônica dos paraenses, por meio da fé em Nossa Senhora de Nazaré e na diversidade de símbolos culturais presentes no cortejo, que conta com a participação maciça de jovens pelas ruas de Belém.  

Reconhecido em 2013 como Bem Cultural associado ao Círio de Nazaré, o Arrastão do Círio integra a festividade cultural e religiosa declarada Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco.

O cortejo tem como uma de suas atrações performances criadas especialmente para a ocasião, a partir de referências de danças, músicas e cantos tradicionais. No percurso, o público dança, canta e homenageia Nossa Senhora de Nazaré ou Nazinha, como é carinhosamente chamada pelo público. 

“É uma alegria começar mais um Arrastão do Círio junto com o público, cantando e vivendo esse encontro. E este ano a Reunida também abre espaço para o Rios do Mundo, um trabalho de pesquisa e registro dos saberes e das culturas da Amazônia, do qual tenho orgulho de fazer parte”, afirma Ronaldo Silva, músico e cofundador do Arraial do Pavulagem.

O Arrastão do Círio 2026 tem realização do Instituto Arraial do Pavulagem, apoio da Natura, parceria de Blois & Oliveira Assessoria Contábil, Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis (Concaves), Espaço Ideia e Soluções, MM Produções e apoio cultural da Prefeitura de Belém, Sesc (PA), Secretaria de Cultura do Pará, Governo do Estado e TV Liberal. Em agosto último, o Instituto Arraial do Pavulagem lançou o livro gratuito em formato digital “Escola de Brincante” em que é narrada a trajetória, saberes e atuação desse grupo de cultura popular da Amazônia - informações sobre os cortejos, processos formativos, símbolos e detalhes sobre as frentes de atuação do Instituto.

Rios do Mundo

No lançamento do Arrastão do Círio 2026, o público pôde conferir o Rios do Mundo, projeto que reúne artistas independentes de diferentes linguagens em pesquisas, registros e intercâmbios realizados em comunidades e municípios paraenses. Parte desses resultados chega ao público por meio da exibição do minidocumentário “Em Busca do Ouro Fino”, uma homenagem a Mestre Cardoso, de Adriano Barroso e Allan Carvalho, e de uma mostra de fotografias e vídeos de folguedos populares montada na sede do Instituto Arraial do Pavulagem, além do lançamento de novos registros musicais nas plataformas digitais.

“Em Busca do Ouro Fino” tem 26 minutos de duração e foi gravado em Ourém, no nordeste do Pará. Esse trabalho reúne depoimentos de mestres e mestras do município em torno das memórias e do legado de Mestre Cardoso, amo do Boi Ouro Fino. 

Já a mostra fotográfica reúne 40 imagens de Carlos Borges, com registros de folguedos populares de Ourém, nos quilombos do Mocambo e Engenho Novo; do Acará, no Quilombo de Guajará-Miri e em atividade na Ilha das Onças; e de Belém, com bois e pássaros juninos do bairro do Guamá.

Os lançamentos musicais ampliam as Coleções Rios do Mundo com registros de pesquisas realizadas em Colares, Belém, Cachoeira do Arari, Santa Luzia e Ourém, envolvendo bois, pássaros juninos, grupos de carimbó, mestres, mestras e artistas locais.

Essa pesquisa musical é capitaneada pelos cantores e compositores Ronaldo Silva e Allan Carvalho e integra um trabalho colaborativo que atravessa fotografia, audiovisual e artes visuais. A parceria entre os dois remonta há mais de 15 anos, quando começaram, a partir do Instituto Arraial do Pavulagem, a produzir trabalhos voltados aos saberes da cultura amazônica, percurso que deu origem ao selo Rios do Mundo.

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