Complexo de Abastecimento do Jurunas em pleno abandono
Parte do telhado já não exite mais; trabalhadores e usuários se sentem prejudicados
Mesmo com o risco real do telhado desabar, feirantes continuam trabalhando no Complexo de Abastecimento do Jurunas, em Belém. Eles alegam que não têm alternativa e precisam dessa renda. Em julho, parte do telhado cedeu. Militares do Corpo de Bombeiros e técnicos da Defesa Civil estiveram no local, e foi retirada parte da estrutura metálica que ameaçava cair sobre os feirantes.
Os trabalhadores do complexo, localizado na avenida Fernando Guilhon, próximo à avenida Bernardo Saião, dizem que, há quase quatro anos, esperam, da Prefeitura de Belém, as reformas e um projeto de revitalização e ampliação do espaço. "Existe uma promessa, da prefeitura, de remanejamento nosso para o estacionamento da feira, onde ficaríamos sob uma tenda. Além disso, mais nada", disse Silvaildo Baía. Ele integra um grupo de 20 pessoas que representa os 320 feirantes que trabalham no local. "Referente à obra definitiva do Complexo do Jurunas futuramente tem promessa, sim, mas nada marcado", completou.
Ainda segundo Baía, a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros constataram que o telhado pode desabar a qualquer momento. Ao falar sobre as vantagens do local, Baía, que vende polpa de frutas há 12 anos, citou o amplo estacionamento da feira, na qual, afirmou, são comercializados produtos de qualidade: carne, peixe, camarão, farinha, verduras e legumes. "Só nossa feira tem frango abatido na hora", disse. Ele afirmou que vende a unidade da polpa de fruta por R$ 13. No supermercado, disse, custa R$ 20.
A feira começa a funcionar às 5h30 e vai até 12 horas, por causa da falta de segurança. É que, a partir de 11 horas, começam os pequenos furtos e roubos, o que, aliado à precariedade da feira, afasta a clientela. Luiz de Castro tem 64 anos e trabalha na feira há 27 (a feira surgiu antes do complexo, o qual tem 25 anos). "Essa feira me deu tudo o que tenho hoje. Educação para meus filhos (de 21 e 35 anos), construí uma casa. Aqui, é meu segundo lar. Chego 6 da manhã e fico até 13 horas", disse. Ele vende caranguejo. "E caranguejo de qualidade", garantiu. A unidade custa R$ 3. "Pra melhorar, primeiramente uma reforma geral. Não adianta a prefeitura nos iludir que vai tapar o telhado. Tem que fechar a feira e fazer uma reforma geral, por mais que a gente vá lá para o estacionamento, como eles querem. Uma reforma para poder atrair a nossa clientela, que sumiu a partir do momento em que começou a ver a situação do complexo. Hoje em dia, supermercado aceita cartão, aceita tudo, e nós estamos perdendo", afirmou.
Vendedor de vísceras, João Ferreira dos Santos tem 68 anos de idade e mais de duas décadas de de feira. "A gente vive da feira. Quando a feira fica nessa situação, a gente também sente. Tem que reformar. Assim como está, não dá. Quando está chovendo, a gente nem trabalha, porque está tudo destelhado. Aqui é a minha segunda família. Saindo daqui, não tem do que viver", disse. "As pessoas não frequentam mais com medo. Ficam nos mercadinhos, pela beira da rua. Mas, sexta, sábado e domingo, muita gente vem aqui", disse.
Tem muito rato e urubu, diz consumidor.
O mototaxista Denilson Tavares, 39 anos, é frequentador assíduo da feira. "Teria que melhorar os telhados, os boxes. Está tudo precário mesmo. Muito rato, lixo, urubu. Mas os produtos são de qualidade e os preços, acessíveis", disse. A pensionista Sandra Mendes, de 64 anos, também lamenta a precariedade da feira. "Compro aqui desde que me entendo por gente. Tá ruim. Precisa de uma reforma completa. Não tem outro lugar pra fazer compra melhor. A gente precisa deles e eles, da gente. Eu preciso da mercadoria e eles, do dinheiro da população", afirmou. "É preciso fazer um banheiro, levantar o muro (que está quebrado pela avenida Fernando Guilhon)", completou.
O Complexo de Abastecimento do Jurunas foi construído em 1993, numa área onde funcionava um curtume. E, em abril de 2015, a Prefeitura de Belém informou que seria licitada, "nos próximos dias", a obra de reforma completa do complexo do Jurunas".
O projeto finalizado estava orçado em mais de R$ 9 milhões e, naquela ocasião, já fora encaminhado à Comissão Permanente de Licitação da Prefeitura de Belém.
No projeto, estava incluída, por exemplo, a recuperação total dos pisos, coberturas, instalações elétricas e hidráulicas, dos boxes e a instalação de uma câmara frigorífica. Medidas emergenciais em prol do complexo, construído em 1993, "vêm sendo realizadas pela prefeitura, entre as quais a revitalização de toda a calçada da avenida Fernando Guilhon, eliminando poças de lama, assim como o reforço na estrutura de ferro do telhado, que estava comprometida e na iminência de desabar", diz a Prefeitura. A feira do Jurunas teve início em meados dos anos 60, com a movimentação dos ribeirinhos, que se reuniam no local para vender seus produtos.
Montagem de barracas começa esta semana, diz PMB
A Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria de Urbanismo (Seurb), informa que, a partir desta semana, iniciam com a montagem das primeiras barracas provisórias para os feirantes do espaço. A Seurb informa, ainda, que o espaço passará por uma reforma ainda no primeiro semestre de 2019.
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