Rodolfo Marques

Rodolfo Silva Marques é professor de Graduação (UNAMA e FEAPA) e de Pós-Graduação Lato Sensu (UNAMA), doutor em Ciência Política (UFRGS), mestre em Ciência Política (UFPA), MBA em Marketing (FGV) e servidor público (Poder Judiciário do Pará)

Semana política tensa no governo federal liga o 'sinal amarelo' na gestão Bolsonaro

Rodolfo Marques

O primeiro registro desta semana foi o desdobramento da crise gerada a partir das reportagens do site The Intercept Brasil, iniciadas no domingo (09.06.19). O conjunto de conteúdos jornalísticos apresentou supostas conversas entre o então juiz federal e hoje ministro da Justiça, Sérgio Moro, com o procurador-chefe da operação Lava-Jato, Deltan Dallagnol (MPF-PR), por meio do aplicativo de mensagens Telegram. As conversas divulgadas indicariam comportamentos impróprios dos entes públicos, em especial em relação a Sérgio Moro, que, como magistrado, deveria se comportar de maneira imparcial no julgamento dos processos que lhes cabiam.

Nesse contexto, Sérgio Moro compareceu voluntariamente à Comissão de Constituição e Justiça (CNJ) do Senado, para prestar esclarecimentos a respeito dos diálogos divulgados. Moro negou a autenticidade do material divulgado, focou na questão de que houve um crime na captura desses conteúdos e, após 9 horas de sessão, acabou respondendo, praticamente a todas as indagações, tendo um bom desempenho político no geral.

Mas ainda há várias arestas a serem aparadas, em especial diante da certeza de que novas reportagens que serão divulgadas, como a da quinta-feira (20.06.19), mostrando que o então juiz teria sugerido a ausência de uma procuradora – Laura Tessler – na audiência em que foi ouvido o ex-presidente Lula, no ano de 2017. Um apoio mais efetivo do presidente Bolsonaro a seu ministro é essencial para sustentar e fortalecer Sérgio Moro no cargo.

Outro fato importante do cenário político nacional foi o esvaziamento das funções do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS). A articulação política ficará a cargo do general Luiz Eduardo Ramos. Houve mudança de cargo/função para o General Floriano Peixoto, que deixou a Secretaria-Geral da Presidência e seguiu para a presidência dos Correios.

No início da semana, também houve a demissão de Joaquim Levy da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Essa “dança das cadeiras” pode ter efeitos positivos para os objetivos do governo a médio e longo prazos, mas denotam uma grande desorganização nas escolhas presidenciais desde o início de seu mandato, em janeiro de 2019.

A reforma da Previdência segue na Comissão Especial, a partir do relatório do deputado federal Samuel Moreira (PSDB-MG), mas continua tendo uma atuação muito mais clara na Câmara dos Deputados do que do próprio governo federal.

Ganhou destaque também na avaliação política das ações do governo federal a entrevista concedida à Revista Época pelo ex-ministro da Secretaria de Governo, general Alberto Santos Cruz. Ele afirmou que o governo desperdiçava tempo com uma série de “besteiras” e não se focava nas demandas mais relevantes do país. Bolsonaro retrucou a entrevista em seguida, criticando o ex-auxiliar de não ter avisado, quando do exercício de seu cargo, ao próprio presidente sobre esses desacertos observados.

Assim, o imobilismo político e a incapacidade administrativa vêm se tornando a tônica da atual gestão do governo federal. Os retrocessos nas áreas da educação, das relações internacionais, dos direitos humanos e do meio ambiente são visíveis.

Mas ainda há uma expectativa de que outras áreas importantes e essenciais, como a economia, sob o comando do ministro Paulo Guedes, possam começar a dar boas notícias ao Brasil, com geração de empregos, crescimento nos investimentos e a melhoria geral da qualidade de vida da sociedade brasileira.

Rodolfo Marques
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