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Entre civilização e barbárie: o que está em jogo na Amazônia nesta eleição?

Randolfe Rodrigues

A Amazônia é uma das principais pautas que entoam as Eleições 2022! São 334 milhões de hectares do que hoje é considerada a maior reserva de diversidade biológica do mundo. Rica também em cultura e conhecimentos ancestrais, a região, no entanto, enfrenta a ameaça de um governo disposto a destruir em nome da economia que privilegia a poucos e prejudica a floresta num todo. 

Os últimos quatro anos foram marcados pelo desmatamento em grande escala, desmonte dos órgãos de fiscalização ambiental; estímulo à violência, à atividades ilegais e prejudiciais à saúde dos que dependem de recursos naturais para sobreviver. Em março deste ano, por exemplo, o Governo Federal em vez de buscar alternativas contra o garimpo artesanal - inserido num contexto de frequentes mortes por desabamento de encostas e contaminação por mercúrio -, lançou um programa incentivando a atividade. 

Vidas como as do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips foram perdidas para o ódio espalhado na região e amplificado pela ausência intencional de ações de combate ao crime organizado. Quem sobrevive aos atos criminosos convive com o medo, conforme apontaram os depoimentos colhidos pela Comissão Externa Temporária do Senado criada para investigar a violência na Amazônia, especialmente em terras indígenas. 

O negacionismo se expandiu à medida que aumentaram os discursos de manipulação. Quem lutou e luta pela verdade foi perseguido, a exemplo do ex-diretor do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Ricardo Galvão, exonerado após criticar Bolsonaro por negar e dar tom político aos dados sobre a realidade de devastação na flora.

As mentiras ultrapassaram as fronteiras nacionais. O governo Bolsonaro, em menos de quatro anos, transformou o Brasil de exemplo nas questões ambientais em pária mundial: como não se envergonhar da conversa do presidente com Al Gore no Fórum Econômico Mundial de 2020? Ou na carta enviada à Casa Branca, em 2021, na qual o presidente foi além da farsa, tentou impulsionar o seu projeto de destruição ao prometer zerar o desmatamento ilegal até 2030 se tivesse acesso a “recursos financeiros vultosos”.

Quem não mediu esforços para ir contra o desenvolvimento sustentável não tem a menor autoridade em atuar em favor do meio ambiente.

A negação vai de encontro ao bom senso, à lógica, mas esconde projetos de poder. Estamos diante do crescimento da crueldade e ameaças aos povos tradicionais, que foram obrigados a conviver com ideias falsas sobre sustentabilidade e com o autoritarismo de políticas desenvolvimentistas que dão às elites poder sobre minorias, exploradas em meio à necessidade de ter o básico: comida na mesa. 

Por isso, a eleição deste ano é um plebiscito em que o povo dirá que a barbárie ficou para o passado e a civilização deve prevalecer!

Randolfe Rodrigues
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