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INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

Patrícia Caetano

Pedagoga formada pela Faculdade Estácio de Sá - FCAT, Auditora e Consultora Empresarial e Técnica em Administração e Contabilidade, Mentora Feminina, Coaching, Formação em PNL e Oratória. Começou a carreira como Administradora, depois se apaixonou pela arte de treinar pessoas e desenvolvimento na área pessoal e emocional. É autora da coluna de Inteligência Emocional do O Liberal Castanhal. | patymops@gmail.com

O que eu faço com o que fizeram comigo?

Patrícia Caetano

Recentemente um caso chamou muito a atenção de toda a sociedade brasileira e foi parte de reportagem internacional: O pai que matou os filhos e se matou após descobrir a traição da esposa. Uma tragédia que choca, paralisa e nos obriga a encarar uma pergunta profunda: o que fazemos com aquilo que fazem contra nós? O que fazemos com a dor, com a humilhação, com a rejeição, com a sensação de injustiça? Esses eventos não são isolados. Ecoam no parceiro ou parceira traída que acorda sozinho na cama fria, no amigo apunhalado pelas costas com um sorriso falso, no profissional sabotado por inveja mesquinha, na vítima inocente de calúnias que se espalham como fogo em palha seca. Traição, perda abrupta, abandono cruel rupturas que detonam um furacão emocional. Raiva fervendo como lava, vergonha nos empurrando para cavernas escuras, tristeza afogando como tsunamis, vingança sussurrando ilusões de paz. Sentir isso? Natural, humano, sinal de que pulsamos, faz parte do pacote da existência frágil que carregamos. O problema não está em senti-las elas são sinais de que estamos vivos. O verdadeiro perigo surge quando permitimos que elas tomem o volante da nossa consciência, guiando-nos para abismos irreversíveis.  

Inteligência emocional não é frieza. Também não é repressão. É a capacidade de reconhecer o que estou sentindo, compreender de onde vem esse sentimento e decidir qual será minha resposta. Entre o estímulo e a reação existe um espaço. É nesse espaço que mora a maturidade. Quando alguém nos fere, nasce uma encruzilhada: posso transformar a dor em destruição ou em aprendizado. Posso permitir que o erro do outro determine quem eu me torno ou posso decidir que, apesar do que fizeram comigo, ainda sou responsável pelo que faço a partir disso. O sofrimento mal elaborado se converte em explosão. O sofrimento acolhido se converte em elaboração. A diferença entre um e outro está na capacidade de pausar. De respirar antes de agir. De buscar ajuda antes de decidir. De reconhecer que nenhuma emoção, por mais intensa que seja, é permanente. Em momentos de ruptura, o cérebro emocional assume o controle. A impulsividade cresce, a percepção se distorce, e decisões irreversíveis podem ser tomadas sob estados temporários. Por isso, nunca se deve decidir nada definitivo sob emoções intensas. O tempo é um aliado poderoso da lucidez é uma arte nobre: a capacidade de pausar, ponderar o que estou sentindo com honestidade brutal, compreender de onde vem essa torrente talvez de feridas antigas reabertas, expectativas frustradas ou medos profundos expostos e, então, decidir sobriamente qual será a minha resposta. Viktor Frankl, sobrevivente dos horrores de Auschwitz, nos ensinou que, entre o estímulo (o que nos fere) e a ocorrência (o que escolhemos fazer), existe um espaço sagrado. É nesse intervalo precioso que mora a verdadeira maturidade, o poder de transcender o caos e emergir mais forte.

Outro ponto essencial da inteligência emocional é compreender que dor não justifica violência. Sofrer não nos autoriza a destruir. Ser ferido não nos dá o direito de ferir. Quando ultrapassamos essa linha, deixamos de ser vítimas da circunstância e nos tornamos autores de novas tragédias. Perguntar “o que fizeram comigo?” é natural. Mas a pergunta transformadora é: “o que eu faço agora com isso?” Essa mudança desloca o foco da impotência para a responsabilidade. Responsabilidade não é culpa. É poder. É reconhecer que, mesmo quando não escolhemos o que nos aconteceu, ainda escolhemos nossa postura diante do ocorrido. Crescimento emocional exige três movimentos: reconhecer a dor sem negá-la; evitar decisões impulsivas; e buscar apoio. Conversar com alguém confiável, procurar aconselhamento profissional, dar tempo ao tempo. Emoções intensas pedem cuidado, não ação imediata. Nenhuma traição, nenhuma frustração, nenhuma decepção vale mais do que a vida, nem a nossa, nem a de ninguém. Emoções passam. Consequências ficam. Talvez a grande lição diante de histórias tão dolorosas seja esta: maturidade emocional não elimina o sofrimento, mas impede que ele se transforme em destruição. A vida nos fere. Isso é inevitável. Mas a forma como respondemos às feridas é o que define quem nos tornamos. No fim, a pergunta ecoa como sino no vale: "O que eu faço com o que fizeram comigo?". A resposta pode não apagar a dor de imediato, mas pode impedir que ela apague você. Escolha o caminho da luz. Você é maior que o seu pior momento.

PATRICIA CAETANO CAVALCANTE

PATYMOPS@GMAIL.COM

@PATYCCAETAN

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