Não estrague o hoje com os problemas do amanhã Patrícia Caetano 21.01.26 10h00 Você já chegou ao fim do dia com a sensação de cansaço, mesmo sem nada “tão pesado” ter acontecido? Já deitou a cabeça no travesseiro exausto, tentando entender de onde veio tanto desgaste? Muitas vezes, esse cansaço não nasce do que vivemos, mas do que antecipamos em pensamento. A mente corre, cria cenários, resolve problemas que ainda nem existem e o corpo paga a conta. É comum ver isso claramente nos restaurantes, especialmente na hora do almoço. Mesas ocupadas por pessoas fisicamente presentes, mas emocionalmente ausentes. Os pratos chegam, o cheiro da comida se espalha, mas os olhos permanecem presos à tela do celular. Os assuntos que circulam, quando circulam, quase sempre são sobre o amanhã: a reunião que ainda vai acontecer, o problema que precisa ser resolvido, a preocupação que insiste em ocupar espaço. Enquanto isso, os dedos deslizam pela tela sem notar o tempo passar e, muitas vezes, sem perceber a presença de quem está ao lado. Outro dia, enquanto o café esfriava sobre a mesa, alguém rolava o celular preocupado com uma conversa que ainda nem tinha acontecido. O café perdeu o gosto, o silêncio passou despercebido e o momento se perdeu. Não por falta de tempo, mas por excesso de futuro. Essa cena simples se repete diariamente e talvez hoje tenha acontecido com você. Vivemos com a mente constantemente projetada para frente. Pensamos no que ainda vai acontecer, no que pode dar errado, no que precisa ser resolvido, no que falta conquistar. Planejar é necessário, sim. Mas antecipar problemas que ainda não existem cobra um preço alto: a ausência no presente. Pagamos com ansiedade, tensão e uma sensação constante de urgência. É curioso como o corpo está aqui, mas a mente não. Comemos sem perceber o sabor, conversamos sem escutar por inteiro, convivemos sem realmente estar. O amanhã, que ainda não chegou, pesa mais do que o hoje, que pede atenção silenciosamente. O problema não é pensar no futuro. Ele começa quando o futuro vira moradia e o presente se torna apenas um corredor de passagem. Quando isso acontece, não vivemos de verdade; apenas atravessamos os dias, acumulando cansaço emocional. O hoje é o único tempo que realmente existe. É nele que fazemos escolhas, construímos relações e cuidamos da vida. O amanhã nasce da forma como lidamos com o agora. Estar presente no hoje é um exercício diário, quase um treino de atenção. E ele pode começar de forma prática e possível: guardar o celular durante as refeições, olhar nos olhos de quem está à mesa, perceber o sabor da comida, ouvir sem pressa. Ao iniciar o dia, escrever apenas três tarefas que realmente precisam ser feitas hoje não dez, não vinte. Ao notar a mente correndo para o amanhã, pausar, respirar fundo e se perguntar: o que eu posso resolver agora? O que não tiver resposta, conscientemente, deixar para depois. Talvez o convite seja simples, mas necessário: viva o que está diante de você hoje. Faça o que precisa ser feito agora. O amanhã será enfrentado quando chegar, com a maturidade, a clareza e a força que você constrói neste momento. Respire. Levante os olhos. Esteja aqui. O hoje está acontecendo e merece você por inteiro. Não estrague o hoje com os problemas do amanhã. PATRÍCIA CAETANO patymops@gmail.com @patyccaetano Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞 Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱 Palavras-chave colunas patrícia caetano inteligência emocional COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA Patrícia Caetano . Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo! Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é. Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos. Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!