INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

Patrícia Caetano

Pedagoga formada pela Faculdade Estácio de Sá - FCAT, Auditora e Consultora Empresarial e Técnica em Administração e Contabilidade, Mentora Feminina, Coaching, Formação em PNL e Oratória. Começou a carreira como Administradora, depois se apaixonou pela arte de treinar pessoas e desenvolvimento na área pessoal e emocional. É autora da coluna de Inteligência Emocional do O Liberal Castanhal. | patymops@gmail.com

Coragem para sair da autopiedade

Patrícia Caetano

Às vezes a autopiedade aparece quando a alma cansa antes do corpo. Ela surge silenciosa, pedindo pausa, colo e reconhecimento da dor.

Não é fraqueza sentir, é humano. O perigo não está em passar por ela, mas em permanecer.

Quando escutada com honestidade, a autopiedade pode virar consciência. E consciência, quando acolhida, vira força para continuar.

A autopiedade é um lugar confortável e perigoso ao mesmo tempo. Confortável porque nos permite justificar dores, fracassos e quedas. Perigosa porque, quando permanecemos nela por tempo demais, começamos a acreditar que somos apenas vítimas da vida e não protagonistas dela. Para sair desse lugar, é preciso coragem. Uma coragem emocional, silenciosa e, muitas vezes, solitária.

É humano sentir dor. É legítimo chorar, cansar, desanimar. O problema não está em sentir, mas em se acomodar nesse estado. A autopiedade distorce a percepção: tudo parece maior do que realmente é, os outros parecem mais fortes, mais capazes, mais favorecidos. E nós passamos a nos enxergar pequenos. Sair dessa narrativa exige coragem para encarar a realidade sem filtros e sem desculpas.

O dia em que decidimos sair da autopiedade não é, necessariamente, o dia em que os problemas acabam. É o dia em que assumimos uma nova postura diante deles. É preciso coragem para trocar a pergunta “por que isso só acontece comigo?” por “o que posso fazer com o que tenho agora?”. Essa mudança não elimina a dor, mas devolve o controle.

Quando saímos da autopiedade, enxergamos algo essencial: somos mais fortes do que pensamos. Já sobrevivemos a situações que julgávamos insuportáveis. Já caímos e levantamos. Já sentimos medo e seguimos mesmo assim. Nada disso acontece sem coragem mesmo quando ela vem disfarçada de cansaço, persistência ou daquela teimosia silenciosa de continuar.

A autopiedade nos mantém presos ao que falta. A coragem nos ensina a olhar para o que permanece. E quase sempre, o que permanece é a nossa capacidade de adaptação, aprendizado e reconstrução. Coragem não é ausência de medo; é agir apesar dele.

Assumir responsabilidade pela própria vida também exige coragem. Não significa ignorar dificuldades ou se culpar por tudo, mas reconhecer que, mesmo em cenários difíceis, ainda existe escolha: reagir, aprender, ajustar a rota e seguir. Permanecer na autopiedade é fácil. Levantar-se é um ato profundamente corajoso.

Talvez o maior gesto de coragem seja esse: levantar todos os dias, mesmo sem garantias, e continuar, não porque tudo está bem, mas porque decidimos não permitir que a dor defina quem somos.

Faça um exercício mental agora. Em silêncio, identifique uma situação em que você tem reclamado mais do que agido. Não julgue, apenas reconheça. Em seguida, troque a pergunta: sempre que o pensamento “por que isso está acontecendo comigo?” surgir, substitua por “o que essa situação está me pedindo em maturidade, ajuste ou decisão?”. A dor continua existindo, mas o comando volta para suas mãos.

Por fim, ative a coragem prática. Pergunte-se: qual atitude tenho evitado por medo, comodismo ou cansaço? Não pense em grandes mudanças. Pense no próximo passo possível. Coragem não é resolver tudo, é decidir não permanecer parado.

PATRÍCIA CAETANO 
patymops@gmail.com 
@patyccaetano

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