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INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

Patrícia Caetano

Pedagoga formada pela Faculdade Estácio de Sá - FCAT, Auditora e Consultora Empresarial e Técnica em Administração e Contabilidade, Mentora Feminina, Coaching, Formação em PNL e Oratória. Começou a carreira como Administradora, depois se apaixonou pela arte de treinar pessoas e desenvolvimento na área pessoal e emocional. É autora da coluna de Inteligência Emocional do O Liberal Castanhal. | patymops@gmail.com

As gambiarras da nossa vida

Patrícia Caetano

Lembro de, ainda criança, assistir ao seriado MacGyver. Eu ficava fascinada com sua capacidade de transformar um clipe, um pedaço de arame ou fita adesiva em soluções improváveis. O improviso era seu maior talento. Na ficção, quase sempre dava certo. Na vida real, nem sempre.

A gambiarra faz parte da nossa cultura. Nasce da criatividade, da necessidade e, muitas vezes, da falta de recursos. É o papel que firma a cadeira, a fita isolante que protege o fio, o balde sob a torneira que insiste em pingar. Em muitos momentos, ela resolve. O problema começa quando o improviso deixa de ser temporário e passa a substituir o conserto.

Percebi que fazemos exatamente isso com a vida. Criamos gambiarras emocionais para evitar o que exige coragem. Escondemos a tristeza atrás de um sorriso, adiamos conversas importantes, normalizamos relacionamentos desgastados e acreditamos que o tempo resolverá problemas que, na verdade, dependem de uma decisão.

Toda gambiarra tem prazo de validade. Ela não elimina a causa do problema; apenas adia suas consequências. E, quando falha, o prejuízo costuma ser maior do que teria sido se o reparo tivesse acontecido na hora certa.

A mesma lógica aparece nas empresas que resistem às mudanças até serem vencidas pela crise, nas famílias que aprendem a conviver com o silêncio, nas amizades mantidas apenas pelo hábito e nas pessoas que tratam sintomas, mas ignoram a origem de suas dores. O que não é resolvido na raiz dificilmente permanece firme.

Nossa sociedade valoriza soluções rápidas. Queremos respostas imediatas para problemas complexos. Mas nem a vida, nem os relacionamentos, nem o caráter se fortalecem com improvisos. Estruturas sólidas exigem manutenção, coragem e disposição para enfrentar aquilo que está quebrado.

Jesus contou a parábola de duas casas que pareciam iguais. A diferença só apareceu quando veio a tempestade. A construída sobre a rocha permaneceu de pé; a edificada sobre a areia desabou. O problema nunca foi a chuva, mas o alicerce.

Talvez essa seja a pergunta que todos deveríamos fazer de tempos em tempos: em quais áreas da minha vida estou construindo sobre a rocha e em quais estou apenas fazendo gambiarras? MacGyver nos ensinou que o improviso pode salvar uma emergência. A vida, porém, ensina que ninguém constrói uma história inteira sobre remendos.

Porque toda gambiarra tem seu limite. Mais cedo ou mais tarde, ela cede. E somente a verdade, o cuidado e a coragem de enfrentar a origem dos problemas são capazes de construir uma vida que permaneça firme quando as tempestades chegarem.

PATRÍCIA CAETANO 
patymops@gmail.com 
@patyccaetano

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Patrícia Caetano
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