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INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

Patrícia Caetano

Pedagoga formada pela Faculdade Estácio de Sá - FCAT, Auditora e Consultora Empresarial e Técnica em Administração e Contabilidade, Mentora Feminina, Coaching, Formação em PNL e Oratória. Começou a carreira como Administradora, depois se apaixonou pela arte de treinar pessoas e desenvolvimento na área pessoal e emocional. É autora da coluna de Inteligência Emocional do O Liberal Castanhal. | patymops@gmail.com

A travessia silenciosa da mulher

Patricia Caetano

Existem fases da vida em que a mulher começa a mudar por dentro muito antes de conseguir compreender o que está sentindo. É uma transformação silenciosa, lenta e quase invisível para quem olha de fora, mas intensa para quem a vive. Aos poucos, emoções, pensamentos, desejos e até a forma de enxergar a própria vida ganham novos contornos. Depois dos 40 anos, milhões de mulheres atravessam o climatério, a perimenopausa e a menopausa sem informação, acolhimento ou escuta. O que deveria ser entendido como uma transição natural ainda é vivido com medo, culpa, confusão e silêncio.

Enquanto o corpo pede pausa e atenção, a rotina continua exigindo produtividade, força e presença constante. E, no meio dessa travessia, muitas mulheres seguem sustentando tudo e todos, sem perceber que elas também precisam de cuidado. Ninguém ensinou, de fato, sobre essa fase. Fomos educadas para acreditar que precisávamos permanecer iguais para sempre, como se amadurecer fosse continuar funcionando da mesma forma. Mas a vida feminina é feita de ciclos, mudanças e renovações. O corpo muda. O sono muda. O humor oscila. A energia já não responde da mesma forma. Há dias em que a mulher não se reconhece nas próprias emoções e sente como se tivesse se afastado de si mesma. E, junto dessas mudanças, nasce um chamado interior: o desejo de se reencontrar, entender quem é além dos papéis que ocupa e da imagem que sempre precisou sustentar.

Chega um momento em que ela percebe que já não tolera os mesmos excessos, cobranças e relações que antes aceitava. Já não cabe nas versões antigas de si mesma. E isso não significa decadência ou perda. Significa transformação. A vida começa a pedir novos ritmos, novas prioridades e uma forma mais gentil de existir. Muitas mulheres passam anos tentando manter a mesma velocidade de antes, como se mudar fosse sinal de fraqueza. Mas o corpo, a mente e o emocional começam a pedir outra cadência. E quando esses sinais são ignorados, surgem o cansaço constante, a irritação, a culpa por não dar conta de tudo e a sensação dolorosa de estar perdida dentro de si mesma. A travessia se torna mais leve quando a mulher deixa de lutar contra o próprio processo e passa a se ouvir com consciência e compaixão. Nem toda oscilação emocional é exagero. Muitas vezes, é o corpo recalculando a rota. Nem todo cansaço é falta de disposição. Às vezes, é apenas um pedido legítimo de pausa. Aprender a dizer “não” ao que adoece é o primeiro passo para dizer “sim” à própria saúde emocional.

A perimenopausa e a menopausa não precisam ser vistas como o fim da feminilidade ou da vitalidade. Elas podem ser o começo de um reencontro mais verdadeiro consigo mesma. É uma fase em que muitas mulheres começam, pela primeira vez, a olhar para os próprios desejos, limites e necessidades com mais maturidade e coragem. Para tornar essa caminhada mais leve, alguns cuidados fazem diferença. Não trate as mudanças do seu corpo como fracasso. Seu corpo não está acabando; ele está se adaptando a uma nova fase. Evite se comparar com a mulher que você foi aos 20 ou 30 anos. Cada idade tem sua força, beleza e valor. Respeite seus novos limites sem culpa. Descansar também é inteligência emocional.
Cuide do sono, desacelere quando necessário e observe suas emoções com gentileza. Nem toda tristeza é drama, nem toda irritação é exagero. Busque informação confiável, converse com outras mulheres e reduza o excesso de estresse e cobranças. Muitos cansaços não vêm apenas do corpo, mas do peso emocional carregado por anos.

Pare de medir seu valor apenas pela produtividade. Seu valor não está no quanto você faz, mas em quem você é. Permita-se mudar de opinião, de ritmo, de sonhos e prioridades. Crescer também é reconhecer que algumas versões antigas já não combinam mais com a mulher que você se tornou. E, acima de tudo, lembre-se: essa fase não é o fim da sua essência feminina. Talvez seja, pela primeira vez em muitos anos, o começo de um reencontro mais profundo, consciente e verdadeiro consigo mesma. Uma travessia silenciosa que, quando vivida com acolhimento e amor, pode se transformar na fase mais sábia e bonita da vida de uma mulher.

PATRICIA CAETANO CAVALCANTE
patymops@gmail.com
@patyccaetano

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