LINOMAR BAHIA

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Jornalista e radialista profissional. Exerceu as funções de repórter, redator e editor de jornais e revistas, locutor, apresentador e diretor de emissoras de rádio e televisão. Articulista dominical de O Liberal há mais de 10 anos e redator de memoriais, pronunciamentos e textos literários. | linomarbahiajor@gmail.com

Mais do mesmo?

Linomar Bahia

O meio-ambiente tem sido a cereja dos discursos e dos textos de quantos se dizem especialistas e posam de defensores de biomas, particularmente o amazônico. Agem “por ouvir dizer” muitos dos que falam e escrevem sobre os rios, as florestas com suas quase 900 definições e os que ali vivem, frequentemente usurpando conhecimentos de terceiros. Desfrutam dos usos e frutos do oportunismo, incorrendo no pecado mortal de usar em vão o santo nome ambiental. Agora, nova oportunidade se abre para quantos usam e vivem em função do tema em suas muitas falas e poucas soluções. 

Está em curso no Egito mais uma reunião mundial a pretexto de encontrar formas e adotar medidas que possam conter o comportamento da natureza, cada vez mais rebelde nos desastres que se abatem sobre o planeta. Agora denominada COP27, denunciando ser a vigésima sétima vez em que é realizada uma “Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas”, sem que as conclusões sejam materializadas em ações, como demonstra a crescente violência dos ventos, das marés e das tempestades que assolam o universo. Será, novamente, mais do mesmo? Esperemos que não.

Mas já se vão 50 anos de realização de eventos do tipo, objetivando estabelecer regras e conclamar esforços capazes de controlar as disfunções climáticas. As primeiras preocupações datam de 1972, quando ocorreu a “Conferência de Estocolmo” e foram firmados os primeiros protocolos, pelos quais os países, independentemente de regimes, se comprometiam a adotar procedimentos para reduzir, ou eliminar, os danos ambientais decorrentes do efeito estufa e suas repercussões nas camadas de ozônio e nas alterações climáticas, mas com minguado, ou quase nenhum, efeito prático.

Enquanto as geleiras continuam derretendo, elevando os níveis e a temperatura dos mares e acentuando a força destrutiva da natureza, dez anos se passaram até que o problema voltasse à pauta na ECO-92 no Rio de Janeiro. Entre os desafios, o fiasco do “Protocolo de Kyoto”, assinado no mesmo ano e sempre invocado, mas sem a assinatura de grandes poluidores do meio-ambiente, como a China, os Estados Unidos, a Rússia e a Índia. Juntos, respondem por um terço de toda a emissão de CO2 na atmosfera, mas preferem proteger os agentes poluidores que sustentam as respectivas economias.

Há uma torcida para que a COP 27 não seja “mais do mesmo”, embora as listas de participantes incluam quantos nada têm a ver com o assunto, interessados apenas em fazer turismo na terra dos faraós. Enquanto as pirâmides de Gizé testemunharão mais um desfile de egos da política universal, quem procurar os anais pouco ou nada encontrará sobre a efetivação das ações básicas definidas nas 26 reuniões anteriores. Encontrará, isto sim, as faturas dos milhões de dólares consumidos, inversamente à escassez de soluções climáticas efetivas, continuando praticamente tudo como dantes. 

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