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Linomar Bahia

Jornalista e radialista profissional. Exerceu as funções de repórter, redator e editor de jornais e revistas, locutor, apresentador e diretor de emissoras de rádio e televisão. Articulista dominical de O Liberal há mais de 10 anos e redator de memoriais, pronunciamentos e textos literários. E-mail: linomarbahiajor@gmail.com

Juízo final

Linomar Bahia

Quem foi e o que fez, em apenas 33 anos de vida, o imperador Alexandre III, no século 4 antes de Cristo, é reminiscência histórica de quem teve a oportunidade de estudar no ginasial a "História Geral", tendo como referência principal o livro escrito por Delgado de Carvalho, celebrado professor francês, formado pela Universidade de Lausanne em 1884 e falecido no Rio de Janeiro, em 1980. Ou quem, em algum momento, se dispuser as compulsar obras específicas ou, mesmo, recorrer ao recente bom e sempre disponível "Google". 

Sabe, por exemplo, ter sido ele o  rei  da Macedônia, que viveu no século 4 a.C., potencializando o poderoso exército herdado de seu pai, o rei Filipi II, conquistas militares e domínios territoriais, constituindo um império sobre os 24 fusos horários em que se situam as diversas regiões do planeta, ao estender os seus limites através das áreas que delimitavam desde o sudeste da Europa, até a Índia. Foram feitos extraordinários que lhe valeram ser considerado o maior líder militar da antiguidade, cognominado "O Grande" e "O Magno".

Tais  denominações sintetizavam tanto o poder e o  consequente respeito dos inimigos e potenciais adversários, alimentando a vaidade, consignada nas denominações de conquistas de mais de 70 cidades, com o seu próprio nome, mais evidenciado pela famosa Alexandria. Há várias versões históricas sobre a vida e os feitos, atribuídos ao que teria sido o grande conquistador de tão amplos e inquestionáveis poderes na época, entre as quais perdura a de que, voltando de uma de muitas conquistas, contraíra uma doença que o levou à morte.

Teria sido diante dessa circunstância, inevitável aos seres humanos, que Alexandre percebera que a sua "grandeza" ou "magnitude", estavam diante do inexorável, imune a quaisquer forças militares, blindagens estruturais, muito menos a poderios econômicos e financeiros como os que possuía. Consciente de que, diante do juízo final, nada valeriam suas conquistas, seu grande exército, sua espada afiada e toda a sua riqueza material, quedando o poderoso conquistador prostrado e impotente, diante da fatalidade de seu último suspiro.

Consciente do inevitável, ordenou aos seus generais três desejos, para serem cumpridos rigorosamente. Primeiro, que seu caixão fosse carregado pelos melhores médicos da época. Em segundo lugar, que os tesouros que tinha fossem espalhados pelo caminho até seu túmulo. E, finalmente,que suas mãos ficassem fora do caixão e à vista de todos.

Os generais, surpresos, teriam perguntado quais eram os motivos de tais pedidos, tão estranhos como até inconcebíveis, em se tratando de um detentor de todos as riquezas e poderes humanos.

Alexandre, então, explicou querer que os melhores médicos carregassem o caixão, para mostrar que não tinham poder nenhum sobre a morte. Queria o caixão coberto pelos tesouros, para que todos vissem que os bens materiais aqui ficam. E que as mãos ficassem à mostra, mostrando que voltamos com as mãos vazias como viemos. Uma remissão moral, que poderia inspirar o juízo final dos quantos enriquecem, pelo histórico desvio de dinheiros públicos, atualmente desviando recursos que deveriam combater a pandemia e minorar sofrimentos.

Linomar Bahia
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