Linomar Bahia

Jornalista e radialista profissional. Exerceu as funções de repórter, redator e editor de jornais e revistas, locutor, apresentador e diretor de emissoras de rádio e televisão. Articulista dominical de O Liberal há mais de 10 anos e redator de memoriais, pronunciamentos e textos literários. E-mail: linomarbahiajor@gmail.com

"Esquerda" e "direita", vamos ver...

Linomar Bahia

Chegamos a uma das raras eleições em que os dois candidatos representam claramente o que se convencionou denominar "esquerda" e "direita". Também dispõe à escolha o que o eleitor considera capaz de solucionar os sérios problemas de Belém, entre promessas que incluem praça para cachorros, bicicletas para todos, comida e dinheiro a quem precisar, combate à corrupção, canais cobertos de concreto e um oásis de atrações turísticas. Ao eleito, três décadas de precariedades que desfiguraram uma cidade que já foi considerada "Paris dos trópicos".

Como disse Pablo Neruda, "você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequencias." Passaremos a viver os prenúncios dos quatro anos vindouros, a partir do mandato no alvorecer do ano novo de 2021. Guardadas proporções e circunstâncias, poderia ser imaginado como um "New Deal", modelo reduzido, na razão e na forma, de um "novo acordo" ou "novo trato" daquele implantado pelo presidente Franklin Delano Roosevelt, no esforço que será necessário para recuperar e reformar a estrutura e os equipamentos municipais. 

Há registros do sentido emblemático das esperanças de que "amanhã será outro dia", embora possa ser surpreendido pelo o que menos desejava ou esperava, passando, por isso, a amargar novas decepções e amarguras. Mas é da natureza humana, particularmente entre os brasileiros, acreditar que depois da tempestade poderá vir a bonança, como no famoso "Dia D" daquele episódio marcante no desfecho da Segunda Guerra Mundial, quando esse simbolismo tem pontuado momentos decisivos e faz sentido comparativo com esta eleição para Belém.

Nas urnas deste segundo turno serão depositados os votos representativos de uma nova oportunidade que se pode conferir a Belém, refletindo a indignação popular às velhas práticas e rejeição aos profissionais da política exercida de forma personalista, em detrimento dos elementares interesses populares. Vivemos uma espécie de "Dia D", que poderia ser de um "Novo dia" para Belém, pelo simbolismo especial de (re)abrir as esperanças na recuperação e nos avanços sociais negligenciados, resgatando valores perdidos, que a rejeição popular reflete.

Há expectativa de que o eleitorado pode ter percebido quão poderosa é a arma do voto, desempenhando papel decisório nas escolhas e na representatividade, ao reafirmar a igualdade de todos perante a lei. No primeiro turno, essa arma deverá ter abatido candidatos e apoiadores considerados responsáveis pelo que se abateu sobre a cidade, perdendo espaços e atrativos para as vizinhas, antes vistas como quintais e, ultimamente, guindadas a salas de visitas, custando aos responsáveis por isso, direta e indiretamente, a rejeição  nas urnas do primeiro turno.

Caberá a cada eleitor escolher hoje qual "Novo Dia" deseja para Belém, como solução dos problemas que afligem a todos, ou, simplesmente, amargar mais quatro anos de frustrações. Vamos ver se a "esquerda", ou a "direita", entende o recado das urnas como manifestação de confiança válida por quatro anos de mandato, eventualmente revalidada numa reeleição. Equivale a um novo acordo, incluindo o aviso prévio de que, quem trair a confiança contida nos votos deste pleito municipal, poderá estar a caminho do mesmo destino imposto aos perdedores. 

Linomar Bahia
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