Linomar Bahia

Jornalista e radialista profissional. Exerceu as funções de repórter, redator e editor de jornais e revistas, locutor, apresentador e diretor de emissoras de rádio e televisão. Articulista dominical de O Liberal há mais de 10 anos e redator de memoriais, pronunciamentos e textos literários. E-mail: linomarbahiajor@gmail.com

Eleição dos mais dos mesmos

Linomar Bahia

Chegamos a mais uma eleição com a legislação e a indicação de candidatos que não oferecem ao eleitorado oportunidade para mudanças efetivas, em que novos-velhos eleitos pudessem ser vistos como esperança de novos tempos políticos e administrativos. Nem estes 35 anos de poder civil tem conseguido fazer com que os partidos assumam o papel histórico de selecionadores dos nomes a serem submetidos ao escrutínio, identificados com as razões de existirem, enquanto o eleitorado continua tangido para votar nos impingidos nas urnas.

Mais uma vez, teremos uma eleição na medida das conveniências para que tudo seja mudado, desde que permaneça como está, sofismando cumprir os propósitos da decantada "redemocratização do país", que na prática, continua sendo figura de retórica sobre os fundamentos das origens atenienses da democracia. Permite que prevaleça o conceito segundo o qual a representação política é o reflexo da sociedade que representa, alimentando a bazófia de que "o povo não sabe votar ..." enquanto lhe servem ao voto "pratos feitos", nem sempre palatáveis.

Manifestações populares, que antecederam a eleição de 2018, estimularam a expectativa de que o cansaço com a repetitiva mesmice, exacerbada pelos escândalos do "mensalão" e amplificada pelo bilionário "petrolão", produzissem uma renovação de nomes e nas práticas condenadas na política e na administração, capazes de restaurarem a moral e os bons costumes na vida pública brasileira. Vestindo essa nova roupagem, emoldurada pela palavra "novo", rapidamente envelheceu na frustração pelo oportunismo de uns e no mascaramento de outros.

Vivemos a primeira eleição após os desenganos das últimas crenças, gerando o sentimento oposto de que a solução para os graves problemas locais e nacionais parece sempre mais distante. Cabe refletir sobre a própria legitimidade de um pleito, contaminado por todos os vírus maléficos, à espera de vacina capaz de imunizar o país contra as piores das pragas, que contaminam os tecidos nacionais. É desanimador constatar que o Brasil continua sendo o país do futuro somente nas letras dos hinos, enquanto continua dormindo em berço esplêndido. 

Há que se refletir sobre "votar em quem", quando manobras e filigranas resultam numa legislação totalitária da obrigatoriedade do voto e dispositivos convenientes a partidos desprovidos de legitimidade pela falta de ideário ideológico e programático, nem identificação com os interesses populares. São mais dos mesmos nomes e sobrenomes das mesmas oligarquias. Legendas foram repaginadas com nomes novos para esconder velhas práticas e nem tentativas saneadoras, exemplificadas pela "lei da ficha limpa", têm impedido candidaturas questionáveis.

A sorte está lançada, enquanto continuamos à espera de que se façam cumprir as tantas leis moralizadoras existentes, inclusive para que os partidos cumpram a função de congregarem "seguidores de uma mesma ideia, doutrina ou pessoa para a escolha dos eleitores”, com os cidadãos participando em condições da igualdade e nas oportunidades eleitorais. Há a expectativa de uma eleição marcante, com uma abstenção elevada, tanto pela descrença generalizada na política e nos políticos, como pelo receio de contaminação pelo covide-19. “Oh tempora! Oh mores!”

Linomar Bahia
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