O Escândalo do Banco Master e a Ética do STF Denis Farias 02.02.26 11h05 O colapso do Banco Master, não foi apenas a queda de uma instituição financeira de médio porte. Foi um abalo sísmico que expôs fragilidades profundas do sistema bancário brasileiro. E colocou sob os holofotes a relação entre poder econômico e as mais altas instâncias do Judiciário. Quando um banco entra em liquidação, com bilhões em ativos declarados e praticamente sem liquidez em caixa, o problema deixa de ser pontual e passa a ser sistêmico. O caso revelou riscos concretos de contágio no setor bancário. Além da pressão sobre o Fundo Garantidor de Créditos e a exposição de outras instituições a ativos potencialmente superavaliados. O impacto direto sobre investidores e correntistas acenderam um alerta vermelho. A confiança, base invisível que sustenta qualquer sistema financeiro foi colocada em xeque. Sem isso, o crédito encarece, os investimentos retraem e a economia real sente o choque. Todavia, o que transforma o escândalo do Banco Master em algo ainda mais grave é a sombra institucional, que se projeta sobre o Supremo Tribunal Federal. A condução do caso para o STF, sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, levantou questionamentos legítimos na opinião pública. A centralização da investigação, decisões sobre sigilo, competência e o ritmo do processo, alimentaram críticas sobre transparência. Ainda que amparadas por fundamentos legais. Em democracias maduras, não basta que a atuação seja legal é preciso também parecer imparcial. Nesse mesmo contexto, surgiram reportagens e debates envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, a partir de relações profissionais de pessoas próximas a ele com o Banco Master. O simples fato de tais conexões existirem ou serem percebidas como existentes, já é suficiente para corroer a confiança pública. A ética institucional não se mede apenas pela ausência de crimes, mas pela prevenção de conflitos de interesse e pela eliminação da aparência de favorecimento. É exatamente nesse ponto que o escândalo do Banco Master se conecta com a necessidade de um Código de Conduta para ministros das Cortes Superiores. Hoje, o Brasil não dispõe de regras específicas, claras e públicas que disciplinem de forma detalhada relações com agentes econômicos, participação em eventos privados, transparência de agendas e impedimentos éticos. Essa lacuna é perigosa. Onde não há regra clara, prosperam a desconfiança, o ruído político e a erosão da legitimidade. Defender um Código de Conduta não é atacar o STF, mas protegê-lo. É fortalecer a instituição contra suspeitas, preservar sua autoridade moral e blindar a democracia contra crises de credibilidade. Esse escândalo mostrou que o risco não é apenas financeiro, mas institucional. O Brasil precisa escolher entre reagir com maturidade, estabelecendo padrões éticos elevados para suas mais altas cortes, ou aceitar a normalização da desconfiança. Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞 Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱 Palavras-chave colunas denis farias COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA Denis Farias . Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo! Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é. Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos. Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!