Arnaldo Jordy

a.jordy@hotmail.com

Arnaldo Jordy é advogado e ex-deputado federal

Emergência climática

Arnaldo Jordy

A divulgação, esta semana, do Painel Intergovernamental sobre o Clima, da ONU, mostra de forma inequívoca que o problema do aquecimento global não é mais uma tese ou uma reivindicação de ambientalistas, mas sim um problema que exigirá intervenção social, institucional e econômica nos próximos anos, com uma ação planetária contra a emergência climática.

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Desde 1850, marco do início das medições de temperatura da Terra, o clima já ficou 1,1 grau mais quente, com secas mais severas, enchentes, incêndios florestais e tendência de aumento do nível do mar. O Painel da ONU revelou que o patamar de 1,5 graus celsius, previsto para 2040, chegará dez anos antes, em 2030. Os sinais desse aquecimento são visíveis em fenômenos climáticos que estão diante dos olhos de todos.

A Europa é varrida por uma onda de calor, os termômetros bateram 48 graus na Itália, marca recorde para a região do Mediterrâneo. Incêndios florestais devastaram a Grécia e a Turquia, após a maior onda de calor em três décadas. Em 2020, mais de 4 milhões de hectares de florestas da Califórnia foram afetados por incêndios, mais do que o dobro do recorde anterior naquele estado do oeste dos Estados Unidos.

Há menos de um mês, enchentes na China deixaram 3,8 milhões de pessoas sem casa, após as maiores chuvas já registradas no país asiático. O Pantanal brasileiro teve 26% do bioma queimado pelo fogo no ano passado, na maior seca de que se tem notícia em mais de 50 anos naquela região, com 4 milhões de hectares de vegetação destruídos, uma área maior que a Bélgica. Na Amazônia, os períodos de seca são mais prolongados, favorecendo os incêndios florestais e o desmatamento, que aumentou em 70% desde 2019, quando o governo federal flexibilizou a fiscalização ambiental.

No Brasil, uma seca prolongada seguida de uma onda de frio e geadas ameaça seriamente a agricultura. A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é de uma safra 1,2% menor este ano. O milho, o café e o trigo são os mais afetados, com prejuízo para a avicultura e a suinocultura. Os efeitos da falta de trigo são conhecidos na inflação, com o dólar nas alturas. A seca no Sudeste afeta a geração de energia e o Brasil corre o risco de sofrer um apagão. De um modo geral, secas e enchentes serão mais frequentes na América do Sul.

A emergência climática torna fundamental a conferência do clima (COP 26) em Glasgow, na Escócia, em novembro deste ano, na qual deverão ser definidas metas ousadas para a superação do uso de combustíveis fósseis, incentivo aos carros elétricos, adoção de formas mais sustentáveis de geração de energia, como a solar e a eólica, preservação do Ártico e da Amazônia, afetada pelo aumento das queimadas e do desmatamento, para conter rapidamente as mudanças climáticas.

Eleições

Felizmente, a Câmara dos Deputados enterrou a possibilidade da adoção do distritão para as eleições do ano que vem, um modelo injusto, que privilegia o poder econômico e prejudica a representação parlamentar. Cabe agora ao Senado eliminar também o casuísmo do retorno das coligações proporcionais, já que a possibilidade de criação de federações de partidos por quatro anos já foi aprovada nas duas casas.

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