Estudante tem bolsa do Prouni negada após mãe movimentar valores em plataformas de apostas
De acordo com a universidade, os extratos bancários apresentados indicavam uma movimentação financeira acima do permitido pelo Prouni.
Um estudante de Campinas (SP) teve a bolsa integral do Programa Universidade para Todos (Prouni) negada após a instituição de ensino considerar movimentações financeiras ligadas a plataformas de apostas online como parte da renda familiar. Eduardo Luvizetto dos Santos havia sido aprovado para cursar Psicologia na Universidade Paulista (UNIP) com 100% de desconto.
Com a nota obtida no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) do ano passado, o estudante foi pré-selecionado pelo programa e, segundo ele, atendia aos critérios exigidos, incluindo a renda familiar de até 1,5 salário mínimo por pessoa, limite estabelecido para a bolsa integral.
A negativa ocorreu durante a análise dos documentos. De acordo com a universidade, os extratos bancários apresentados indicavam uma movimentação financeira acima do permitido pelo Prouni. Eduardo afirma, porém, que os valores identificados não representam renda. Segundo ele, os depósitos e saques registrados na conta da mãe estão relacionados a plataformas de apostas virtuais.
Estudante tenta ingressar na faculdade
Morador de um bairro periférico de Campinas, Eduardo está desempregado e vive com a mãe, que é aposentada. Segundo ele, a renda familiar não ultrapassa um salário mínimo, o que permitiria o acesso à bolsa integral.
O estudante também criou, ao lado do irmão gêmeo Leonardo, a página Vegano Periférico nas redes sociais, onde compartilham conteúdos sobre alimentação e experiências da periferia. O perfil, no entanto, não gera renda, segundo Eduardo.
Enquanto o irmão já concluiu a graduação em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Eduardo ainda busca iniciar o ensino superior e via no Prouni uma oportunidade para realizar esse objetivo.
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Recurso
Após a negativa da bolsa, ele compareceu à universidade para tentar reverter a decisão e apresentou recurso administrativo. No documento, também mencionou a possibilidade de a mãe enfrentar um quadro de dependência em jogos, embora sem diagnóstico formal.
Pelas regras do Prouni, a conferência da documentação e a avaliação dos critérios socioeconômicos são responsabilidades das próprias instituições de ensino que oferecem as bolsas.
A tentativa, porém, não teve sucesso. Em resposta ao estudante, a UNIP informou que a reanálise dos documentos só poderia ocorrer durante o período de entrevistas do programa e que, após o encerramento da etapa, o sistema não permite novas alterações. O estudante entrou com outro recurso que segue em andamento. Caso o benefício seja negado novamente, ele afirma que recorrerá à Justiça para tentar garantir o direito à bolsa integral.
(*Gabrielle Borges, estagiária de jornalismo sob supervisão de Felipe Saraiva, editor web de OLiberal.com)
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