Chuva, vento e nuvens: o que é analisado antes de um voo
Condições meteorológicas são acompanhadas desde o planejamento até o fim da operação e podem levar a mudanças de rota ou adiamento da viagem
A morte do cantor Rick, da dupla Rick & Renner, e de outras quatro pessoas na queda de um helicóptero na Serra Catarinense voltou a chamar atenção para a segurança das operações aéreas. A aeronave desapareceu na tarde da última segunda-feira, 21, depois de sair de Porto Belo, em Santa Catarina, e os destroços foram encontrados no dia seguinte. As causas do acidente ainda são investigadas.
Antes de um voo começar, as condições do tempo estão entre os fatores que precisam ser avaliados. De acordo com informações da Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), essa análise depende do tipo de operação, da aeronave e da fase do voo. Na decolagem e no pouso, são observados o vento em superfície, a visibilidade, o tempo presente, a cobertura e a altura das nuvens, a temperatura, a pressão atmosférica e as condições da pista.
Durante o trajeto, a avaliação continua. São acompanhados os ventos em altitude, a nebulosidade, a chuva, as trovoadas, a turbulência e a possibilidade de formação de gelo na aeronave. Antes da decolagem, o piloto também deve analisar as condições observadas e previstas para o local de origem, o destino, possíveis locais alternativos e toda a rota.
Para fazer essa avaliação, são utilizados diferentes produtos de meteorologia aeronáutica. Entre eles estão o METAR, o SPECI, o TAF, o SIGMET, o AIRMET, avisos de vento e de cortante do vento, além de cartas de vento e temperatura em altitude, SIGWX e GAMET. Também são utilizadas imagens de satélite, radar meteorológico e sistemas de detecção de descargas elétricas.
Essas informações permitem identificar situações que podem aumentar os riscos durante uma operação. Entre elas estão baixa visibilidade, teto baixo, chuva intensa, tempestades, granizo, raios, turbulência, rajadas de vento e formação de gelo. Nuvens de grande desenvolvimento vertical, como TCU e cumulonimbus, também exigem atenção por poderem estar associadas a chuva forte, granizo, raios, turbulência e cortante do vento.
Nessas situações, pode ser necessário evitar as áreas de maior instabilidade. A análise leva em conta as condições encontradas e os limites da operação. No caso dos helicópteros, também são consideradas as características da aeronave, os equipamentos disponíveis, o tipo de operação e as condições do local.
Chuva, vento e baixa visibilidade podem ter impactos diferentes dependendo da aeronave e da fase do voo. Helicópteros podem ser afetados por trovoadas, rajadas, turbulência causada pelo relevo ou por edificações, chuva, baixa visibilidade, temperatura e densidade do ar. As limitações próprias do voo pairado também fazem parte dessa avaliação.
A presença de chuva, sozinha, não determina se um voo será realizado ou interrompido. A decisão considera o conjunto das condições meteorológicas, os limites aplicáveis e as características de cada operação. Dependendo do cenário, o voo pode ser atrasado, ter a rota alterada, retornar ao ponto de origem ou mudar o local de pouso.
O acompanhamento do tempo continua depois da decolagem. Caso as condições mudem durante o trajeto, os riscos precisam ser novamente avaliados. A REDEMET, portal oficial do DECEA, disponibiliza informações meteorológicas usadas no planejamento e no acompanhamento das operações aéreas.
O Centro Integrado de Meteorologia Aeronáutica, o CIMAER, produz informações de Meteorologia Aeronáutica a partir de dados de estações meteorológicas, radares, satélites, sistemas de detecção de descargas elétricas, observações em altitude, relatos de aeronaves e modelos numéricos de previsão.
Durante o voo, as atualizações meteorológicas também podem ser obtidas por data link, sistemas meteorológicos de bordo e pelo serviço VOLMET. Quando há mudanças rápidas no tempo, as informações podem ser atualizadas nos produtos e avisos meteorológicos disponibilizados pela REDEMET e, quando aplicável, comunicadas pelos órgãos de controle de tráfego aéreo.
Fenômenos de maior escala, como El Niño e La Niña, também podem modificar padrões de chuva, temperatura, circulação atmosférica, ventos e tempestades em determinadas regiões e períodos. Esses fenômenos indicam tendências e probabilidades, mas não mostram, sozinhos, quais serão as condições encontradas em um voo específico.
Por isso, a avaliação precisa considerar as informações meteorológicas válidas para a região, a rota e o período da operação. Segundo a FAB, o planejamento e o gerenciamento dos riscos devem levar em conta, de forma integrada, as condições do tempo, as características da aeronave, o tipo de operação, os limites operacionais e as alternativas disponíveis.
A avaliação das condições meteorológicas deve começar ainda no planejamento e continuar durante a operação. Se houver mudanças relevantes, o cenário pode ser reavaliado e o planejamento, a rota ou a continuidade do voo podem ser ajustados.
No caso das operações com helicópteros, também devem ser observadas as particularidades da aeronave, do local e do perfil da operação, além dos respectivos limites e procedimentos. A antecipação de situações que possam comprometer a segurança permite que medidas preventivas sejam tomadas antes que o risco aumente.
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