Tacacá, maniçoba e vatapá: a comida paraense que enche de sabor as ruas de Belém

Os ingredientes do Norte podem estar brilhando em menus de restaurantes caríssimos do Sudeste atualmente, mas na capital paraense é comida para todos

Lucas Costa
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Quando alguém está conhecendo Belém, aonde você o leva para comer maniçoba, tacacá ou vatapá? Certamente o que vem à cabeça não é um shopping ou um lugar fechado com ar condicionado. Isso porque as comidas típicas do Pará, servidas por toda Belém, estão atreladas a uma experiência que vai além do paladar: a comida paraense invade todos os sentidos.

Se o jambu e outros ingredientes típicos da região Norte hoje brilham nos menus de restaurantes de altíssima gastronomia no sudeste do país, por aqui os clássicos tacacá, maniçoba e vatapá são comida de rua, ou melhor, comidas de pé no chão.

Tacacá do fim da tarde

O Tacacá do Renato é exemplo desse hábito de comer comida paraense pelas ruas. Renato Nascimento, dono do estabelecimento que tem algumas filiais pela capital, conta que apesar de ter alguns pontos no estilo restaurante, “mais aconchegantes”, é na calçada da Travessa Pirajá, na esquina com a Avenida Duque de Caxias, que se formam longas filas no fim da tarde, com paraenses ávidos pelo tacacá.

“O pessoal é mais chegado aqui. É tradição o tacacá na rua, é um lugar aberto”, conta Renato sobre o carrinho. “O tacacá vem dos antigos, que botavam uma mesinha na porta e vendiam tacacá, e aí botamos essa e dá mais gente aqui, é interessante. Dá mais gente do que nas duas unidades onde é mais aconchegante. O pessoal gosta de pegar o vento natural, é gostoso”, completa.

Carrinhos de comida como o de Renato são, de fato, tradição. E na família do próprio isso é exemplo, já que tanto ele quanto os irmãos seguiram o ofício da mãe, e hoje são donos de diferentes pontos de venda de comidas típicas pela capital paraense.

Não é difícil encontrar um prato farto de comida paraense pelas ruas de Belém, e os cardápios sempre têm pelo menos os quatro itens essenciais: tacacá, vatapá, caruru e maniçoba, e alguns desses podem até ser combinados. Para quem deseja matar a vontade de maniçoba e vatapá, por exemplo, vai um “vataçoba”; incluindo uma concha de caruru, chegamos na “varuçoba”.

Maniçoba e vatapá o dia inteiro

E se o tacacá brilha no fim da tarde, no horário do almoço e no jantar, dois dividem o pleito: o vatapá e a maniçoba. A disputa entre os carrinhos é de qual o mais “adubado”, e nessa competição silenciosa, um destaque vive no meio do centro comercial de Belém, a Barraca da Fafá.

Ali na Rua Treze de Maio, no bairro da Campina, um cheiro chama a atenção daqueles que passaram a manhã toda fazendo compras no comércio. “Eles passam aqui, veem esses pratos enfeitados, cheira muito, e dizem: ‘é aqui que vou comer’. Sentam e comem pra valer”, diz orgulhosa Maria de Fátima Araújo - a Fafá, que serve com sorriso no rosto a multidão que disputa um lugar em baquinhos de plástico, seja em dias de sol ou de chuva.

A maniçoba da Fafá é adubada até mesmo no empratamento. Além das porções de massa de maniva e arroz branco, vai ainda uma quantidade de camarão e jambu. Ela, que se tornou vendedora de comidas típicas porque sentia vontade de comer maniçoba o ano inteiro, também revela que o segredo de sua comida está em algo compartilhado por muitos paraenses, o sentimento de afeto aos pratos.

“Eu gosto muito de fazer a maniçoba, todas as minhas comidas faço com muito carinho; e também as coisas boas, eu não ponho nada de segunda na maniçoba, só coisa de primeira. Isso é o que faz a maniçoba ficar gostosa”, revela Fafá.

Belém Pra Ver e Sentir
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