Vias alternativas à Augusto Montenegro, Bruno Sechi e Rodovia do Tapanã têm aumento de fluxo
Rotas foram criadas para ajudar a distribuir o trânsito, mas passaram a registrar movimento mais intenso de carros e motocicletas
Vias utilizadas como alternativas à avenida Augusto Montenegro, em Belém, passaram a concentrar um movimento cada vez maior de veículos, especialmente nos horários de pico. Na manhã de terça-feira (15), moradores e condutores que circulam diariamente pela Rodovia do Tapanã e pela avenida Bruno Sechi relataram mudanças no fluxo e apontaram momentos de congestionamento que já interferem na rotina de quem utiliza os corredores.
A Augusto Montenegro é um dos principais eixos de deslocamento da capital, com grande circulação de carros, ônibus e motocicletas. A criação da Bruno Sechi e a duplicação da Rodovia do Tapanã tiveram, entre os objetivos, oferecer caminhos alternativos e dividir o fluxo. Com o crescimento da procura por essas rotas, porém, os relatos indicam que o trânsito também se tornou mais intenso nesses locais.
Na Bruno Sechi, o comerciante Vitor Sousa da Silva, de 35 anos, que trabalha há 15 anos na via, afirma que o movimento aumentou desde a mudança na configuração do acesso. Segundo ele, antes havia um semáforo na área, o que tornava a passagem mais controlada.
“Antigamente era a Rua Yamada, tinha um sinal e era mais controlado. Agora, com a rotatória, ficou muito mais intensa a circulação de veículos. Pode acontecer acidente, o fluxo de carro e moto aumentou muito mais. Às vezes dá um engarrafamento”, relata.
Vitor diz que a movimentação é diária e se intensifica principalmente pela manhã e no fim da tarde. “De 7h até por volta de 9h30, engata um pouco o fluxo. E, no decorrer do final do expediente de trabalho e retorno da escola, aumentam muito mais também. A partir das 17h até mais ou menos 22h”, afirma.
Para o comerciante, a Bruno Sechi ainda cumpre a função de alternativa, mas o crescimento do movimento modificou a experiência de quem passa pelo local. “Aumentou muito o fluxo de carros nessa parte. Ainda chega a ser uma rota de escape, pois a maioria dos motoristas passa por aqui sempre. Mas a pessoa tem que lidar com o engarrafamento”, diz Vitor.
Mudanças
O motociclista Edson Cleiton Soares Ferreira, autônomo de 44 anos, também utiliza a região com frequência. Ele afirma que passa pela via constantemente e compara o cenário atual com o período em que a Bruno Sechi foi reformada.
“Logo no início, quando reformaram, melhorou bastante. Só que o tempo vai passando. O número de veículos, de motocicletas também vai crescendo e chega um ponto em que vai se tornando uma via principal. Para entrar na Augusto Montenegro, também aqui na Bruno Sechi, está bastante lotado de carros todos os dias. Principalmente nesses horários de fluxo”, relata.
Edson considera que o crescimento da frota exige novas alternativas de deslocamento. “Eu acredito que seria bom abrir uma outra via, uma outra rodovia. Só não sei de que jeito, de que forma. Belém, a cada ano que passa, está cheia de veículos. Eu acredito que teria que abrir uma outra rua. Mas é que não existe espaço para uma outra rodovia”, aponta.
Retenções
Na Rodovia do Tapanã, a cozinheira Maria Raimunda Valente de Souza, de 44 anos, moradora da área, relata que o trânsito se tornou mais difícil. Ela afirma que consegue perceber a mudança por acompanhar o movimento diariamente.
“O trânsito é horrível, tem que ter paciência, porque, se não, tem confusão. Já presenciei confusão de trânsito aqui. A pessoa, para sair da sua casa e enfrentar um trânsito desse, precisa ter paciência para não ter desentendimentos”, conta.
Maria também compara a configuração atual da via com o período em que havia um semáforo no local. “Na minha opinião, poderia ter colocado um sinal para melhorar mais, porque assim não tem condições. A gente que está aqui já consegue perceber o fluxo, muitos carros passam por aqui para fugir da Augusto Montenegro, mas se deparam com o fluxo igual”, relata.
Segundo Maria, a procura pela rota aumentou porque ela permite acessar outros pontos da cidade. “O trânsito de todas essas vias é semelhante. Pelo fato de ter aberto essa rota, que dá acesso para a Arthur Bernardes e para o Cordeiro. Então, eu acho que eles vão procurando a rota mais fácil”, afirma.
Monitoramento do fluxo
Isaías Reis, diretor de Transporte da Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade de Belém (Segbel), afirma que a Rodovia do Tapanã e a avenida Bruno Sechi foram estruturadas para funcionar como alternativas à Augusto Montenegro.
“A Rodovia do Tapanã e a avenida Bruno Sechi são duas vias que têm suas dimensões adequadas. Ambas são de sentido duplo, ambas têm canteiro de separação, faixas sinalizadas e equipamento de controle de velocidade”, afirma.
Isaías explica que a criação das vias alternativas teve como objetivo dividir o fluxo da Augusto Montenegro. “A intenção de criar a Bruno Sechi e fazer a duplicação da Rodovia do Tapanã foi justamente essa: desafogar a Augusto Montenegro. É uma via em que o crescimento populacional aumentou muito, com muitas construções de condomínios residenciais ao longo dela, e a gente precisava de vias alternativas”, diz Isaías Reis.
De acordo com o diretor, a Segbel acompanha o movimento nas duas rotas e identificou um ponto de atenção no cruzamento de acesso à Augusto Montenegro. “A gente tem feito estudos e tem notado um fluxo de veículos que chega do Tapanã e da Bruno Sechi no cruzamento da avenida Augusto Montenegro com a Mário Covas ou com o Tapanã, que é o mesmo cruzamento. Já estamos fazendo estudos de como viabilizar melhor o fluxo naquele cruzamento", afirma.
Isaías aponta o local como um “gargalo” para quem utiliza as vias alternativas e precisa acessar a Augusto Montenegro. “É uma via que já está no nosso radar, nos nossos estudos, para fazer uma modificação de forma a garantir tanto a segurança como a fluidez no local”, explica.
Crescimento
Isaías confirma que os horários mais críticos são pela manhã e no fim da tarde.
“O número de novos residenciais ao longo da Augusto Montenegro, da própria Bruno Sechi e do Tapanã gerou, consequentemente, um fluxo bem maior de veículos. Os horários críticos são da manhã, entre 7h e 8h30, e no final da tarde, entre 17h e 17h30 até 19h”, afirma. Após esses períodos, segundo o diretor, o fluxo tende a voltar à normalidade.
Ele cita quais medidas estão sendo consideradas para melhorar a circulação. “Uma medida que é padrão em todos os grandes centros é melhorar o transporte público, de forma a incentivar os usuários da via a utilizar o transporte público, diminuindo assim o fluxo de veículos”, afirma.
Segundo Isaías, a Segbel já trabalha em estudos técnicos sobre o transporte e pretende apresentar os resultados à comunidade após a conclusão. “Nós já estamos com estudos técnicos bem avançados em relação ao transporte, tirando um diagnóstico de onde estamos e para onde queremos ir. Nossos técnicos estão debruçados nisso e, tão logo sejam concluídos os estudos, eles serão apresentados”, conclui.
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