Durante a homilia deste sábado (29), referente ao 22º Domingo do Tempo Comum, o padre Cláudio Pighin refletiu sobre o chamado à vida apresentado pelas leituras bíblicas e sobre a necessidade de compreender esse chamado a partir do projeto de Deus. Para o sacerdote, a vida não deve ser compreendida apenas dentro dos limites da existência terrena, mas a partir da revelação feita por Jesus.
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Segundo Pighin, o primeiro passo é discernir o significado da vida e compreender por onde ela passa. “A leitura desse trecho da Palavra de Deus revela que somos chamados à vida. E nisto precisamos apostar tudo. Então, a primeira coisa de que precisamos é discernir o que é a vida”, afirmou.
Na reflexão, o padre destacou que, conforme os ensinamentos de Jesus, a vida não pode ser restrita ao mundo. Ele afirmou que a verdadeira vida está relacionada ao projeto de Deus, revelado por Cristo.
Essa compreensão, segundo o sacerdote, também ajuda a entender a rejeição enfrentada por Jesus por parte das autoridades religiosas de seu tempo.
Pighin também relacionou a passagem à tendência humana de interpretar a vontade de Deus a partir dos próprios interesses.
“Às vezes, se tivermos a coragem de admitir, também nós queremos fazer da nossa vida o que achamos certo e pretendemos que isto seja vontade de Deus”, declarou.
Na avaliação do padre, isso pode levar à criação de um 'Deus produzido por nós mesmos', em vez da busca por uma experiência de Deus e de Jesus.
A reflexão também passou pela figura do apóstolo Pedro. Pighin lembrou que, apesar de ter acompanhado Jesus diretamente, Pedro teve dificuldades para compreender o significado da missão de Cristo e rejeitou a ideia do sofrimento e da cruz. O sacerdote destacou que o episódio demonstra a distância que pode existir entre a fé professada e a compreensão humana sobre os caminhos de Deus.
“Se Pedro, que viveu corpo a corpo com Jesus, teve essas dificuldades, imaginem nós que não tivemos essa experiência direta”, afirmou.
Para o padre, a própria fraqueza de Pedro demonstra o papel da graça divina. Ele destacou que o apóstolo se tornou uma referência para a Igreja não apenas por suas capacidades humanas, mas pela escolha de Deus. A partir disso, Pighin afirmou que as limitações humanas para compreender a vida para além do contexto histórico fazem parte da reflexão proposta pela passagem.
“Nós temos dificuldades de entender a vida além do nosso contexto histórico. Somos demais atraídos pelo planeta Terra”, disse.
Outro ponto central da homilia foi o significado da cruz. Pighin afirmou que, embora seja associada ao sofrimento, à crueldade e à humilhação, ela também é uma revelação divina. Para o sacerdote, essa compreensão não depende apenas das capacidades humanas, mas da graça de Deus.
Ele observou ainda que é mais fácil aceitar Jesus como Messias e reconhecer seus milagres e seu poder do que compreender a figura de Deus manifestada na cruz.
Nesse sentido, a reação de Pedro diante do sofrimento de Cristo, segundo Pighin, representa uma dificuldade que também pode estar presente na experiência de fé. “Preferimos um Deus glorioso, poderoso e não derrotado numa cruz”, acrescentou.
O sacerdote também abordou a tendência humana de rejeitar o sofrimento. Segundo ele, a mensagem de Jesus apresenta justamente uma perspectiva diferente, na qual a verdadeira vida se manifesta por meio da entrega e da disposição de abandonar a lógica centrada apenas nos interesses pessoais.
Para o padre, o ensinamento representa um convite à renúncia de uma concepção individual de Deus para acolher aquela apresentada por Jesus. “Este imperativo do mestre significa renunciar à própria ideia de Deus para aceitar aquela de Jesus, um Deus que se doa até o fim”, explicou.
