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CULTURAL

Museu Goeldi tem programação sobre povos indígenas em Belém, a partir desta sexta (5)

Público poderá conferir riqueza da cultura dos povos ancestrais do Brasil por meio de mostra audiovisual, rodas de conversa, palestras, contação de histórias e feira de artesanato

O Liberal

3 de abril de 2024 às 22:10

Povos indígenas expõem aspectos de sua cultura no Parque Zoobotânico do Museu Emílio Goeldi, em Belém (PA)

Povos indígenas expõem aspectos de sua cultura no Parque Zoobotânico do Museu Emílio Goeldi, em Belém (PA) ( Foto: Foto: Maycon Nunes / Ag. Pará )

Instalado no centro de Belém, em plena Amazônia, o Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) vai sediar a partir desta sexta-feira (5) e ao longo deste mês de abril uma programação enfocando a riqueza da cultura dos povos indígenas. Essa programação de abril do programa Museu Goeldi Terra Indígena foi articulada em colaboração com associações étnicas.

Até o dia 21, o público visitante em vários ambientes desse espaço poderá conferir a diversidade sociocultural, tecnologias indígenas de uso e manejo de plantas, animais e ambientes amazônicos, movimentos de resistência e compartilhamentos de histórias, muitas histórias. 

A atividade que abre o ciclo de eventos nesta quinta-feira (4), às 9h, é uma mostra audiovisual dos diretores indígenas Lucinho Tavares Kanamari (Winih), Markus Schall Enk e Shapu Mëo Matis. A mostra “Sobre câmeras, espíritos e ocupações”, acontecerá no auditório do Centro de Exposições Eduardo Galvão, no Parque Zoobotânico.

Sentidos apurados para a descoberta científica

No mesmo auditório, no dia 11, às 10h, tem Drops de Ciência com o arqueólogo Marcos Magalhães, pesquisador titular e docente do Programa de Pós-Graduação em Diversidade Sociocultural do Museu Goeldi, que traz um tema para balançar certezas: “A antropogênese contra a distopia antropocênica: as tecnologias ancestrais que cultivaram a Amazônia”. E, no dia seguinte, 12, também às 10h, será realizada uma roda de conversa com a equipe do projeto “Floresta Sensível”.

O "Floresta Sensível" é um convite para conhecer, usando os sentidos, algumas plantas importantes para os diversos povos que coexistem com a Floresta Amazônica, seus conceitos cosmológicos e os diálogos da ciência com esses saberes acumulados em séculos e milênios por povos e comunidades florestais. O projeto pode ser visitado, em tour virtual de 360° e imersivo, no site da "Floresta Sensível".

Na semana seguinte, no dia 17, quem comanda a conversa no Auditório do Centro Eduardo Galvão, a partir das 10h, é a doutoranda em Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Pará, Luana Kumaruara. Ela traz a palestra “Acampamento Terra Livre”. 

No dia 19, os visitantes do Zoobotânico do Museu Goeldi terão duas atividades para optar. Na área do Castelinho, haverá “Histórias indígenas para crianças”, com a contadora de histórias Zeneida Mello; na Biblioteca Clara Galvão acontece a roda de memória sobre Cultura Material Indígena, com Suzana Karipuna (socióloga e técnica da Coleção Etnográfica do Museu Goeldi) e Manoela Karipuna (socióloga e doutoranda na Universidade Federal do Pará).

No sábado e domingo (20 e 21), o público visitante poderá conferir a Feira de Exposição e Venda de Artefatos Indígenas. O Domingo de Ciência traz também a contação de história “Rebujo da Boiúna”, conduzida pela contadora Joana Chagas (Wyka Kwara).

Identidade e representatividade indígena

Em setembro de 2023, o Parque Zoobotânico do MPEG foi declarado como terra indígena, expressando a relevância dos laços históricos existentes entre a instituição e os diferentes povos indígenas. Entre outros objetivos, o programa Museu Goeldi Terra Indígena visa promover e reforçar as redes de diálogo que envolvem a comunidade científica, as populações originárias e a sociedade em geral. 

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“Estamos vivendo um momento de aproximação e vivência no Museu Emílio Goeldi. Estamos construindo a relação de entendimento do território e da vivência. Esse território não se trata apenas de ‘chão’, mas um território de existência, de vivência, de conhecimento. Um território de pensamento, de falar e de existir”, declarou Kwahary Tenetehar, presidente da Associação Nacional Multiétnica Wyka Kwara, sobre o papel das instituições museais no registro do passado, na reflexão sobre o presente e na construção do futuro.

Como explica Emanoel Fernandes, coordenador de Museologia do Goeldi, o programa parte de uma declaração simbólica para reafirmar o compromisso do Museu Goeldi com a diversidade cultural e com os valores democráticos. “Sendo uma instituição que trabalha há mais de 150 anos pesquisando, preservando e difundindo os valores das culturas indígenas, nada mais natural do que refirmar esse compromisso a partir do reconhecimento de que o Parque do Museu Goeldi é também uma terra ancestral”, ressalta Fernandes.

Programação de abril do Museu Goeldi Terra Indígena

Sexta-feira - 05/04 

9h – Abertura do Mês dos Povos Indígenas do Museu Goeldi
10h – Mostra audiovisual: Exibição do tríptico “Sobre câmeras, espíritos e ocupações”
Local: Auditório do Centro de Exposições Eduardo Galvão

Quinta-feira - 11/04 

10h – Drops de Ciência: “A antropogênese contra a distopia antropocênica: as tecnologias ancestrais que cultivaram a Amazônia.”
Convidado: Marcos Magalhães (COCH/ PPGDS/ MPEG)
Mediação: Joice Santos
Local: Auditório do Centro de Exposições Eduardo Galvão

Sexta-feira - 12/04

10h – Roda de conversa: Projeto “Floresta Sensível”
Local: Auditório do Centro de Exposições Eduardo Galvão

Quarta-feira - 17/04 

10h – Palestra: “Acampamento Terra Livre”
Palestrante: Luana Kumaruara (Doutoranda em Sociologia e Antropologia - PPGSA/UFPA)
Local: Auditório do Centro de Exposições Eduardo Galvão

Sexta-feira - 19/04

10h – Contação de história “Histórias indígenas para crianças”
Contadora: Zeneida Mello (COMUS/ MPEG)
Local: Área do castelinho

10h – Roda de memória sobre Cultura Material Indígena
Facilitadoras: Manoela Karipuna (UFPA) e Suzana Karipuna (COCH/MPEG)
Local: Biblioteca Clara Galvão

Sábado - 20/04

9h às 13h – Feira indígena
Local: Centro de Exposições Eduardo Galvão

Domingo - 21/04

9h às 13h – Feira Indígena
Local: Centro de Exposições Eduardo Galvão

10h – Contação de história “Rebujo da Boiúna”
Contadora: Joana Chagas (Wyka Kwara)
Local: Biblioteca Clara Galvão

Onde fica o Museu Emílio Goeldi