Gastronomia vira ferramenta de transformação social em comunidades de Belém
Oficina do Círio Iluminado 2026 reúne moradores da Vila da Barca e São Lourenço em atividades de qualificação profissional
Mais do que uma expressão da cultura paraense, a gastronomia tem sido usada em Belém como caminho para geração de renda, qualificação profissional e transformação social. É nesse contexto que o projeto Círio Iluminado 2026 reúne mais de 500 pessoas de diferentes comunidades em ações formativas. Entre as atividades de maior procura está a oficina de gastronomia, realizada simultaneamente nas comunidades da Vila da Barca, no bairro do Telégrafo, e São Lourenço, na Condor, voltada ao aperfeiçoamento de pessoas que já encontram na cozinha uma fonte de sustento.
Reconhecida pela Unesco como Cidade Criativa da Gastronomia desde 2015, Belém encontrou na culinária uma das formas de valorizar seus saberes, fortalecer iniciativas comunitárias e ampliar oportunidades. Comandadas pela chef Lena Kato, que acumula 25 anos de experiência na culinária, as aulas focam em repaginar os pratos tradicionais da quadra nazarena. O cardápio do curso inclui desde o clássico vatapá até moqueca com tucupi, arroz cremoso de jambu e panificação regional, como o pão de castanha. "Trabalhamos receitas novas sem perder a raiz. Ensinamos técnicas diferenciadas, como o preparo de 'pirarucu falso' a partir da salga da pescada amarela", disse a chef.
A técnica surpreendeu alunos como Jéssica Caroline, que deixou o emprego formal há nove meses para abrir o próprio negócio após anos trabalhando no mercado do Ver-o-Peso. "Estou aprendendo coisas que nem tinha noção e vou levar esses conhecimentos para o meu restaurante", contou. A oportunidade de aprimoramento também atraiu veteranos como Elton Monteiro com mais de duas décadas de atuação na culinária popular e afro-brasileira. “Trabalho com a comida paraense e baiana, o que estou vivendo aqui me abre novos horizontes para o meu futuro como empreendedor, vou sair daqui com outra visão do que posso fazer”, afirmou Elton.
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Para o diretor do Círio Iluminado, Olívio Rafael, o legado da formação vai além do aprendizado técnico. "A gastronomia deixou de ser apenas sobrevivência para se tornar valor de pertencimento e patrimônio. Capacitar essas pessoas garante condições de igualdade em um mercado competitivo e fortalece o turismo", ressaltou.
Patrocinado pela Equatorial Pará por meio das leis de incentivo à cultura Rouanet e Semear, e com produção executiva da Associação Pernambucana Compartilhar (Aspecom), o projeto busca descentralizar as oportunidades. Segundo Michelle Miranda, analista de responsabilidade social da distribuidora de energia, a meta é conectar a força do Círio ao desenvolvimento territorial. "Queremos oferecer qualidade e geração de renda para que os moradores dessas comunidades não sejam apenas espectadores da celebração, mas protagonistas dela", afirmou.
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