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Estudantes surdos do Instituto Felipe Smaldone visitam a sede de O Liberal

Estudantes observaram o funcionamento da redação integrada, do parque gráfico e do setor comercial de O Liberal

Ayla Ferreira*
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No Setembro Azul, mês dedicado à luta, conscientização e divulgação da cultura e comunidade surda, a redação integrada de O Liberal, localizada no bairro do Marco, em Belém, recebeu onze estudantes surdos do Instituto Felipe Smaldone. A visita pedagógica foi nesta terça-feira (15), pelo período da manhã. Os alunos observaram de perto o funcionamento da redação integrada, que une o portal, impresso e as rádios Liberal+ e Liberal FM. Visitaram, ainda, o parque gráfico, onde o jornal impresso é produzido, e também o setor Comercial.

Na ocasião, estiveram presentes alunos do 8º e 9º ano, além da professora Leilane Monteiro, que leciona Libras e Língua Portuguesa no Instituto Felipe Smaldone, e a vice-diretora pedagógica da instituição, Clarice Bittencourt. Os estudantes foram recebidos por quatro colaboradores do Grupo Liberal: Sérgio Oliveira, diretor de mercado leitor; Luciana Sassim, gerente de marketing; Everaldo Nascimento, coordenador de fotografia; e Heloá Canali, editora executiva digital.

Visita dos estudantes do estudantes surdos do Instituto Filippo Smaldone

Heloá Canali iniciou a visita pedagógica com a apresentação do trabalho realizado na redação integrada e as especificidades do jornalismo digital. Já Everaldo Nascimento destacou o fluxo do impresso e da fotografia bem como a atuação da equipe na busca ativa por notícias e o funcionamento da seleção de imagens dentro do fotojornalismo.

Os estudantes seguiram, posteriormente, para o parque gráfico, onde são impressos os jornais de O Liberal. O último setor visitado foi o Comercial, responsável por estratégias de marketing e publicidade do Grupo.

Aprendizado

Para a estudante do 9º ano Ana Carolina Moreira, de 14 anos, poder ver as máquinas que realizam a impressão do jornal de perto foi a parte mais encantadora da visita. “As máquinas de fazer a impressão do jornal são muito grandes. Foi legal ver todo esse processo de como é feito o jornal impresso. Também achei bem interessante a parte da lâmina, tem as imagens lá no papel e depois isso se transforma no jornal”, diz a aluna.

Ana pretende ser bombeira no futuro, mas faz parte de um jornal escolar no Instituto Felipe Smaldone, no qual é responsável pela editoria de Cultura. “Lá tem vários textos, vamos falar de cultura. A gente fica pensando no que escrever e falar, as imagens que vamos utilizar e como imprimir. Observamos como é feito aqui e como entregar para as pessoas verem também”, compartilha.

Já o aluno Gabriel Freitas, de 14 anos e estudante do 8º ano, sonha em ser professor no futuro. “Gostei muito da parte dos textos, de como é escrito e produzido. Achei interessante a redação, poder ver como as matérias são escritas”, conta.

Ele também integra o jornal escolar da instituição de ensino. Lá, é responsável pelos desenhos que ilustram a capa do jornal. “Fiz um desenho das enchentes em Belém, de uma casa durante o período das chuvas”, relembra.

Inclusão no jornalismo

O jornalismo conta com recursos que possibilitam a inclusão de estudantes surdos, por meio de softwares e recursos assistivos. Segundo Clarice Bittencourt, vice-diretora do Instituto Felipe Smaldone, alguns estudantes acreditavam que a surdez era um fator limitante para seguir na carreira jornalística, mas perceberam que também podem ocupar os espaços e se tornarem profissionais da área no futuro.

Ela conta que os estudantes possuem um projeto de jornal escolar, no qual escrevem textos para o formato impresso e produzem vídeos, apresentados em Libras. “Quando eles chegam aqui e percebem que também podem atuar nos espaços, já muda a perspectiva de futuro. Eles podem passar a considerar o jornalismo, algo que talvez não tivesse despertado sem a visita”, afirma.

Segundo a professora Leilane Monteiro, o projeto do jornal escolar surgiu a partir do estudo do gênero textual jornalístico. Na instituição, os alunos aprendem Libras e Língua Portuguesa escrita, por meio de ensino bilíngue. “Sou assinante do jornal O Liberal e passei a levar para a sala de aula, foi uma escolha majoritária da turma”, destaca.

“Essa foi a primeira visita da turma ao jornal O Liberal. Eles não conheciam e puderam ver tudo de perto, isso é muito diferente para eles, já que são visuais e precisam sentir o concreto das coisas, ver de fato como é que está acontecendo. Tenho certeza que a visita vai ficar marcada, e que a compreensão vai ser muito melhor, as aulas vão ganhando outro sentido”, finaliza.

*Ayla Ferreira (estagiária sob supervisão de João Thiago Dias, coordenador do Núcleo de Atualidades)

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