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MEIO AMBIENTE

Consolidar a Amazônia como palco de soluções é o foco, diz diretora do IPAM em II Semana do Clima

O evento, promovido em parceria por mais de 30 instituições, é realizado em Belém entre os dias 29 de junho e 4 de julho. O objetivo dessa edição está em acompanhar a implementação de metas debatidas durante a 30ª Conferência das Partes (COP 30), que ocorreu na capital paraense em novembro de 2025

Lívia Ximenes

29 de junho de 2026 às 13:56

II Semana do Clima da Amazônia iniciou nessa segunda-feira, 29 de junho, em Belém

II Semana do Clima da Amazônia iniciou nessa segunda-feira, 29 de junho, em Belém ( Foto: Ivan Duarte / O Liberal )

Belém do Pará volta a ser o centro de discussões sobre mudanças climáticas, justiça ambiental e desenvolvimento sustentável nessa segunda-feira (29), com o início da II Semana do Clima da Amazônia. O foco para este ano, pós-30ª Conferência das Partes (COP 30) da Organização das Nações Unidas (ONU), é consolidar a região como palco de soluções e debates, segundo a diretora de Desenvolvimento Territorial do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) Lucimar Souza. O evento é promovido em parceria por mais de 30 instituições e segue até o dia 4 de julho.

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A II Semana do Clima visa acompanhar a implementação de metas debatidas durante a COP 30, realizada na capital paraense em novembro de 2025. Lucimar fala que, normalmente, os grandes eventos de discussão climática ocorrem fora da Amazônia. “Esse é o principal motivo do nosso esforço: consolidar a região amazônica como uma região capaz de promover debate de alta qualidade sobre a agenda socio-ambiental e, também, como uma região que propõe muitas soluções”, diz.

Diretora do IPAM Lucinar Souza destaca Belém e a Amazônica como palco fixo para discussões ambientais
Diretora do IPAM Lucinar Souza destaca Belém e a Amazônica como palco fixo para discussões ambientais (Ivan Duarte / O Liberal)

Com histórico rico em produções sobre o meio ambiente, a jornalista Sônia Bridi retorna a Belém para a programação e, durante painel ministrado na abertura, abordou as principais mudanças climáticas, a importância da ciência e a necessidade de divulgar as descobertas e transformações no planeta. “É preciso que as soluções para a Amazônia, que impactam o mundo inteiro, sejam soluções de quem conhece a Amazônia — e ninguém conhece a Amazônia melhor do que os amazônidas. Essas soluções têm que ser discutidas aqui, elas têm que ser amadurecidas e implementadas aqui”, comenta.

“Prefeitos e governadores da região amazônica: venham para a próxima semana do clima e participem. Fiquem, ouçam os debates, os cientistas, os ativistas. Tem muita coisa boa para se saber que, com baixo custo, vai melhorar a vida de todo mundo. As soluções estão aí, tem muita coisa a ser conversada, debatida e muito para se aprender”, destaca a jornalista. Sônia iniciou o painel falando que “ainda temos tempo” de cuidar da Terra e ela acredita que há oportunidades, mesmo que em curto período, para evitar que o planeta se torne um ambiente hostil para a existência humana.

Jornalista Sônia Bridi é experiente em coberturas sobre meio ambiente
Jornalista Sônia Bridi é experiente em coberturas sobre meio ambiente (Ivan Duarte)

A diretora do IPAM aponta que, entre as diversas características que tonam a Amazônia tão importante, está o fato de ser a maior floresta tropical do mundo. “Nós temos uma biodiversidade impressionante. Nós contribuímos para o ciclo de chuvas na região sul. As árvores da Amazônia jogam água para a atmosfera, que são os famosos rios voadores, que voam em direção à região sudeste do Brasil, levando chuva para a agricultura brasileira. Nós temos, no Brasil, uma economia que ainda é majoritariamente dependente das chuvas”, explica.

O agricultor familiar Milton Aparecido da Silva, morador do município de Placas, no oeste do Pará, afirma que promover debates é essencial para a defesa da vida do planeta e mostra a necessidade de novos comportamentos da comunidade: “A gente passa a ver que o mundo exige novas atitudes e novos produtos, que a gente precisa também, ao mesmo tempo, produzir, manter uma qualidade de vida boa para o nosso povo e você ter como aliada a floresta e o meio ambiente”. Milton, natural do Paraná, já morou em São Paulo e está em terras paraenses há 45 anos.

Agricultor familiar Milton Aparecido relata que algumas plantações afetadas pela seca de 2023 nunca foram recuperadas por completo
Agricultor familiar Milton Aparecido relata que algumas plantações afetadas pela seca de 2023 nunca foram recuperadas por completo (Ivan Duarte / O Liberal)

Em 2023, a Amazônia sofreu uma seca histórica, que reduziu o volume dos rios ao mínimo em mais de 120 anos. O agricultor relata que, cerca de três anos depois, algumas platações nunca foram recuperadas por completo — de açaí e cupuaçu, por exemplo. “Eu conheço um colega que tinha 3 mil pés de cacau e morreram os 3 mil pés de cacau. Hoje não tem como você fazer um plano para você trabalhar e plantar mudas se você não tiver irrigação. A irrigação se tornou necessária para a questão da sobrevivência da cultura. A gente não dependia, agora depende”, conta.

Para o agora, Lucimar Souza destaca que um dos grandes propósitos é firmar Belém como um espaço fixo no calendário mundial de conversas ambientais. “A outra expectativa, eu acho que de tanto a gente dizer o mundo vai ouvir, é que a gente não tem mais tempo para discutir o futuro”, pondera a diretora. Ela relembra que, a elevação da temperatura do planeta de 1,5° C prevista para 2050, já ocorreu em 2024: “Nós não estamos falando do futuro, nós estamos falando de hoje. Nós já estamos diante de muitos fenômenos que não deixam dúvidas de que as mudanças climáticas são reais e eu acho que nós ainda não temos ciência suficiente para entender nem qual é o impacto completo disso.”

“Se a gente conseguir fazer com que a sociedade compreenda essa mensagem e leve esse tema extremamente a sério e dê a atenção que esse tema merece, já é um grande resultado”, conclui Lucimar. A programação principal da II Semana do Clima da Amazônia ocorre até esta terça-feira, 30 de junho. Do dia 1º a 4 de julho, o debate segue com eventos autogestionados promovidos por mais de 60 organizações.