A Cripta da Basílica Santuário Nossa Senhora de Nazaré foi entregue, nessa segunda-feira (17), após três anos de reforma e restauro. Localizado no subsolo da igreja, o local está aberto para visitações agendadas a partir desta terça-feira (18), com acompanhamento da Equipe de Educação Patrimonial. A entrega ocorreu às 10h30, após Santa Missa.
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O momento contou com a presença de Padres Barnabitas da Basílica Santuário de Nazaré, entre eles o padre Francisco Cavalcante, pároco da igreja. Também estiveram na cerimônia a coordenadora-geral do projeto de restauro, Luci Azevedo; o diretor de engenharia da Diretoria da Festa de Nazaré (DFN), Antonio Salame; e a coordenadora do Instituto Cultural Vale, Gabriela Feitosa.

Novo uso da Cripta
Padre Cavalcante afirmou que, por hora, a Cripta será utilizada para visitações. Aos poucos, o local deve ser palco para atividades, como missas, recitação das Mil Ave-Marias e concertos sacros.
“A ideia é trazer para cá para que as pessoas possam contemplar a arte, a música e a beleza desse espaço, redescobrir esse espaço. A programação está sendo construída paulatinamente”, disse.

O pároco da Basílica Santuário de Nazaré acrescentou que, em breve, serão acrescentados vitrais, altar e outros utensílios para a composição do espaço. Enquanto isso, o público pode visitar a Cripta, com inscrição prévia no atendimento da igreja. Quem se intressar, deve entrar em contato via telefone no número 4009-8440.
“A Cripta nunca havia sido terminada como o projeto original [previu]. Então, no decorrer dos anos, ela foi utilizada de várias maneiras. Havia aqui umas divisões provisórias, materiais muito mais simples. Ela já era aberta de certa forma, porém não havia sido tão visitada, porque era de atuação de alguns grupos específicos e a assistiência era muito bem pontualizada”, esclareceu padre Cavalcante.
O local conta com exposição sobre a restauração, bancos, confessionários, banheiros e copa para suporte das atividades. Ademais, no processo de reforma, foram incluídas ferramentas de acessibilidade, como elevadores, rampas e banheiro para pessoas com deficiência (PcDs).
Trabalho dedicado
A aposentada Celeste Nogueira, de 79 anos, aproveitou a entrega para conferir os detalhes da Cripta. Durante observação do local, ela parabenizou o trabalho de todos os envolvidos: “Isso aí é uma verdadeira obra de arte. Os que trabalharam nela são artistas de verdade, do menor ao maior, porque aqui tudo é muito minucioso.”

Celeste, encantada com o espaço, lembrou que a restauração é um processo longo e de conservação do original. “Você não pode pegar um pincel e ir de qualquer jeito. Tem que obedecer uma regra, uma história. Cada detalhe tem a sua peculiaridade”, comentou.
O projeto para restauração da Basílica iniciou em 2010, de acordo com o diretor de engenharia da Diretoria da Festa de Nazaré (DFN), Antonio Salame. Por dois anos, o planejamento foi montado e, ao seguir para aprovação, retornou com novas exigências. Em 2023, após a captação de tudo necessário, as obras iniciaram.
“É uma alegria muito grande ver que esse espaço foi readequado para o uso de celebrações, de concertos e coisas que, realmente, possa contribuir com a grandeza do povo de Deus”, afirmou.

A coordenadora-geral do projeto de restauro, Luci Azevedo, apontou o cumprimento do cronograma de entrega da Cripta antes do Círio de Nossa Senhora de Nazaré 2026. Para além de missas e liturgias, o local deve ser utilizado como um espaço educativo, segundo Luci.
“Não tem mais nenhuma intervenção. O que vai se realizado agora é a colocação dos vitrais, que vão ser nas janelas laterais. Vai acontecer em novembro. Ainda tem toda uma organização de infraestrutura”, contou.

Restauração com apoio
O restauro da Cripta da Basílica Santuário Nossa Senhora de Nazaré e da igreja geral foi realizado com patrocínio da Vale, por meio da da Lei Federal de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet. Para a coordenadora do Instituto Cultural Vale, Gabriela Feitosa, a entrega é, principalmente, à população.
“A Basílica representa não só a materialidade da nossa cultura pela sua suntuosidade, pela história e memória que tem no nosso estado e para a comunidade de Belém — ela também carrrega toda a devoção do povo amazônico”, falou.