Crianças têm espaço especial durante Missa Inclusiva na Basílica, em Belém
A terceira edição da celebração ocorreu nesse sábado (15), com presença de intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras) e locais destinados a portadores de deficiência física e crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA)
Nesse sábado (15), ocorreu a 3ª Missa Inclusiva na Basílica Santuário Nossa Senhora de Nazaré, em Belém. Na celebração, as crianças tiveram espaço especial durante a homilia, ministrada pelo padre Richardson Oliveira Santos, pároco do Santuário Nossa Senhora do Bom Remédio. O padre convidou todos os pequenos presentes para ficarem nas escadas do altar e sentou-se em meio a eles.
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A Missa Inclusiva conta com intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras) e local destinado a pessoas com deficiência física. Além disso, há uma área reservada para a crianças que desejam brincar, supervisionada por voluntários especializados no atendimento a neurodivergentes. O espaço possui tapete emborrachado, grantindo segurança e conforto, principalmente àqueles com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Recomeço e fortalecimento da fé
Entre as crianças nas escadas do altar, estava Emmanuel Alfaia, de 17 anos. Filho de Eliana Alfaia, o adolescente é diagnosticado com TEA Nível 3 e epilepsia refrativa. Para a mãe, que também é assistente social, o acolhimento recebido foi transformador.
Eliana e a família voltaram a frequentar as missas nesse ano, após um período sem participar das celebrações. O retorno se deu pela participação de Eliana na Pastoral dos Surdos, presente na Missa Inclusiva. “Há um tempo, eu vinha para trazer ele e, às vezes, ele tinha crise. Eu ficava com vergonha e aí voltava novamente. Acabava deixando de vir”, contou.
“Eu trouxe, mas já com receio, porque ele tem crise de rotina. Eu cheguei aqui, encontrei toda essa estrutura e fiquei muito feliz de estar aqui, de ter essas estruturas para mim e para ele. Eu fui acolhida, eu me emocionei muito”, falou.
A assistente social foi às lágrimas, transbordando gratidão e alegria pelo momento vivido. Uma voluntária, ao vê-la chorar, ofereceu assistência, mas Eliana negou, dizendo que estava bem e feliz ao ver o filho sendo amado.
“Eu estava com medo, realmente, de vir, de trazer ele. Se tem barulhos, ele ia ter crise e as pessoas iam ficar olhando. Eu ia ficar com vergonha, mas aqui não”, destacou a mãe de Emmanuel. Eliana ressaltou a satisfação e classificou a oportunidade como uma renovação.
Importância da inclusão
A neuropedagoga Thaianny Silva é apoiadora da Romaria da Acessebilidade e voluntária na Basília Santuário Nossa Senhora de Nazaré. No decorrer das Missas Inclusivas, ela é responsável pelo espaço destinado a crianças com Transtorno do Espectro Autista. Thaianny possui uma clínica especializada em atendimento a neurodivergentes e explica que, para o suporte durante a celebração, convida psicólogos do empreendimento para atuarem como voluntários.
“Hoje foi minha primeira participação aqui. Eu, como profissional, vejo esse momento de grandiosidade. Realmente, é uma conquista da sociedade para essas crianças. O que eu tive não foram apenas crianças, tive adolescentes aqui dentro. A gente tem que entender que as nossas crianças estão crescendo”, apontou.
Para Thaianny, é necessário abrir mais espaços que promovam pertencimento a pessoas com síndromes e neurodivergentes em meio à comunidade. A neuropedagoga destacou que isso é capaz de gerar mais qualidade de vida e funcionalidade. “Eu fico muito emocionada, muito feliz de participar disso e de ver que, realmente, está vindo da sociedade”, concluiu.
Acolhimento a todos
A Missa Inclusiva teve, ao longo de toda a celebração, participação de diferentes intérpretes de Libras, membros da Pastoral dos Surdos. As pessoas com deficiência auditiva foram direcionadas aos três primeiros bancos localizados em frente à Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré. Na mesma área, pessoas com deficiência física e que usam cadeira de rodas tinham espaço reservado.
O local destinado às crianças com TEA é ao lado, cercado por bancos. Ali, as crianças são livres para brincar, sem repreensão por barulhos ou demais atitudes características. Os pais e responsáveis podem ficar dentro ou arredor do espaço, conforme desejarem.
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