Abril Azul destaca desafios das famílias atípicas e reforça importância da rede de apoio em Barcaren
Durante o mês de conscientização sobre o autismo, mães atípicas relatam desafios da rotina e associação reforça a importância da rede de apoio e das políticas públicas em Barcarena.
Abril é reconhecido mundialmente como o mês de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), conhecido como Abril Azul. O período reforça a importância da informação, da empatia e da construção de uma sociedade mais inclusiva, além de dar visibilidade à realidade vivida por famílias e, especialmente, por mães atípicas, que enfrentam desafios diários na busca por qualidade de vida e direitos para seus filhos.
ABRIL AZUL REFORÇA CONSCIENTIZAÇÃO E APOIO A PAIS E MÃES ATÍPICAS
Abril é reconhecido mundialmente como o mês de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), conhecido como Abril Azul. O período reforça a importância da informação, da empatia e da construção de uma sociedade mais inclusiva, além de dar visibilidade à realidade vivida por famílias e, especialmente, por mães atípicas, que enfrentam desafios diários na busca por qualidade de vida e direitos para seus filhos.
Em Barcarena, a dona de casa Shirley Gonçalves da Silva, mãe de Max Cordeiro Figueiredo Junior, representa a realidade de muitas famílias que vivem essa rotina intensa. Segundo ela, o dia a dia exige dedicação integral, organização e atenção constante.
“O dia a dia é sempre corrido para dar conta de tudo: comida, roupa, limpeza da casa, levar e buscar as crianças na escola e não esquecer os horários da terapia. Sempre estou exausta”, relata.
Além das tarefas domésticas e dos cuidados com o filho, Shirley explica que a rotina exige vigilância permanente e adaptações constantes. “Não é apenas cuidar. É observar, entender os sinais, adaptar ambientes e planejar tudo com antecedência”, afirma.
O diagnóstico do filho trouxe mudanças profundas na vida da família. Antes, Shirley atuava como professora de dança folclórica em projetos e instituições sociais, mas precisou interromper a carreira para se dedicar integralmente ao filho.
“Minha vida pessoal mudou radicalmente. Tive que largar tudo, porque o autismo foi evoluindo e meu filho regredindo. Foi desesperador”, relembra.
Outro desafio enfrentado pela família é a sensibilidade auditiva, comum em muitas pessoas com autismo. Sons altos, como fogos de artifício, escapamentos de motos e ruídos inesperados, podem desencadear crises sensoriais.
“Muitas vezes precisamos sair de eventos ou deixar de participar. O que é divertido para algumas famílias, para nós pode ser um momento de tensão”, explica Shirley.
Ela conta ainda que até encontros simples precisam ser planejados. “Não recebemos muitos amigos em casa, porque meu filho precisa de rotina. Até encontros religiosos precisam ter horário para começar e terminar”, afirma.
A fase da adolescência também trouxe novos desafios para a família. “Depois do diagnóstico, precisei estudar, pesquisar e entender as características do meu filho. Agora, enfrentar a adolescência é um desafio ainda maior”, diz.
Apesar das dificuldades, Shirley mantém a esperança no futuro. “Meu maior sonho é que ele conquiste independência e tenha qualidade de vida. Toda mãe pensa no futuro, em como será quando não estivermos mais aqui”, destaca.
A importância da rede de apoio
Durante o Abril Azul, também ganha destaque a importância das organizações que oferecem apoio às famílias. Em Barcarena, a Associação de Apoio e Orientação aos Pais de Autistas (GAOPA) tem desempenhado um papel fundamental no acolhimento e orientação de mães e pais atípicos.
A presidente da associação, Letícia do Vale, explica que o movimento começou a partir da união de mães que vivenciaram o diagnóstico dos filhos em um período em que pouco se falava sobre autismo no município.
“Quando começamos, a pauta praticamente não existia em Barcarena. Havia pouca informação, quase nenhuma política voltada para esse público e muitas famílias se sentiam sozinhas”, afirma.
Segundo ela, a associação surgiu justamente nesse contexto de invisibilidade, impulsionada pela mobilização de mães que decidiram buscar mais informação e lutar por direitos. “O GAOPA surge principalmente pela força e coragem de mães como Joelma Braga e Silvia Letícia que podem ser consideradas o embrião desse movimento no município. Foram mães que começaram a se mobilizar, escrever cartas, fazer requerimentos e dialogar com o poder público. Foi uma caminhada difícil, mas necessária”, destaca.
Na última terça-feira (31), durante sessão ordinária da Câmara Municipal de Barcarena, Dra. Letícia destacou a importância do Abril Azul como um movimento de combate à invisibilidade das pessoas com autismo e reforçou a necessidade de fortalecimento das políticas públicas no município.
Em sua fala, ela reconheceu avanços como a criação do Centro TEA e a presença dos Profissionais de Apoio Escolar (PAEs), mas alertou para a necessidade de ampliar o acesso e garantir capacitação adequada. Também defendeu a criação de políticas de apoio às mães atípicas, a realização de um mapeamento atualizado das pessoas com autismo, melhorias no transporte público acessível e a implementação de ações voltadas para jovens e adultos autistas, especialmente após a fase escolar, destacando que a inclusão deve acontecer em todas as fases da vida.
GAOPA - Além da conscientização, a GAOPA atua diretamente no acolhimento às famílias, especialmente no momento do diagnóstico. “Muitos pais chegam inseguros, sem saber o que fazer. A associação ajuda com orientação, encaminhamentos e troca de experiências”, explica.
Atualmente, a associação conta com advogadas, assistentes sociais e parceiros que oferecem orientações gratuitas. “As principais demandas são por orientação jurídica e assistência social. Muitas famílias não sabem quais são seus direitos e nem por onde começar”, ressalta.
Em Barcarena, a dona de casa Shirley Gonçalves da Silva, mãe de Max Cordeiro Figueiredo Junior, representa a realidade de muitas famílias que vivem essa rotina intensa. Segundo ela, o dia a dia exige dedicação integral, organização e atenção constante.
“O dia a dia é sempre corrido para dar conta de tudo: comida, roupa, limpeza da casa, levar e buscar as crianças na escola e não esquecer os horários da terapia. Sempre estou exausta”, relata.
Além das tarefas domésticas e dos cuidados com o filho, Shirley explica que a rotina exige vigilância permanente e adaptações constantes. “Não é apenas cuidar. É observar, entender os sinais, adaptar ambientes e planejar tudo com antecedência”, afirma.
O diagnóstico do filho trouxe mudanças profundas na vida da família. Antes, Shirley atuava como professora de dança folclórica em projetos e instituições sociais, mas precisou interromper a carreira para se dedicar integralmente ao filho.
“Minha vida pessoal mudou radicalmente. Tive que largar tudo, porque o autismo foi evoluindo e meu filho regredindo. Foi desesperador”, relembra.
Outro desafio enfrentado pela família é a sensibilidade auditiva, comum em muitas pessoas com autismo. Sons altos, como fogos de artifício, escapamentos de motos e ruídos inesperados, podem desencadear crises sensoriais.
“Muitas vezes precisamos sair de eventos ou deixar de participar. O que é divertido para algumas famílias, para nós pode ser um momento de tensão”, explica Shirley.
Ela conta ainda que até encontros simples precisam ser planejados. “Não recebemos muitos amigos em casa, porque meu filho precisa de rotina. Até encontros religiosos precisam ter horário para começar e terminar”, afirma.
A fase da adolescência também trouxe novos desafios para a família. “Depois do diagnóstico, precisei estudar, pesquisar e entender as características do meu filho. Agora, enfrentar a adolescência é um desafio ainda maior”, diz.
Apesar das dificuldades, Shirley mantém a esperança no futuro. “Meu maior sonho é que ele conquiste independência e tenha qualidade de vida. Toda mãe pensa no futuro, em como será quando não estivermos mais aqui”, destaca.
A importância da rede de apoio
Durante o Abril Azul, também ganha destaque a importância das organizações que oferecem apoio às famílias. Em Barcarena, a Associação de Apoio e Orientação aos Pais de Autistas (GAOPA) tem desempenhado um papel fundamental no acolhimento e orientação de mães e pais atípicos.
A presidente da associação, Letícia do Vale, explica que o movimento começou a partir da união de mães que vivenciaram o diagnóstico dos filhos em um período em que pouco se falava sobre autismo no município.
“Quando começamos, a pauta praticamente não existia em Barcarena. Havia pouca informação, quase nenhuma política voltada para esse público e muitas famílias se sentiam sozinhas”, afirma.
Segundo ela, a associação surgiu justamente nesse contexto de invisibilidade, impulsionada pela mobilização de mães que decidiram buscar mais informação e lutar por direitos. “O GAOPA surge principalmente pela força e coragem de mães como Joelma Braga e Silvia Letícia que podem ser consideradas o embrião desse movimento no município. Foram mães que começaram a se mobilizar, escrever cartas, fazer requerimentos e dialogar com o poder público. Foi uma caminhada difícil, mas necessária”, destaca.
Na última terça-feira (31), durante sessão ordinária da Câmara Municipal de Barcarena, Dra. Letícia destacou a importância do Abril Azul como um movimento de combate à invisibilidade das pessoas com autismo e reforçou a necessidade de fortalecimento das políticas públicas no município.
Em sua fala, ela reconheceu avanços como a criação do Centro TEA e a presença dos Profissionais de Apoio Escolar (PAEs), mas alertou para a necessidade de ampliar o acesso e garantir capacitação adequada. Também defendeu a criação de políticas de apoio às mães atípicas, a realização de um mapeamento atualizado das pessoas com autismo, melhorias no transporte público acessível e a implementação de ações voltadas para jovens e adultos autistas, especialmente após a fase escolar, destacando que a inclusão deve acontecer em todas as fases da vida.
GAOPA - Além da conscientização, a GAOPA atua diretamente no acolhimento às famílias, especialmente no momento do diagnóstico. “Muitos pais chegam inseguros, sem saber o que fazer. A associação ajuda com orientação, encaminhamentos e troca de experiências”, explica.
Atualmente, a associação conta com advogadas, assistentes sociais e parceiros que oferecem orientações gratuitas. “As principais demandas são por orientação jurídica e assistência social. Muitas famílias não sabem quais são seus direitos e nem por onde começar”, ressalta.
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