Educador físico que tentou matar jornalista fez o mesmo com outra ex-namorada

Agressor chegou a sequestrá-la do trabalho e mandá-la se despedir de sua casa ao passar em frente ao local

Tainá Cavalcante

O educador físico Luis Roberto Correia Baima, preso provisoriamente desde 2017 por tentar matar a jornalista e ex-companheira Dandara de Almeida, 30, também atentou contra a vida de outra ex-namorada, em 2012, com quem tinha relacionamento antes de passar a se relacionar com Dandara. É o que afirma a ex-companheira, que contou, com exclusividade à redação integrada de O Liberal, detalhes sobre as duas vezes em que Luis atentou contra a sua vida. Em ambas, ela chegou a ser estrangulada, denuncia. Segundo ela, as tentativas de assassinato teriam ocorrido logo após o relacionamento ser encerrado, em virtude de traições da parte dele. Luis Baima será julgado na próxima quinta-feira (14), pela tentativa de feminicídio contra Dandara de Almeida.

"Depois que terminamos, ele ficou me perseguindo por um bom tempo, porque não aceitava o fim do relacionamento. Ele tentou me matar duas vezes. Uma logo depois que descobri a traição e terminamos e a outra quando ele me sequestrou de dentro do meu trabalho", denuncia a vítima, que terá a sua identidade preservada nesta matéria.

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OCORRÊNCIAS

A ex-namorada de Luis Baima conta que o acusado sempre a agredia por enforcamento - e que chegou a registrar três boletins de ocorrência (B.O.) contra ele. Porém, a vítima sempre desistia de seguir adiante com as denúncias, por insistência da mãe de Luis e também de sua própria família.

"Minha família não queria escândalo. E como ele era uma pessoa querida, extrovertida, as pessoas acabavam não acreditando em mim, achavam que eu estava exagerando. Cheguei a fazer três boletins. Na primeira vez, fiz o exame de corpo e delito, mas não dei continuidade. Na segunda, eu só queria distância. Fiz o B.O., mas não dei prosseguimento, porque eu estava assustada, com medo, queria me esconder", relata.

CONIVÊNCIA

A ex-companheira do educador físico diz não acreditar que a mãe do agressor sabia que o filho a agredia, ou que tinha a intenção de matar a jornalista Dandara, mas considera que a mesma foi conivente com o comportamento violento de Luis.

"Ela me pedia para não denunciar ele todas as vezes que ele me agrediu. Ela me pediu para não seguir com o processo, para não prejudicar o filho dela. Uma vez, ela chegou a se ajoelhar me pedindo para não fazer nada com ele, então, apesar de achar que ela não aceitava essas coisas que ele fazia, as agressões, ela pedia para não denunciar, então era conivente" opina.


Julgado na próxima quinta, Luis Baima é acusado também por ex-namorada (Ary Souza)

ATENTADOS CONTRA A PRIMEIRA EX-NAMORADA

Em uma das tentativas, quando o agressor sequestrou a vítima de seu trabalho, ele a colocou dentro de um carro, passou pela frente da casa da ex-companheira e a mandou se despedir do local.

"O local onde eu trabalho estava em reforma. Eu trabalho à noite e sempre são poucos funcionários no turno. Ele chegou, me puxou e me jogou dentro do meu carro. Saiu de lá comigo, passou na frente da minha casa, mandou eu me despedir e me levou para o final da João Paulo II, quando ainda estava finalizando a obra. Lá, ele começou a me enforcar. Eu gritei muito, lutei com ele, mas nem sei dizer o motivo de ele ter parado de me enforcar. Acho que ele se tocou do que estava fazendo. Depois disso, ele retornou e me deixou no meu local de trabalho, como se nada tivesse acontecido" lembra a ex-namorada de Luis Baima.

Ela ainda conta que, quando o agressor a mandou se despedir de sua casa, "só conseguia gritar". "Abri a janela e gritava, mas acho que não consegui chamar atenção de ninguém, porque nenhuma viatura foi atrás", conta.

PERSEGUIÇÕES

As agressões contra a ex-companheira não pararam por aí. O educador físico também a seguiu em outra ocasião, mas, ao perceber a presença dele, ela decidiu entrar em uma delegacia. "Ele estava me seguindo de carro. Eu fiquei com medo e entrei na delegacia para me salvar. Cheguei a fazer uma medida protetiva contra ele, mas, como o endereço dele nunca foi encontrado. O processo arquivou, não tem mais legalidade", lamenta.

Assim como aconteceu com Dandara, o agressor também tentou prejudicá-la no trabalho e sabia todos os lugares pelos quais ela passava. "Mesmo com a medida protetiva, ele me perseguia. Passou cerca de um ano e meio me perseguindo. Onde eu estava, ele estava. Ele sabia tudo antecipadamente".

Em todas as situações, a vítima só conseguiu se livrar do agressor por ter consentido com todas as suas determinações enquanto era violentada. "Quando ele estava me agredindo, eu só aceitava o que ele falava. Não contrariava, aceitava as imposições, e ele parava".

O CASO DANDARA ALMEIDA

Luis tentou matar a jornalista Dandara de Almeida em fevereiro de 2017, quando entrou em sua casa com uma faca e a atingiu no pescoço, além de agredir a mãe e a avó da comunicóloga.

Dandara sofreu a tentativa de feminicídio em fevereiro de 2017 (Arquivo pessoal)

Nessa época, a primeira companheira do educador físico relata que ele já não a perseguia mais. "Ele parou espontaneamente. Aos poucos eu já não percebia mais a presença dele", diz. Apesar disso, dois dias antes de atentar contra a vida da jornalista, a ex-namora de Luis Baima afirma que ele voltou a procurá-la.

"Ele foi se despedir de mim, dois dias antes de fazer o que fez com a Dandara. Ele me contou uma história de que ia embora e queria pedir perdão. Eu até pensei que ele ia se suicidar. Lembro que ele estava transtornado, muito nervoso. Como eu já sabia lidar com ele, eu só concordei com tudo o que ele falava, nem questionei, porque sei o potencial agressivo que ele tem", afirma.

Ela também explica que, só depois do caso de Dandara, sua família passou a acreditar na violência pela qual ela passava com Luis. "Foi só depois disso que acreditaram em mim".

Mãe da jornalista, à época do ataque a Dandara: ferida a faca (Arquivo - O Liberal)

"ELE PODERIA TER ME MATADO"

Questionada sobre o medo de ver o agressor solto, já que ele será julgado na próxima quinta-feira (14), pela tentativa de feminicídio contra Dandara, ela afirma que também se sente em risco. "Ele é obcecado e eu tenho medo, mesmo já vivendo outa vida, estando distante há tanto tempo, já estando casada, eu tenho medo", admite, ao ressaltar que não tem dúvidas de que a intenção de Luis Baima era matar a jornalista Dandara de Almeida.

"Com certeza era isso que ele queria. Ele é agressivo, ele tem esse potencial, tanto que ele tinha as cordas, a fila isolante e a gasolina no carro. Ele faria isso", diz. Ela conta também que acredita que, se tivesse, em alguma das vezes, tentado lutar contra ele, ou não seguir suas imposições, “ele poderia ter me matado”.

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