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DESRESPEITO

Doméstica Lucilene de Carvalho Lobo reclama de ônibus que não param na avenida Almirante Barroso

Ela relatou que passageiros chegam a esperar bastante tempo pelo próximo coletivo

Cira Pinheiro e Dilson Pimentel

8 de setembro de 2026 às 15:00

Modificado em 11 de setembro de 2026 às 11:07

A imagem mostra a empregada doméstica Lucilene de Carvalho Lobo, de 58 anos

A imagem mostra a empregada doméstica Lucilene de Carvalho Lobo, de 58 anos ( Foto: Foto: Reprodução / Rafael Souza )

A chamada "queima de parada”, quando motoristas de ônibus deixam de parar para o embarque de passageiros, tem causado transtornos aos usuários do transporte coletivo na avenida Almirante Barroso, no bairro do Marco, em Belém. A reclamação foi feita pela empregada doméstica Lucilene de Carvalho Lobo, de 58 anos, nesta terça-feira (8).

Ela utiliza a parada localizada no cruzamento com a travessa Perebebuí e relatou que passageiros chegam a esperar bastante tempo pelo próximo coletivo. Durante a apuração, a equipe de reportagem também presenciou ônibus que passaram pelo ponto sem parar.

“Isso já aconteceu muitas vezes. Isso sempre acontece. Não só comigo, mas com várias outras pessoas. A gente corre e eles vão embora”, disse. “Já ‘queimou’ um. Um Icoaraci. Passou atrás do outro e a gente não consegue pegar”, afirmou ela nesta terça-feira. Ainda segundo Lucilene, isso ocorre, por exemplo, com ônibus que fazem as linhas Tapanã, Cordeiro, Icoaraci. “Isso aí é diário e não tem hora, mas ocorre principalmente à noite, quando as pessoas saem do trabalho”, afirmou.

Os ônibus "queimam" paradas na avenida Almirante Barroso, no bairro do Marco, em Belém
Os ônibus "queimam" paradas na avenida Almirante Barroso, no bairro do Marco, em Belém (Foto: Reprodução | Rafael Souza)

Ela disse que isso prejudica as pessoas. “A gente tem horário para sair de casa e para voltar e acaba atrasando por causa de ônibus que ‘queimam’ a parada. Isso é rotina deles”, lamentou. “Mas não é só na Almirante Barroso. É em todo canto. Moro no bairro do Tapanã e é do mesmo jeito. É lamentável”, completou. Lucilene cobrou maior fiscalização para evitar que a situação continue prejudicando quem depende diariamente do transporte público. “Se eles pagassem multa, eles não ‘queimavam’ parada”, afirmou.

A Redação Integrada de O Liberal entrou em contato com a Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade (Segbel) e com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setransbel). Em nota, o Setransbel disse que a remuneração das empresas "vem principalmente do pagamento efetuado pelos passageiros ao utilizarem o serviço" e que, por essa razão, "não há motivo em deixar de atender usuários nos pontos de parada, prática que prejudica os passageiros e a própria operação".

"As empresas acompanham permanentemente o serviço e orientam seus profissionais sobre a obrigatoriedade de atender regularmente aos pontos de parada, respeitadas as condições de segurança e de operação", disse.

O Sindicato informou ainda que recebe relatos e denúncias dos usuários por meio do aplicativo VEM BUSÃO, na opção “Fale Conosco”. "Para apurar cada ocorrência, é importante informar, sempre que possível, a data, o horário, o local e o prefixo do ônibus. Os casos são encaminhados à empresa responsável e, constatada alguma irregularidade, são adotadas as medidas cabíveis". Por fim, o Setransbel lamentou eventuais ocorrências e reafirmou seu compromisso "com a melhoria contínua do transporte coletivo em Belém e na Região Metropolitana".

O que diz a Segbel

Também em nota, a Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade (Segbel) informa que possui registros de denúncias relacionadas à chamada “queima de parada” no transporte público municipal. Em 2025, foram registradas 34 denúncias sobre esse tipo de ocorrência. Em 2026, até o final de agosto, foram contabilizadas 44 denúncias.

A Segbel realiza ações de fiscalização do transporte público municipal e, a partir das denúncias recebidas, pode direcionar as equipes de agentes de transporte para a apuração das ocorrências e adoção das medidas administrativas cabíveis. A pasta reforça que os operadores do transporte coletivo devem realizar o embarque e desembarque de passageiros nos pontos regulamentados, salvo situações justificadas pelas condições de segurança ou operação.

Os casos de descumprimento são apurados pela fiscalização, podendo resultar em sanções administrativas previstas na regulamentação do serviço, conforme a responsabilidade identificada do condutor e/ou da empresa operadora. A população deve registrar denúncias e solicitar fiscalização pelo WhatsApp da Ouvidoria da Segbel, no número (91) 98415-4587, ou pelo e-mail ouv@segbel.pmb.pa.gov.br.