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Violência contra a mulher: números que ainda precisam mudar no Brasil

Dados recentes apontam aumento de casos de violência e feminicídio no país; especialistas reforçam a importância da denúncia e da rede de apoio às vítimas

O Liberal
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Com o Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), o debate sobre violência de gênero volta ao centro das discussões no Brasil. Apesar de avanços nas leis de proteção, os números recentes mostram que o problema ainda é um desafio social grave.

Nos últimos anos, o país registrou recorde de feminicídios. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam 1.458 vítimas em 2024 e 1.518 em 2025, os maiores números já contabilizados no país.

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Um levantamento da Rede de Observatórios da Segurança, no estudo “Elas Vivem: a urgência da vida”, indica que cerca de 12 mulheres foram vítimas de violência a cada 24 horas nas regiões acompanhadas pela pesquisa, incluindo o Pará.

Especialistas alertam que a violência contra a mulher pode ocorrer de diversas formas e muitas vezes começa de maneira silenciosa dentro de casa, dificultando a identificação e a denúncia.

Tipos de violência contra a mulher previstos na lei

A Lei Maria da Penha estabelece cinco tipos de violência contra a mulher. Essas agressões podem ocorrer de forma isolada ou combinada e afetam não apenas a integridade física da vítima, mas também sua saúde mental, autonomia e dignidade. Os principais tipos são:

Violência física
Envolve qualquer agressão ao corpo da vítima, como tapas, socos, empurrões, chutes ou lesões provocadas por objetos.

Violência psicológica
Caracteriza-se por ações que provocam dano emocional ou abalam a autoestima da mulher, como ameaças, humilhações, chantagens, manipulação ou isolamento social.

Violência sexual
Ocorre quando a mulher é obrigada a presenciar ou participar de atos sexuais sem consentimento, por meio de intimidação, coerção ou força.

Violência patrimonial
Consiste na destruição, retenção ou controle de bens, documentos, dinheiro ou instrumentos de trabalho da vítima.

Violência moral
Inclui comportamentos que atacam a honra ou reputação da mulher, como calúnia, difamação e injúria.

⚠️ Como reconhecer sinais de violência

Identificar sinais de violência pode ser fundamental para interromper ciclos de agressão e garantir proteção à vítima. Entre os indícios mais comuns estão:

Sinais de violência física

  • marcas ou lesões inexplicáveis no corpo
  • tentativa de esconder ferimentos
  • mudanças bruscas de comportamento ou isolamento

Sinais de violência psicológica

  • baixa autoestima e sentimento constante de culpa
  • afastamento de amigos e familiares
  • ansiedade, depressão ou medo excessivo do parceiro

Sinais de violência sexual

  • desconforto ao falar sobre intimidade
  • medo ou retraimento em relações afetivas
  • Sinais de violência patrimonial
  • controle total do dinheiro pelo parceiro
  • destruição de objetos pessoais ou documentos

Sinais de violência moral

  • exposição ao ridículo em público ou nas redes sociais
  • boatos e acusações falsas que afetam a reputação da vítima

Códigos silenciosos podem ajudar vítimas a pedir socorro

Em muitas situações, a vítima convive com o agressor e encontra dificuldades para pedir ajuda diretamente. Por isso, algumas iniciativas criaram códigos discretos para facilitar pedidos de socorro.

Entre os mais conhecidos estão:

✋ X na palma da mão

A mulher pode desenhar ou mostrar a letra “X” na palma da mão em farmácias ou estabelecimentos parceiros. O gesto indica que ela precisa de ajuda e permite que funcionários acionem a polícia.

🍕 Pedido de pizza

Em algumas situações, vítimas utilizam ligações para serviços de emergência simulando pedidos de comida para informar o endereço onde precisam de ajuda.

🆘 Gesto internacional de socorro (#SignalForHelp)

Criado por uma organização canadense, o gesto consiste em três movimentos simples:

  • mostrar a palma da mão aberta
  • dobrar o polegar para dentro
  • fechar os outros dedos sobre o polegar

O sinal representa a sensação de estar presa ou em perigo e pode ser feito de forma discreta em chamadas de vídeo ou interações presenciais.

❓ O que fazer ao identificar uma situação de violência

Ao perceber sinais de violência contra uma mulher, algumas atitudes podem ajudar a proteger a vítima. Entre as orientações estão:

  • ouvir sem julgamentos e acreditar no relato da vítima
  • oferecer apoio emocional e orientação
  • informar sobre canais de denúncia e serviços de apoio
  • incentivar a busca por ajuda profissional e policial, quando a vítima se sentir segura

Especialistas reforçam que o acolhimento é fundamental para que a mulher consiga romper o ciclo de violência.

📞Onde denunciar casos de violência contra a mulher

Existem diversos canais gratuitos e confidenciais para denúncias e pedidos de ajuda no Brasil.

190 — Polícia Militar: deve ser acionado em situações de emergência ou quando a violência está acontecendo no momento.

180 — Central de Atendimento à Mulher: canal nacional que funciona 24 horas por dia. Oferece orientação, acolhimento e encaminhamento para serviços de proteção.

100 — Disque Direitos Humanos: recebe denúncias de violações de direitos humanos em todo o país.

181 — Disque Denúncia: permite denúncias anônimas de crimes.

No Pará, também é possível registrar ocorrências pelo WhatsApp do Disque Denúncia: (91) 98115-9181 ou pela assistente virtual Iara, no mesmo número.

Além disso, as vítimas podem procurar atendimento presencial nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam) ou registrar ocorrência pela DEAM Virtual, disponível no site da Polícia Civil do Pará. O serviço permite solicitar medidas protetivas de urgência e outros atendimentos sem sair de casa.

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