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TRÁFICO HUMANO

Promessas de emprego na Rússia: entenda as denúncias e saiba como identificar golpes

Programa divulgado nas redes sociais oferece salário e moradia a jovens estrangeiras, mas investigações apontam indícios de exploração e tráfico humano

Hannah Franco

14 de outubro de 2025 às 20:08

( Foto: Reprodução/Instagram/Ukraine Defence )

Um programa que promete emprego, moradia e intercâmbio na Rússia tem chamado a atenção nas últimas semanas após ser promovido por influenciadoras brasileiras nas redes sociais. O “Start Program”, como foi divulgado, ofereceria salários entre US$ 540 (R$ 2,8 mil) e US$ 680 (R$ 3,6 mil) mensais, além de benefícios como passagens aéreas, seguro e acomodação gratuita.

No entanto, investigações internacionais indicam que, por trás da promessa de estabilidade e crescimento profissional, pode haver um esquema com indícios de exploração e tráfico humano. O programa está ligado à Zona Econômica Especial de Alabuga, no Tartaristão, região localizada a leste de Moscou.

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O que é o Alabuga Start

Apresentado oficialmente como um projeto de capacitação e inserção profissional para jovens estrangeiras, o Alabuga Start é voltado a mulheres entre 18 e 22 anos com ensino médio completo. Segundo o site do programa, o objetivo seria “ajudar jovens mulheres a encontrar um emprego oficial bem remunerado e criar um futuro brilhante”.

Entretanto, relatórios de organizações internacionais afirmam que a iniciativa estaria recrutando jovens para trabalhos forçados, principalmente na montagem de drones militares, em condições consideradas degradantes.

Empresa Alabuga Start realiza montagem de drones militares.
Empresa Alabuga Start realiza montagem de drones militares. (Reprodução/Instagram/Ukraine Defence)

Relembre o caso

O programa ganhou destaque no Brasil após ser divulgado por influenciadoras como MC Thammy, Zabetta Macarini, Catherine Bascoy e Aila Loures, que apresentaram o projeto como uma “grande oportunidade profissional no exterior”. As publicações foram posteriormente apagadas, depois que denúncias sobre o Alabuga Start começaram a circular na imprensa e nas redes sociais. 

MC Thammy afirmou ter recebido documentos aparentemente legítimos antes de aceitar o contrato de publicidade. “Assim que percebi a repercussão e as suspeitas, devolvi o dinheiro e encerrei a parceria”, disse a influenciadora.

MC Thammy, Catherine Bascoy e Aila Loures
MC Thammy, Catherine Bascoy e Aila Loures (Foto: @mcthammy, @catherinebascoy e @ailaloures via Instagram)

Aila Loures declarou que seus advogados analisaram a documentação e “não encontraram irregularidades”. Já Catherine Bascoy reconheceu que “nem sempre é possível acertar em todas as escolhas”.

Entre as brasileiras que afirmam participar do programa, Michelle Souza, de 21 anos, declarou nas redes sociais que está na Rússia de forma voluntária e que não sofreu qualquer tipo de abuso. Ela apresentou documentos de visto e contrato de trabalho revisados por advogados e reforçou que seus vídeos não foram patrocinados. “Nunca recebi para divulgar o programa, só quis mostrar minha rotina aos amigos e familiares”, disse.

Denúncias internacionais de exploração

Relatórios recentes da Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional (GI-TOC) e do Instituto de Ciência e Segurança Internacional (ISIS) apontam que mulheres africanas e asiáticas recrutadas pelo Alabuga Start relataram trabalho forçado, retenção de passaportes e salários reduzidos.

A Associated Press noticiou em 2024 que participantes do programa eram coagidas a montar drones sob condições perigosas e exaustivas, com remuneração abaixo do prometido.

Essas denúncias levaram a investigações em vários países, incluindo a atuação da Interpol em Botsuana e alertas oficiais de governos africanos sobre possíveis fraudes.

As autoridades russas negam as acusações, classificando-as como “campanha de desinformação promovida pelo Ocidente”.

Como saber se não é golpe

Antes de aceitar propostas de trabalho no exterior, especialistas recomendam verificar a legalidade da empresa e dos intermediários no Brasil.
Veja algumas dicas:

  • Consulte se a agência ou programa possui CNPJ ativo e autorização do Ministério do Trabalho e Emprego;
  • Pesquise o nome da empresa em fontes oficiais e sites de reputação;
  • Desconfie de promessas de altos salários com pouca qualificação exigida;
  • Nunca entregue seu passaporte antes da confirmação do contrato de forma segura e legal.

No Brasil, denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 100 ou Disque 180, além de órgãos como o Ministério Público Federal, Polícia Federal e o Ministério do Trabalho.

Mesmo com a polêmica, o site oficial do Alabuga Start continua ativo, sem informações de CNPJ ou representante legal no Brasil. O perfil no Instagram, antes promovido por influenciadoras, foi desativado após a repercussão.

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