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HOMOFOBIA

Professor é espancado na estação de metrô; ele diz ter sido vítima de homofobia

Vítima, de 29 anos, relata ter sido alvo de ofensas homofóbicas antes de ser atacado por passageiro na zona sul de São Paulo

Estadão Conteúdo

15 de julho de 2026 às 12:47

( Foto: Foto: O Liberal (Arquivo - Imagem meramente ilustrativa) )

O professor Ricardo Akira Matsufuji, de 29 anos, foi agredido por um passageiro na plataforma de uma estação da Linha 5-Lilás do metrô, na zona sul de São Paulo, no último sábado, 11.

Ricardo sofreu vários ferimentos e uma fratura. Ele afirma ter sido vítima de homofobia, por ser gay.

O caso foi registrado pelo 27º Distrito Policial (Campo Belo) como lesão corporal e não como crime de homofobia, sendo encaminhado para a Delegacia do Metropolitano.

Investigação e Reação da Concessionária

A ViaMobilidade, concessionária da Linha 5-Lilás, lamentou o ocorrido e repudiou, de forma veemente, qualquer ato de violência, discriminação ou intolerância.

Durante a ocorrência, as autoridades solicitaram exames periciais dos envolvidos. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a natureza da ocorrência pode ser alterada caso novos elementos sejam colhidos durante a apuração.

A SSP informa que a autoridade policial está à disposição da vítima para colher mais informações. Estes dados podem subsidiar a investigação e auxiliar no esclarecimento dos fatos.

O crime de homofobia é mais grave que o de lesão corporal. Se a homofobia resulta em agressão, ocorre a soma das penas do crime equiparado ao racismo com o crime de lesão corporal. A pena total pode variar de 3 a 12 anos de reclusão, além de multa.

A identidade do suposto agressor não foi divulgada, o que impossibilitou o contato com sua defesa.

Relato da Vítima: "Toda vez que me socava, eu caía"

Ricardo relatou em sua rede social que seguia para o trabalho por volta das 7h40 da manhã. Ele sentiu que alguém havia chutado sua perna enquanto lia material da aula no celular, sem ver quem o havia tocado.

Ao chegar à estação e descer do trem, um homem partiu para cima dele gritando ofensas homofóbicas, segundo o professor.

O agressor, que usava uma máscara branca, alegava que o professor o havia filmado dentro do vagão. "O cara me pegou por trás, sofri várias pancadas na cabeça, tive sangramento no nariz. Toda vez que ele me socava, eu caía e depois tentava me levantar. Fiquei com hematomas no rosto e na cabeça", disse Ricardo.

Segundo o professor, várias pessoas próximas observaram as agressões, mas não o socorreram. Ele conseguiu escapar e correu em direção à escada rolante da estação, onde recebeu ajuda de algumas pessoas. Essas testemunhas ouviram as falas homofóbicas do agressor, conforme Ricardo.

Os seguranças da estação, de acordo com o relato, só apareceram depois que as agressões cessaram. Eles levaram a vítima e o agressor para salas separadas. No entanto, usaram o mesmo carro para transportar ambos para a UPA Vila Mariana. O veículo tinha uma divisória, mas era possível ouvir o agressor, segundo o professor.

"Vítima e Autor" e Repercussão do Caso

O professor permaneceu cerca de duas horas em observação na UPA. Ele passou por atendimento médico e fez um raio-X. Ao chegar ao 27º Distrito Policial para o registro da ocorrência, Ricardo afirma que o agressor já havia sido liberado e deixado o local, assim como os funcionários da concessionária.

Ricardo afirma que a polícia se recusou a registrar o caso como homofobia. O caso foi classificado como vítima e autor, porque a mão do agressor ficou ferida durante as agressões.

Em novo vídeo publicado nesta terça-feira, 14, Ricardo disse ter ficado impressionado com a repercussão do caso. Ele fará uma representação jurídica na esfera penal.

"Vi comentários de pessoas apoiando e de pessoas que passaram por coisas semelhantes e é muito bom ver todo esse apoio, mas também acho muito triste, pois vi vários relatos de crimes raciais, de LGBTfobia e parece que esse sentimento é uma coisa comum, são crimes tão naturalizados e tão difícil lidar com o processo legal disso tudo", destacou Ricardo.

Posicionamento da ViaMobilidade

A ViaMobilidade informou ter registrado uma ocorrência de desentendimento entre clientes. O fato ocorreu no último sábado, 11, no interior de uma composição da Linha 5-Lilás, no trecho entre as estações Campo Belo e Eucaliptos.

"Assim que o operador foi informado sobre a situação, solicitou a retenção do trem na estação Eucaliptos para a atuação das equipes de atendimento e segurança. Ao identificarem as partes envolvidas, os agentes viram que um dos clientes apresentava escoriações no rosto. Ele recebeu os primeiros socorros, foi encaminhado à UPA Vila Mariana e ao 27º Distrito Policial para registro da ocorrência e prosseguimento da denúncia", disse a nota da concessionária.

A ViaMobilidade acrescentou que permanece à disposição das autoridades para colaborar com a apuração dos fatos. "A concessionária reforça que suas equipes são continuamente capacitadas para acolher vítimas e prestar o suporte necessário, além de promover ações permanentes de conscientização para contribuir com um ambiente mais seguro e respeitoso em todo o sistema", afirmou.

A concessionária também orienta que, em ocorrências dentro dos trens, os clientes utilizem os intercomunicadores das composições. Isso permite solicitar apoio imediato e assegura uma atuação ainda mais ágil das equipes.