O policial civil José Camilo Leonel, condenado em 2016 por torturar o comerciante iraniano Navid Rasolifard Saysan, foi expulso da corporação. A demissão foi assinada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e publicada no Diário Oficial do Estado nesta quinta-feira, 1º. Na época, ele foi condenado a 11 anos e nove meses de prisão por agredir Saysan em uma loja de tapetes, no bairro dos Jardins, na zona oeste da capital. A decisão também determina a cassação da aposentadoria do ex-investigador. O Estadão busca contato com a defesa de Leonel. Relembre o caso O crime aconteceu na loja Trabiz Tapetes no bairro dos Jardins, na zona oeste da capital, no dia 21 de janeiro de 2016. Após comprar um tapete persa no valor de R\$ 5 mil e se arrepender, a estudante Iolanda Delce dos Santos foi à loja para devolver o produto. Saysan disse que não poderia desfazer o negócio, mas ofereceu um vale-compras, que não foi aceito pela estudante. Ela acionou o policial, que entrou no estabelecimento e deu início às agressões. O comerciante levou socos, chutes, e o policial apontou uma arma para a sua cabeça. A ação foi filmada por funcionários, que foram intimidados. Leonel levou o comerciante à força para fora da loja e acionou o Grupo de Operações Especiais (GOE), grupo de elite da Polícia Civil, que logo chegou para dar apoio ao investigador. O comerciante foi algemado e novamente hostilizado por Leonel, que tomou o fuzil de um colega do GOE e o mostrou para a vítima. Antes de registrar o caso na Corregedoria, o investigador foi até a Delegacia de Crimes Contra o Consumidor, que não registra o caso. Na Corregedoria, o delegado Filipe Martins da Silva, a pedido de Leonel, registrou o caso como desobediência e recusa de dados sobre a própria identidade. O investigador disse que passava pelo local e atendeu ao "apelo" de Iolanda. Disse também que foi obrigado a usar força física, porque o comerciante se recusou a acompanhá-lo até a delegacia e não quis mostrar o documento de identidade. O delegado ouviu as declarações do comerciante, dos funcionários e clientes da loja que relataram as agressões, mas não tomou nenhuma providência contra Leonel. Ainda escreveu no boletim de ocorrência que é "imperioso consignar que a parte Navid não apresentava hematomas decorrentes da alegada agressão". Na época, a Secretaria de Segurança Pública chegou a informar que a Corregedoria da Polícia Civil apuraria a conduta do investigador e também se eventuais crimes contra o consumidor foram praticados pelo comerciante. Mas, depois que as imagens do espancamento foram exibidas no Fantástico, da TV Globo, a pasta afirmou investigaria o policial pelas agressões, por abuso de autoridade e uso da viatura durante as férias.