PM morta em SP: Polícia pede a prisão de tenente-coronel, marido da vítima

A Justiça de São Paulo determinou no dia 10 de março que a polícia investigasse a morte da policial como feminicídio.

Estadão Conteúdo
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Alertas: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie. A reportagem abaixo trata também de temas como suicídio e transtornos mentais. Se você está passando por problemas, veja ao final do texto onde buscar ajuda.

A Polícia Civil de São Paulo pediu a prisão preventiva do tenente-coronel da Polícia Militar (PM) Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, nesta terça-feira, 17. O policial é suspeito pela morte da mulher, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada baleada na cabeça no apartamento do casal, no Brás, região central de São Paulo, em 18 de fevereiro.

O pedido será analisado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. O argumento é que, em liberdade, o tenente-coronel pode atrapalhar as investigações da morte da PM.

A defesa do tenente-coronel diz que aguarda uma decisão do Judiciário. Caso a prisão seja decretada, o advogado Eugênio Malavasi diz que entrará com um pedido de habeas corpus.

Segundo Geraldo Neto, a esposa teria tirado a própria vida dentro de casa no dia 18 de fevereiro, em um apartamento localizado no Brás, região central de São Paulo, momentos depois de uma discussão na qual ele teria proposto a separação do casal. Na versão do policial, ele estava no banho no início da manhã daquele dia quando ouviu o barulho de um disparo e, em seguida, encontrou Gisele já baleada no chão.

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Conforme o policial, ele estava no banho no início da manhã daquele dia quando ouviu um barulho de disparo

Em entrevista à TV Record, Neto falou pela primeira vez sobre o caso. O policial diz que estava no banheiro quando ouviu um barulho forte e que, ao abrir a porta, encontrou a mulher caída na sala com um tiro na cabeça. O tenente-coronel negou ter matado a policial militar.

"Eu estava no banho e escutei um barulho forte. Não desliguei o chuveiro, apenas abri o box. Quando eu abri o box, eu abri um pedacinho da porta. Achei que ela estivesse em pé na porta do banheiro querendo falar comigo. Quando eu abri a porta, deu pra ver. Ela estava caída no meio da sala com a cabeça no chão. Tinha uma poça de sangue se formando ao lado da cabeça. Foi a cena mais traumatizante... a pior cena que já vi em toda a minha vida", afirmou.

Laudo aponta marcas no pescoço O laudo da exumação da soldado da Polícia Militar, morta no mês passado, aponta que ela sofreu lesões "contundentes" no pescoço. Na versão do marido dela, ela teria cometido suicídio após uma discussão entre os dois.

"Existiram lesões na face e região cervical. São lesões contundentes por meio de pressão digital e escoriação compatível com estigma ungueal" (causadas pela unha), aponta o laudo, ao qual o Estadão teve acesso. O documento indica ainda que não foram observadas lesões típicas de defesa.

No laudo necroscópico feito em 19 de fevereiro, um dia após a morte, os peritos já tinham apontado lesões no pescoço de Gisele, mas não mencionaram tratar-se de marcas "contundentes".

A morte chegou a ser registrada como suicídio, mas a classificação mudou após a família de Gisele afirmar que a soldado sofria abusos e violência por parte do marido. O caso passou, então, a ser tratado como morte suspeita.

A Justiça de São Paulo determinou no dia 10 de março que a polícia investigasse a morte da policial como feminicídio.

Onde buscar ajuda

Se você está passando por sofrimento psíquico ou conhece alguém nessa situação, veja abaixo onde encontrar ajuda:

Centro de Valorização da Vida (CVV)

Se estiver precisando de ajuda imediata, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), serviço gratuito de apoio emocional que disponibiliza atendimento 24 horas por dia. O contato pode ser feito por e-mail, pelo chat no site ou pelo telefone 188.

Canal Pode Falar

Iniciativa criada pelo Unicef para oferecer escuta para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos. O contato pode ser feito pelo WhatsApp, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h.

SUS

Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) voltadas para o atendimento de pacientes com transtornos mentais. Há unidades específicas para crianças e adolescentes. Na cidade de São Paulo, são 33 Caps Infantojuventis e é possível buscar os endereços das unidades nesta página.

Mapa da Saúde Mental

O site traz mapas com unidades de saúde e iniciativas gratuitas de atendimento psicológico presencial e online. Disponibiliza ainda materiais de orientação sobre transtornos mentais.

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