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O Liberal 80 anos

investigação

PF prende 'El Burro' da Operação Condor na fronteira com o Uruguai

A captura de 'El Burro', com 85 anos, foi decretada pelo STJ

Estadão Conteúdo

26 de outubro de 2026 às 19:06

Pedro Antonio Mato Narbondo, 'El Burro', em Maceió

Pedro Antonio Mato Narbondo, 'El Burro', em Maceió ( Foto: Foto: Reprodução )

A Polícia Federal prendeu nesta segunda-feira, 26, o ex-oficial do Exército do Uruguai Pedro Antônio Mato Narbondo, o 'El Burro', condenado a 30 anos de prisão pelo Superior Tribunal de Justiça sob acusação de tortura e assassinato de quatro cidadãos italianos na Argentina, em 1976, durante a Operação Condor - aliança de regimes militares para perseguição, prisões em série e execução de dissidentes das ditaduras da América do Sul à época.

O Estadão busca contato com a defesa de 'El Burro'. O espaço está aberto.

A captura de 'El Burro', com 85 anos, foi decretada pelo STJ, que homologou sentença penal da Corte de Apelação de Milão, mas converteu decreto de prisão perpétua por 30 anos de pena no Brasil.

A PF informou que após a localização e a prisão de 'El Burro' e a conclusão de formalidades legais ele foi encaminhado ao sistema prisional.

A decisão da Corte Especial do STJ foi dada na quarta-feira, 21. É a primeira vez que alguém deverá cumprir pena no País por crimes relacionados ao período das ditaduras do Cone Sul, segundo o Ministério Público Federal.

Os ministros reconheceram a sentença da Justiça italiana, que condenou Narbondo à prisão perpétua em 2019 pela participação no assassinato de quatro cidadãos italianos na Argentina, em junho de 1976.

Narbondo, atualmente com 85 anos, é filho de brasileira e obteve a cidadania no País em 2003, condição que impede sua extradição, nos termos da Lei de Migração. Por isso, o governo italiano recorreu ao STJ para que a condenação fosse reconhecida e executada em território nacional.

A decisão foi tomada por maioria, após um julgamento iniciado em abril e interrompido por pedido de vista da ministra Maria Isabel Gallotti.

O ministro Sebastião Reis Júnior, relator, determinou a expedição da carta de sentença para que a Justiça Federal em Santana do Livramento acompanhe o cumprimento da pena.