QUA · 07 OUT 2026Assine

Variedades

Peste pneumônica: após relatos de segundo caso, Rússia alerta contra 'informações falsas'

Estadão Conteúdo

7 de outubro de 2026 às 11:12

A Rússia criticou a imprensa nesta quarta-feira, 7, por mencionar um segundo caso suspeito de peste na Sibéria, afirmando que a maioria das notícias sobre a situação era "falsa". "A imprensa noticia muito, e a imensa maioria do que os meios de comunicação estão divulgando a respeito dessa situação é informação falsa", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, a jornalistas.

No início desta semana, a imprensa russa informou que uma funcionária de um laboratório teria morrido de peste pneumônica na Sibéria, na última sexta-feira, 2.

Darya Shipilova, de 28 anos, trabalhava no Instituto de Combate à Peste de Irkutsk, na Sibéria. Ela foi internada na terça-feira da semana passada, 29, no Hospital Distrital de Shelekhov, e morreu três dias depois, após uma suspeita de infecção por peste pneumônica. A agência de notícias estatal russa TASS afirmou que ela foi diagnosticada com pneumonia de etiologia desconhecida.

O jornal russo People of Baikal, citando fontes anônimas próximas aos serviços de segurança regionais, afirmou que Darya poderia ter contraído a peste pneumônica por meio de um tubo de ensaio quebrado. Segundo o jornal, quase 200 pessoas que tiveram contato com ela estão em quarentena.

Na terça-feira, 6, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu transparência por parte da Rússia.

"Compartilhar informações de forma oportuna, completa e transparente, conforme o Regulamento Sanitário Internacional, é essencial para esclarecer relatos conflitantes e permitir uma avaliação precisa dos possíveis riscos à saúde pública", escreveu Adhanom em uma publicação no X.

O diretor também afirmou que a OMS tomou conhecimento de relatos da imprensa sobre um segundo funcionário do instituto "com pneumonia de causa indeterminada", sem dar muitos detalhes sobre o caso.

Horas antes, o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, já havia afirmado que a organização acompanha o caso. "A avaliação inicial de riscos realizada pela OMS, com base nas informações disponíveis, indica que o risco é de moderado a baixo para Irkutsk, baixo para a Federação Russa como um todo e muito baixo para a região europeia", disse Lindmeier em Genebra.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, também afirmou que a Rússia precisa ser "transparente" em relação ao caso. "Acho que cabe à Rússia, obviamente, compartilhar mais informações com o mundo", disse Rubio em Reykjavik.

Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA afirmou que a pasta solicitou "oficialmente mais informações ao governo russo" e mantém "contato oficial" com outros países para "trocar informações". Uma fonte próxima ao caso, ouvida pela Agence France-Presse sob condição de anonimato, disse que a solicitação americana foi enviada pelos canais diplomáticos oficiais.

Questionado, nesta quarta-feira, sobre o pedido de transparência dos EUA, Peskov afirmou não ter "informações".

O presidente americano, Donald Trump, afirmou que pretende conversar por telefone "muito em breve" com o presidente russo, Vladimir Putin, para tratar da situação. Peskov também foi questionado sobre o assunto e afirmou que a conversa "não foi objeto de discussões concretas até o momento".

A peste pneumônica é uma infecção pulmonar altamente contagiosa que pode ser fatal, segundo a OMS. A doença é transmitida por meio de gotículas, ao contrário da peste bubônica, que afeta os gânglios linfáticos e é transmitida por pulgas infectadas.

As autoridades russas afirmam que a doença não foi detectada durante a autópsia.

O Serviço Federal de Supervisão da Proteção dos Direitos do Consumidor e Bem-Estar Humano da Rússia, conhecido como Rospotrebnadzor, negou ter imposto restrições sanitárias em Irkutsk após a morte da pesquisadora.

Segundo o órgão, um documento que circula na internet com supostas medidas sanitárias e epidemiológicas adotadas na região é falso. "O documento e as informações em questão não provêm de fontes oficiais e são falsos", afirmou o Rospotrebnadzor em uma postagem no Telegram

Ainda na terça-feira, a Embaixada dos EUA em Moscou emitiu um alerta de saúde reforçando a orientação para que cidadãos americanos que estejam na Rússia deixem o país "imediatamente". (Com agências internacionais).