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No Brasil, 41% não buscam médico após sintoma de câncer; sangue nas fezes é sinal de alerta

Pesquisa aponta que 8 em cada 10 brasileiros reconhecem gravidade, mas ainda adiam a busca por atendimento médico especializado

O Liberal, com informações de Estadão Conteúdo

20 de julho de 2026 às 13:03

Imagem ilustrativa

Imagem ilustrativa ( Foto: Foto: Lifestylememory / Freepik )

Uma pesquisa do A.C.Camargo Câncer Center, em parceria com a Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, revelou que 41% das pessoas que notaram sangue nas fezes, principal sinal de alerta para o câncer colorretal, não procuraram atendimento médico de imediato. O levantamento, realizado com cerca de 2 mil brasileiros em todo o país, foi divulgado nesta segunda-feira, 20.

O estudo aponta uma contradição significativa: apesar de 8 em cada 10 brasileiros reconhecerem que a presença de sangue nas fezes ou alterações persistentes no funcionamento intestinal são sinais graves, apenas 42% classificam esses sintomas como "muito graves".

Detalhando a demora, entre os entrevistados que já haviam notado sangue nas fezes, somente 59% buscaram atendimento médico logo após a percepção do sangramento. Os outros 41% agiram de diferentes maneiras:

  • 19% apenas esperaram o sintoma passar;
  • 10% demoraram dias ou semanas para procurar um médico;
  • 7% recorreram a remédios caseiros ou mudanças na alimentação;
  • 3% buscaram medicamentos por conta própria;
  • 1% pesquisou na internet antes de buscar orientação profissional.

O que é câncer colorretal e quais são os sintomas

O câncer colorretal é uma doença que se desenvolve no intestino grosso ou no reto. Na maioria dos casos, sua origem está em pólipos, pequenas lesões que podem crescer lentamente ao longo de muitos anos.

A detecção precoce do tumor oferece altas chances de cura. Nos estágios iniciais, a doença pode ser assintomática. Contudo, quando presentes, os sintomas mais comuns incluem:

  • Sangue nas fezes;
  • Alteração persistente do hábito intestinal;
  • Dor abdominal;
  • Sensação de evacuação incompleta;
  • Perda de peso sem causa aparente;
  • Anemia;
  • Cansaço excessivo.

É fundamental ressaltar que a presença desses sinais não confirma o diagnóstico de câncer, mas exige investigação médica.

A mesma pesquisa indicou que 67% dos brasileiros associam sangue nas fezes e alterações intestinais prolongadas ao câncer colorretal. No entanto, apenas 24% concordam fortemente com essa ligação, enquanto 43% possuem uma percepção moderada do risco.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil projeta 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no triênio 2026-2028. Isso o posiciona como o segundo tipo de tumor mais incidente no país.

Diagnóstico do câncer colorretal

A colonoscopia é o principal exame para diagnóstico e rastreamento do câncer colorretal. Este procedimento permite a visualização interna do intestino, a identificação de lesões precoces, a remoção de pólipos e a realização de biópsias, se necessário.

Geralmente, o rastreamento é recomendado a partir dos 45 anos. Para indivíduos com histórico familiar da doença, o início deve ser antecipado em dez anos em relação à idade em que o familiar foi diagnosticado.

Outra ferramenta relevante é a Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSO). Trata-se de um exame simples que detecta pequenas quantidades de sangue não visíveis a olho nu, auxiliando na identificação de pacientes que necessitam de investigação complementar.

Apesar de sua importância, dois em cada três brasileiros (67%) nunca ouviram falar da PSO, e apenas 11% afirmaram já ter realizado o exame.

Tratamento do câncer colorretal

O tratamento do câncer colorretal é individualizado, dependendo principalmente da localização do tumor. Ele pode combinar diversas abordagens.

Em entrevista anterior, Poliana Blasi, oncologista do Hospital Municipal Gilson de Cássia Marques de Carvalho (gerido pelo Einstein), explicou que tumores localizados no reto são frequentemente tratados com uma combinação de quimioterapia, imunoterapia, radioterapia e cirurgia.

Já nos casos de câncer no cólon, a parte mais alta do intestino, a estratégia terapêutica geralmente envolve cirurgia e quimioterapia. A especialista destacou que a radioterapia costuma ser reservada para situações específicas, como o tratamento paliativo de metástases.