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MP pede condenação de 7 policiais por extorsão a Gritzbach, o 'delator do PCC'

Em outra investigação, 16 policiais militares são investigados pela participação na escolta ilegal do delator e no seu fuzilamento sumário.

Estadão Conteúdo

Promotores do Ministério Público de São Paulo que atuam no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) pediram à Justiça a condenação de sete policiais civis e outros quatro acusados na Operação Tacitus, investigação sobre um esquema de lavagem de dinheiro e extorsão da facção delatado pelo empresário Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, assassinado em novembro de 2024 no Terminal 2 do Aeroporto internacional de São Paulo, em Guarulhos, em um ataque a tiros de fuzil à queima-roupa.

A reportagem busca contato com as defesas dos citados. O espaço está aberto para manifestação.

Pouco antes de ser executado à luz do dia na área externa do maior aeroporto da América Latina, Gritzbach firmou um acordo de delação premiada com a Promotoria no qual detalhou esquemas de lavagem de dinheiro do PCC e relatou uma rede de corrupção e extorsão envolvendo investigadores e delegados de diferentes unidades da Polícia Civil paulista.

Em outra investigação, 16 policiais militares são investigados pela participação na escolta ilegal do delator e no seu fuzilamento sumário.

A delação de Gritzbach deu origem à Operação Tacitus, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Gaeco em dezembro de 2024 para desarticular um dos braços financeiros da facção.

Perpetuação do PCC

Em alegações finais no processo - etapa derradeira da Operação Tacitus - os promotores apontam provas de que os acusados participaram de um esquema ligado ao PCC e praticaram lavagem de dinheiro, corrupção passiva, peculato, agiotagem e tráfico de drogas.

"As consequências especialmente graves dos crimes cometidos também devem ser consideradas, caracterizando-se pela extensão da atuação da organização criminosa promovida pelos acusados, da contaminação de diversos setores da economia formal, como o mercado imobiliário, com dinheiro do crime, por sua profunda contaminação de instituições do Estado e, ainda, por ter se mostrado capaz dos mais extremados atos de violência para a consecução de suas finalidades ilícitas, como evidenciado pelo assassinato de Antonio Vinicius Gritzbach, réu colaborador em processo criminal conduzido por esta Vara de Organizações Criminosas, em plena luz do dia e no ambiente lotado do maior Aeroporto da América do Sul, vitimando ainda outros três transeuntes e colocando a vida de outras tantas em risco", anotam os promotores do Gaeco.

O Ministério Público também pediu que a Justiça condene os réus ao pagamento de indenização por danos materiais, morais coletivos e sociais. Os promotores defendem a fixação de indenização mínima de R$ 40 milhões por acusado, ou seja, um total de R$ 440 milhões.

Os promotores argumentam que "o dano social, por sua vez, manifesta-se na perpetuação das atividades do PCC durante todo o período em que a rede de proteção policial aqui apurada esteve ativa".

"Esse custo social, mensurado em vidas, em segurança pública degradada e em confiança institucional destruída, não pode ser absorvido sem resposta do Poder Judiciário", afirma o MP.

A conduta dos acusados, segundo o MP

- Ademir Pereira de Andrade, empresário e apontado como operador financeiro do PCC, acusado por organização criminosa, agiotagem e lavagem de dinheiro em cinco episódios.

- Ahmed Hassan Saleh, advogado e apontado como operador ligado à cúpula do PCC, acusado por organização criminosa, lavagem de dinheiro em três episódios e tráfico de drogas.

- Eduardo Lopes Monteiro, investigador da Polícia Civil de São Paulo, acusado por organização criminosa, corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. O MP pediu absolvição por associação criminosa, um episódio de corrupção passiva e um episódio de lavagem de dinheiro.

- Fabio Baena Martin, delegado da Polícia Civil de São Paulo, acusado por organização criminosa, peculato e corrupção passiva. O MP pediu absolvição por associação criminosa, um episódio de corrupção passiva e um episódio de lavagem de dinheiro.

- Marcelo Marques de Souza, o "Bombom", investigador da Polícia Civil de São Paulo, acusado por organização criminosa e lavagem de dinheiro em continuidade delitiva.

- Marcelo Roberto Ruggieri, o "Xará", investigador da Polícia Civil de São Paulo, acusado por organização criminosa e lavagem de dinheiro em dois episódios.

- Robinson Granger de Moura, o "Molly", empresário, acusado por organização criminosa e lavagem de dinheiro em três episódios.

- Rogerio de Almeida Felicio, investigador da Polícia Civil de São Paulo, acusado por organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro.

- Danielle Bezerra dos Santos, esposa de Rogério Felicio, acusada por organização criminosa e lavagem de dinheiro.

- Valdenir Paulo de Almeida, o "Xixo", agente da Polícia Civil de São Paulo, acusado por organização criminosa e corrupção passiva.

- Valmir Pinheiro, o "Bolsonaro", agente da Polícia Civil de São Paulo, acusado por organização criminosa.

A reportagem busca contato com as defesas dos citados. O espaço está aberto para manifestação.

A única exceção no pedido de condenação do Ministério Público é o delegado Alberto Pereira Matheus Júnior, da Polícia Civil, que ocupou cargos importantes no Departamento Estadual de Investigações Criminais e no Departamento Estadual de Investigações sobre Entorpecentes. Os promotores pediram sua absolvição integral por falta de provas.

Relógios

Os promotores apontam que "a revelação de que policiais do DHPP, prestigiado departamento da polícia civil, responsáveis pela investigação de homicídios de lideranças do PCC, subtraíam relógios de investigados, prometiam depor em seu favor em juízo, vazavam informações sigilosas à cúpula da facção e mantinham canais abertos líderes da organização criminosa não é apenas um desvio funcional grave mas sim uma sinalização de que o Estado pode ser comprado e que as investigações criminais mais sensíveis da cidade de São Paulo eram conduzidas, ao menos em parte, por quem tinha interesse em seu fracasso".

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