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Motorista de Land Rover que atropelou e matou jovem na saída de balada em SP vai a júri popular

Estadão Conteúdo

6 de novembro de 2026 às 17:48

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) marcou para 11 de novembro o júri popular de Gustavo dos Santos Soares, acusado de atropelar e matar Fernando Zambori, de 20 anos. O crime ocorreu em 13 de agosto de 2022, em frente a uma casa noturna no Itaim Bibi, na zona sul da capital paulista. O processo tramita em segredo de Justiça.

O julgamento foi marcado após a apresentação de diversos recursos ao longo do processo. Desde a morte do jovem, Gustavo responde em liberdade e cumpre medidas cautelares. O Estadão tenta contato com a defesa.

Segundo apurou a reportagem, a primeira audiência foi marcada para 2023, no Fórum Criminal da Barra Funda. No entanto, a sessão precisou ser adiada em razão de serviços de manutenção no local. A audiência foi remarcada para junho de 2024, mas foi adiada novamente após uma testemunha não comparecer.

Família espera justiça

Em setembro de 2022, a prisão temporária de Gustavo chegou a ser decretada, mas, na época, a Justiça não considerou necessária a manutenção da medida.

O magistrado responsável pela decisão levou em conta o compromisso de Gustavo de colaborar com as investigações. Com isso, o mandado de prisão foi substituído por medidas cautelares, entre elas a proibição de deixar a cidade de São Paulo por mais de oito dias ou de mudar de endereço sem comunicar à Justiça, e de se aproximar das testemunhas, além da obrigação de manter os dados de contato atualizados.

Em outubro do mesmo ano, a Justiça também negou um pedido de prisão preventiva de Gustavo, sob o argumento de que ele estava cumprindo as medidas cautelares impostas.

Denise Zambori, mãe de Fernando, afirmou que a família e os amigos do jovem esperam que a realização do júri popular represente um passo em direção à Justiça. "Nesses quatro anos, foram dias de constante vigília e luta. Esperamos que no dia 11 tenhamos um veredicto", disse ao Estadão.

Segundo ela, as sucessivas mudanças no andamento do processo, como cancelamentos de audiências e trocas de juízes e promotores, prolongaram o sofrimento dos familiares.

"Eu sei que a condenação não irá resolver a nossa dor, mas será um alívio. Até hoje, não consegui parar para sofrer a perda do Fernando, porque ela é sempre acompanhada de tristeza, decepção e raiva. A perda está associada ao martírio e ao sofrimento para a resolução do caso", afirmou.

Relembre o caso

Fernando morreu após ser atropelado na saída do estacionamento de uma casa noturna. Imagens das câmeras de segurança do estabelecimento mostram o momento em que a Land Rover Velar, conduzida por Gustavo, atinge o jovem, passa por cima de seu corpo e deixa o local sem prestar socorro.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), policiais militares foram acionados para atender à ocorrência. Ao chegarem ao local, encontraram a vítima sendo socorrida por bombeiros civis. A morte foi constatada por um médico do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Testemunhas relataram à polícia que Fernando estava em um veículo com outras pessoas quando desceu para conversar com Gustavo, que estaria atrás do grupo e teria feito ofensas. Nesse momento, o jovem foi atropelado.